PROTEUS EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

PROTEUS EDUCAÇÃO PATRIMONIAL




quarta-feira, 23 de outubro de 2019

FAZENDAS E ÁGUAS - TESES E DISSERTAÇÕES


1 - Águas de domínio público (Brasil colonial) O caso de Vila Rica, Minas Gerais, 1722-1806

http://www.scielo.br/pdf/vh/v32n58/0104-8775-vh-32-58-0079.pdf



2 - AUTOGESTÃO DE SISTEMAS RURAIS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA: ESTUDO DE CASO NA COMUNIDADE QUILOMBOLA DE LAGEDO, SÃO FRANCISCO - MG

http://www.smarh.eng.ufmg.br/defesas/1186M.PDF



3 - As águas de cada um, os rios de todos 

Conflitos e gestão de recursos hídricos na história de Minas Gerais

http://www.anppas.org.br/encontro6/anais/ARQUIVOS/GT10-1173-1061-20120629184828.pdf



4 - A GEOPOLÍTICA DA SEDE NO BRASIL: um estudo sobre água e pobreza no campo

 https://www.ufpe.br/documents/40086/1906110/TESE+-+Sandra+Silveira.pdf/51dbb7a2-07b2-42a8-9dc6-04be8d29c561

5 - Gerais a dentro e a fora:  identidade e territorialidade entre Geraizeiros do Norte de Minas Gerais

http://www.dan.unb.br/images/doc/Tese_084.pdf

6 - QUALIDADE DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS RASAS DO AQUÍFERO BARREIRAS: ESTUDO DE CASO EM BENEVIDES - PA

 http://rigeo.cprm.gov.br/jspui/bitstream/doc/19641/1/dissertacao_freddo_filho.pdf



7 – O Caminho das Águas

http://www.meioambiente.ba.gov.br/arquivos/File/Publicacoes/Livros/caminhodasaguas.pdf



8 -  Fazendas do Sul de Minas

https://teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18142/tde-17022009-113505/publico/dissertacao_cicero.pdf

9 - FAZENDEIROS DA ZONA DA MATA DE MINAS GERAIS NA CONSTRUÇÃO

DO ESTADO NACIONAL (1840-1860).

http://www.abphe.org.br/arquivos/irene-nogueira-de-rezende.pdf



10 - Economia e trabalho no sul de Minas no século XIX

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-06182007000200006



11 - ROÇAS, FAZENDAS, ENGENHOS, CURRAIS: UMA CARTOGRAFIA DA RURALIDADE COLONIAL NAS MINAS DO CUIABÁ (PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XVIII)*

http://www.scielo.br/pdf/rh/n173/2316-9141-rh-173-00211.pdf



12 - A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS EM MINAS GERAIS COLONIAL E A FAZENDA BORDA DO CAMPO

http://www.encontro2016.sp.anpuh.org/resources/anais/48/1467391147_ARQUIVO_ArtigoANPUH-CarolineSauerGoncalves.pdf



13 - MEMÓRIA, PATRIMÔNIO E FAZENDAS: processos de patrimonialização em Pompéu/MG

file:///C:/Users/Positivo/AppData/Local/Packages/Microsoft.MicrosoftEdge_8wekyb3d8bbwe/TempState/Downloads/AdebalAndrade%20(4).pdf

14 - ENGENHOS: produção e abastecimento no Termo do Cuiabá  (1751-1834)

https://www.ppghufgd.com/wp-content/uploads/2017/03/REV.-Vanda-final.pdf



15 – Abastecimento de água

https://docplayer.com.br/4972614-Abastecimento-de-agua.html



16 – Abastecimento de água na antiguidade

https://martaiansen.blogspot.com/2011/05/abastecimento-de-agua-da-antiguidade.html



17 - Água doce do Brasil colonial

http://www.campoecidade.com.br/agua-doce-do-brasil-colonial/


18 - Abastecimento em Diamantina


http://portal.iphan.gov.br/noticias/detalhes/1718v


19 - OS QUEIJOS E AS ÁGUAS DA SERRA DA CANASTRA

https://ferdinandodesousa.com/2018/11/20/os-queijos-e-as-aguas-da-serra-da-canastra/


20 - A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS EM MINAS GERAIS COLONIAL E A FAZENDA BORDA DO CAMPO

http://www.encontro2016.sp.anpuh.org/resources/anais/48/1467391147_ARQUIVO_ArtigoANPUH-CarolineSauerGoncalves.pdf


21 - As fazendas do Sul de Minas

http://tede.bibliotecadigital.puc-campinas.edu.br:8080/jspui/bitstream/tede/940/2/LARISSA%20DE%20SOUZA%20PEREIRA.pdf


22 - A EXPANSÃO DA CANA-DE-AÇÚCAR NA REGIÃO CENTRO-OESTE DE MINAS GERAIS: CENÁRIO ATUAL E TENDÊNCIAS FUTURAS.

https://ciamb.prpg.ufg.br/up/104/o/TESE_DE_DOUTORADO_EDMAR_VERSÃO_FINAL_CORRIGIDA.pdf





terça-feira, 22 de outubro de 2019

INVENTÁRIO E PROTEÇÃO - A VELHA NOVELA DO PATRIMÔNIO CULTURAL

O inventário não é regulamentado e fica sendo comparado a uma proteção como o tombamento mas bem menos embasado e sem contraditório. 
Não vem servindo para orientações de plano diretor ou planejamento urbano e na prática continua sendo um inventário de conhecimento que não está levando nem mesmo a indicativos de tombamento ou Registro. 
Os órgãos de proteção abdicaram da discussão. Se acomodaram no visão de Inventário de Conhecimento. Não querem avançar e o inventário - em Minas - está paralisado no que sempre foi. 
Continuo defendendo o inventário como uma proteção prévia que precisa avançar para proteções realmente efetivas. 
A regulamentação, tão necessária, não virá do IPHAN porque esse tem uma visão diferenciada do Inventário para atender aos seus interesses. E o IEPHA, esse sim - que tem sob sua orientação 853 municípios - parece não se preocupar em avançar na questão. 
No fundo, o que temos de fato como proteção é o Tombamento e o Registro. 
O restante - Plano Diretor e etc. - não avançam muito sem essas proteções. 
Não podemos esquecer que, nenhuma proteção legal vai cumprir o seu papel se não tiver o envolvimento das comunidades.
Mas, na verdade, uma coisa é o inventário que o iepha faz. A outra é o que os municípios fazem... Tem que regulamentar em nível Estadual para embasar os municípios. Acredito, no entanto, que, os municípios têm autonomia para regulamentar o inventário local, mesmo que não exista uma legislação estadual ou federal definindo e detalhando seu caráter de proteção. Tanto o iepha quanto os municípios - com base na Constituição Federal - poderiam regulamentar o instrumento com independência da Federação. Por outro lado, quem disse que só existe um tipo de inventário? São vários e todos precisam ser destrinchados e diferenciados numa legislação. Tanto o inventário feito pelo IPHAN quanto os realizados pelo IEPHA possuem um objetivo específico: embasar a proteção por meio do tombamento e ou Registro.
São inventários específicos - temáticos como o que o IEPHA fez sobre a obra de Niemayer ou inventários de núcleos ou conjuntos ou um tipo específico de manifestação imaterial, que já foram previamente classificados para serem tombados ou Registrados.
Por isso não existe uma preocupação em regulamentar algo que para eles está claro dentro das suas atividades cotidianas.
Mas, por outro lado, existe o ICMS Patrimônio Cultural, que exige do IEPHA mais clareza sobre o inventário a ser realizado pelos municípios - tanto os temáticos, como os gerais (os de varredura total do município).
Realmente, Minas está "Ilhada".
Nenhum outro membro da federação estimula o Inventário municipal.
Nenhum outro membro da federação detém o poder que o IEPHA tem, de ditar as regras de como se deve proteger os bens culturais ou conhece-los.
Isso só deixaria de existir se nos tirarem isso.
Se acabarem com o programa, o que seria o maior retrocesso já visto nesse país na área da proteção do patrimônio cultural.
Por isso acredito que os municípios mineiros poderiam regulamentar mas não o farão.
São completamente dependentes e vinculados ao IEPHA.
Quem tem que tomar essa iniciativa é a instituição, passando a exigir que os municípios regulamentem seus inventários conforme uma orientação na Deliberação Normativa obedecendo o que determina a Constituição de 1988.

(Carlos Henrique Rangel).

terça-feira, 8 de outubro de 2019

JOGO DA MEMÓRIA AMBIENTAL


JOGO DA MEMÓRIA: JOGO DA MEMÓRIA AMBIENTAL



Idealizador: Carlos Henrique Rangel


Como fazer:

1 – Trabalhe com uma turma de alunos do Ensino Fundamental ou Médio.

2 – Faça uma aula/palestra sobre Meio ambiente, abordando os seguintes conceitos: ecossistema, fauna e flora, Mata atlântica, floresta amazônica, Cerrado, agressão ambiental/destruição do meio ambiente/ poluição, preservação do meio ambiente,  a relação do ser humano e o meio ambiente, ecologia - como fazer para preservar o meio ambiente, equilíbrio ecológico, etc.

3 –  Faça uma seleção de imagens sobre agressão ao meio ambiente e de ações positivas na defesa do meio ambiente

4 – Mande imprimir em cores e plastificar duas cópias de cada imagem referente ao Meio Ambiente em tamanho A4, com devida identificação. Ou seja: 10 imagens/peças que darão 20 peças.


Como jogar:



1 – Escolha quatro alunos para jogarem.



2 – Faça uma roda com os alunos e distribua as peças aleatoriamente a cada um. Eles devem apresentar as imagens de costa para os jogadores.



3 – Faça um sorteio entre os quatro jogadores definindo a ordem de jogada.



4 – O Primeiro jogador escolhe dois alunos/peça que devem mostrar as imagens que seguram. Se casar as peças os dois alunos/peças saem da roda e entregam ao jogador as suas imagens casadas.

Outra forma de jogar: Os alunos/peças saem da roda e passam a compor uma equipe com o jogador que fez o casamento das peças. Assim, esses alunos poderão ajudar o jogador a achar novos pares de peças.



5 – O jogador que acertou as imagens continua o jogo até errar, passando a vez para o próximo jogador.

Outra forma de jogar: Acertando o par de peças o jogador continua a jogar e incorporar novos membros a equipe que se formou para ajuda-lo a ganhar.

Errando, a vez passa a outro jogador que procederá da mesma forma.



6 – Ganha o jogo o jogador que tiver conseguido casar o maior número de bens culturais.

Outra forma de jogar: Ganha o jogo a equipe que tiver mais peças e mais membros.

EXEMPLO DE PEÇAS PARA O JOGO:




















JOGO DA MEMÓRIA:


JOGO DA MEMÓRIA CULTURAL




Idealizador: Carlos Henrique Rangel




Como fazer:




1 – Trabalhe com uma turma de alunos do Ensino Fundamental ou Médio.



2 – Faça uma aula/palestra sobre Patrimônio Cultural, abordando os seguintes conceitos: Cultura, Identidade, Memória, a relação da memória com o passado, Identidade e passado, bem cultural material e imaterial, Patrimônio Cultural, Preservação, Conservação, Proteção, Inventário de Proteção ao Acervo Cultural, Tombamento, Registro do Imaterial.



3 – Trabalhado os conceitos, divida a turma em grupos e peça para que cada grupo escolha 10 bens materiais e imateriais que consideram patrimônio cultural do município.



4 – Os grupos terão que fotografar e escrever um míni histórico dos bens escolhidos.



5 – Os grupos devem apresentar em sala de aula o trabalho sobre os bens culturais escolhidos com suas devidas fotos.



6 – Terminada a apresentação os alunos escolherão o número mínimo de 10 e o máximo de 15 bens culturais materiais e imateriais para serem transformados em peças do jogo da memória.



7 – Mande imprimir em cores e plastificar duas cópias de cada imagem de bem cultural em tamanho A4, com devida identificação. Ou seja: 10 imagens/peças darão 20 peças.




Como jogar:



1 – Escolha quatro alunos para jogarem.



2 – Faça uma roda com os alunos e distribua as peças aleatoriamente a cada um. Eles devem apresentar as imagens de costa para os jogadores.



3 – Faça um sorteio entre os quatro jogadores definindo a ordem de jogada.



4 – O Primeiro jogador escolhe dois alunos/peça que devem mostrar as imagens que seguram. Se casar as peças os dois alunos/peças saem da roda e entregam ao jogador as suas imagens casadas.

Outra forma de jogar: Os alunos/peças saem da roda e passam a compor uma equipe com o jogador que fez o casamento das peças. Assim, esses alunos poderão ajudar o jogador a achar novos pares de peças.



5 – O jogador que acertou as imagens continua o jogo até errar, passando a vez para o próximo jogador.

Outra forma de jogar: Acertando o par de peças o jogador continua a jogar e incorporar novos membros a equipe que se formou para ajuda-lo a ganhar.

Errando, a vez passa a outro jogador que procederá da mesma forma.



6 – Ganha o jogo o jogador que tiver conseguido casar o maior número de bens culturais.

Outra forma de jogar: Ganha o jogo a equipe que tiver mais peças e mais membros.



EXEMPLOS PARA PEÇAS EM TAMANHO A4:










segunda-feira, 7 de outubro de 2019

CARTILHA DE CONSERVAÇÃO - O TURISTA


 CARTILHA DE CONSERVAÇÃO

O TURISTA

Autor: Carlos Henrique Rangel

                                         Igreja de Santa Rita de Cassia - Sopa/Diamantina
                                                              4 de outubro de 2019.





O Senhor entrou na igreja olhando com admiração o belo teto.

Uma pintura colorida em azul, vermelho, branco.

Uma senhora limpava o chão de tábuas com um esfregão e o Senhor se dirigiu a ela.


- Boa tarde.



- Boa. – Respondeu a senhora parando o seu serviço.



- Linda igreja... – Disse o homem olhando ao redor.



- Ah... É sim. Mas já foi mais... Tem problemas.



- Problemas? - Perguntou o Senhor.



- Sim senhor. Vem cá para o senhor ver. – Chamou a mulher.



O Senhor a seguiu curioso. A pequena volumosa senhora apontou

uma trinca na parede.



- Olha só. E tem mais lá na sacristia...



- Senhora... Como é mesmo o nome da Senhora?



- Jandira... Pode me chamar de Jandira... Sou ajudante do Padre Zé.



- Muito prazer... Meu nome é Jorge. Já notou que não sou daqui.



- É turista né? Aqui vem um monte de turista todos os dias...



- É, sou e não sou...



- Ora Seu Jorge, ou é ou não é... - Riu a senhora.



- É que estou de férias sim, mas também nunca deixo de trabalhar...



-Que trabalho bom... Ficar olhando as igrejas dos outros...



Jorge riu.


- É mais ou menos isto que eu faço. Eu sou arquiteto e trabalho com Patrimônio Cultural...


-Espera! Não precisa falar... Eu sei o que é isto: é esse monte de coisa que nossos avós construíram ou fizeram... A igreja por exemplo.



-Isto. Toda a produção cultural de um povo: os bens culturais materiais e imateriais: festas, igrejas, praças, Músicas, causos... Tudo isto é Patrimônio Cultural e diferencia uma Cidade, comunidade ou lugar de um outro...  



-Falou bonito Seu Jorge. –Disse a D. Jandira batendo palma. 


- É Dona Jandira, tudo isto está relacionado com passado, memória, identidade e cidadania.



- O senhor tem certeza que é arquiteto? Tá mais para poeta...

Novamente o Senhor Jorge riu.



- Pois é Dona Jandira, eu cuido de igrejas como esta.



- Uai que bom! Então pode começar a cuidar desta que eu vou fazer muito gosto.

 – Disse a Dona Jandira entregando a esfregão para o Visitante.



-Não é desse jeito não Dona Jandira... Eu faço projetos, acompanho obras de restauro e oriento...



- Restauro?



- Bens culturais como essa igreja devem ser restaurados. Ou seja, as obras devem

manter as características originais do bem...



- Tá bom... Já vi que o piso de lajota que o padre quer vai ficar no querer...

- Disse a Senhora olhando o piso de tábuas.



- Isto não pode. O bonito desta igreja é o que ela tem de original e que vem seguindo anos e anos essa linda comunidade...



- Mas o senhor fala bonito né! – O Arquiteto sorriu.



- Então tá, Seu Jorge. Já que o senhor não vai esfregar o chão, pode ajudar nestas trincas? O Arquiteto olhou detalhadamente a parede da nave, a parede da Capela Mor, o altar...



- Olha Dona Jandira, essas trincas podem ser um problema com a fundação...



- Pode ser sim. A igreja foi fundada há tanto tempo... - Disse a senhora pensativa.



- Não é esse tipo de fundação... Fundação é o alicerce, a base da igreja...- Sorriu o Senhor.



- Ah bom... O alicerce aqui é todo de pedra... Cada Pedrão...



- Pois é, o alicerce sustenta a igreja... Pode ser que esteja havendo movimentação da terra que pode está causando afundamento do alicerce. Isto acaba afetando as paredes.



- Será? – Perguntou a senhora pondo a mão no queixo.



- Pode ser.



- Mas então o que pode ser feito nestes casos? – Perguntou a Dona Jandira.



- Para evitar esse tipo de problema é preciso que não se deixe cair a Água da chuva direto no terreno da igreja. Para isto as tubulações, as calhas que recebem as águas da chuva, das torneiras ou do esgoto devem estar em bom estado, sem vazamento.

Temos que limpar periodicamente as caixas de inspeção e valas. E claro, providenciar tratamento de limpeza das peças apodrecidas por insetos...



- Não sei como é que anda isto não...- Disse a senhora pensativa.



- Mas pode ser outra coisa... O trafego de veículos também abala as paredes das casas e igrejas antigas...



-ah, Eu já cansei de falar para o Padre Zé que esse negócio de caminhão passando aqui do lado não cheirava bem...


- Isto tem que ser visto com calma. O Trafego de veículos pesados pode e deve ser desviado para outra área...



- Pois é e estas paredes nem de tijolos são... Quero dizer, não esses tijolos modernos...São de Adobe... Mas existem algumas de pau-a-pique...



- Mas o Senhor é danado hem? Eu pensei que o Senhor não sabia. - O arquiteto Jorge riu novamente do jeito engraçado da Senhora.



- É, temos paredes de pedras, de adobe, de taipa, de pau-a-pique e as mais modernas, de tijolos de alvenaria. As igrejas de taipa precisam ser revestidas de argamassa e pintura à base de cal para poderem respirar como esta aqui. – Disse ele mostrando a parede.  



- Não pode colocar cimento? - Perguntou a Senhora.



- Cimento não vai deixar a parede “respirar” e vai acabar deslocando e caindo. A umidade que sobe dos alicerces pode atingir a parede e os rebocos. Isto vai gerar manchas e até deslocamento... Até vegetação pode nascer nas trincas...Também é aconselhável não furar as paredes com pregos. Você pode usar trilhos para pendurar objetos decorativos que não danificam as paredes.



- Bom saber...- Disse a Senhora abaixando a cabeça.



- Para limpar as paredes de pedra e tijolo, a senhora deve lavá-las com água e detergente neutro, evitando o excesso de água, utilizando uma escova suave para não causar desgaste na pintura.  



E o chão Seu Jorge? Se não podemos trocar esse piso, como podemos

cuidar dele?


O Arquiteto deu uma boa olhada nas tábuas.



- Olha Dona Jandira, o piso não é só um lugar de pisar.



- Não!? Serve para quê mais? – Perguntou espantada a Senhora.



- Ele é decorativo, enfeita a igreja... Protege os fiéis da umidade que vem do solo...


- Decorativo... Ehhh... É bonito... E trabalhoso...



- Pois é, Dona Jandira, se não cuidar a senhora vai ter muito mais trabalho... Esse piso de tábua precisa de cuidados: Não devemos deixar acumular água ou goteiras para evitar que surjam fungos e apodrecimento da madeira. Devemos substituir as peças estragadas para não atrapalhar todo o conjunto. E claro, devemos vigiar e controlar sempre para não deixar surgir cupim e broca. Para limpar, use sempre um pano levemente umedecido ou quase seco, assim a senhora tira a poeira... Em seguida deve aplicar a cera de madeira. Depois disso a Senhora só deve usar uma vassoura de pelo macia para retira a poeira... Nada deste esfregão...



- Eta homem sabido...



- Os barrotes - as peças de madeira que sustentam o piso, precisam de cuidados constantes... A senhora ou o Padre devem olhar se não há vazamento das tubulações de água, de esgoto. O piso pode ser afetado também pelos problemas no alicerce...



- Ah sei, a tal da Fundação....



- Os pisos de ladrilho hidráulico devem ser limpos com água e sabão neutro sempre que for preciso. Pode ser usado um pano úmido em outras vezes ou encerados. Peças quebradas devem ser substituídas.



O arquiteto olhou para o alto e viu algumas manchas.



- A cobertura... O telhado, deve ser constantemente visitado. Como a senhora sabe, o telhado protege as paredes e tudo mais aqui dentro.



- Isto eu sei. Quando chove é um Deus nos acuda... Chove lá fora e aqui dentro...



- Pois é, existem telhas quebradas ou deslocada ou mesmo acumulo de sujeira e isto causa goteiras. Pode ser que o problema seja a pouca declividade do telhado...



- Pode ser mesmo... Nós nunca colocamos essa tal de “declividade”.


  O Arquiteto conteve o riso.

- Declividade é ... Como posso dizer... O telhado tem pouca curvatura e a água se acumula e acaba descendo para dentro da igreja. Agora, as calhas também precisam estar limpas para deixar a água descer...



- É... Se o Senhor diz...



- Mas tem as esquadrias...



- Tem não Seu Jorge... Só em junho... – Disse a Senhora balançando o dedo.



- Não é Quadrilha... Eu disse Esquadrias...



- Ah bom! ...O que é isto? - Perguntou a senhora.



- São as portas e janelas...



- Que nome chique para porta e janela...



- Pois é, as portas e janelas - os vãos da igreja - sofrem muito com as chuvas e com o Sol...Com os cupins e brocas... E se não cuidarmos constantemente o problema só piora. Também não se pode trocar janelas antigas por modernas...

Não em bens culturais como essa igreja, protegidos pelos órgãos de preservação.



- Mas então como é que fica. Se estraga a janela não pode trocar?



- Pode sim. Quando não tem mais jeito substitui-se a janela por modelo parecido, de preferência construído com madeira idêntica às outras janelas.



- E tem que trocar os vidros quebrados...



- Isto mesmo Dona Jandira. Quebrou, trocou... Assim não entra água e não apodrece a madeira. No caso das ferragens das janelas, é necessário lubrificar de quando em quando e retirar o excesso de tinta que impede a janela de fechar direito. Peças enferrujadas devem ser lixadas...



- E o forro? Sei que depois que arrumarmos o telhado vamos ter que reformar...



- Restaurar. O Forro tem que passar por uma restauração feita por um especialista.



- Aqui tem. O Manuel sambista. Ele faz tudo para a Escola de Samba... Restaurou

a imagem de Nossa Senhora que ficou lindinha... Até ruge ele pôs...



- Não, Dona Jandira, restauração é coisa séria, tem que chamar um profissional que estudou para isto. – Disse o Arquiteto horrorizado procurando a imagem de Nossa Senhora. Dona Jandira, as imagens e o altar devem ser limpos adequadamente. A senhora deve olhar se tem sujeira. Se o pó está preso à imagem... Deve olhar se tem ataque de insetos se há furos... Olhar se a pintura ou douramento está desprendendo... Se existem partes soltas...Muitas vezes o local onde a peça está não é adequado. O local deve ser limpo... Sem pó nos pisos e paredes...

 No caso de pinturas na parede a senhora não deve encostar móveis nem elementos que possam desgastar ou danificá-la. Não furar com pregos ou coisa parecida para pendurar objetos; evitar iluminação direta sobre as pinturas; não fixar avisos e cartazes diretamente sobre as pinturas; orientar os fiéis para não tocar as pinturas.

Para limpar as imagens e os altares a senhora deve usar uma trincha

macia, limpa e seca. Tudo isto com muito cuidado. Removendo sempre os fungos porque eles podem se espalhar contaminando as outras imagens e até a senhora.



- Deus me livre! – Se benzeu a Senhora assustada.



- Olha Dona Jandira, para carregar uma peça destas a Senhora tem que usar as duas mãos...E luvas....



- Ai que chique...



- E com delicadeza... Suave, mas com firmeza...Dona Jandira, o mais importante é a conservação que nós chamamos de “Preventiva”. Ou seja, devemos cuidar para impedir os danos e a deterioração. Há coisas simples que podem ser feitas; acondicionar o lixo dentro de sacos plásticos e colocá-lo na rua na hora do lixeiro passar... Olhar periodicamente as caixas de papelão ou caixotes que estão atrás de armários, gavetas para ver se tem roedores...Evitar acumulo de entulhos...Colocar telas metálicas nas aberturas  dos telhados ou telas de nylon em beirais por causa dos pombos...Os ninhos destes devem ser removidos...- Continuou o Arquiteto.



- Ai meu Deus... Mais trabalho para mim...


-Para a Senhora sozinha não... A igreja é de todos e toda a comunidade deve ser envolvida para cuidar sempre deste patrimônio maravilhoso que vocês possuem. Vigie sempre...



- Vamos vigiar sim...


- Agora Dona Jandira, sempre que o problema for além das possibilidades da comunidade, chamem um técnico especialista. 


- Pois é Seu Jorge, que tal o senhor parar essas suas férias...?


O arquiteto sorriu.

-          Vou pensar...- ajoelhou diante do altar e começou a orar.


domingo, 6 de outubro de 2019

CONSELHEIRO LAFAIETE - O MUNICÍPIO


O Município de Conselheiro Lafaiete

1 - A Ocupação da Região do Rio Das Mortes 


A região dos Campos das Vertentes situada ao sul da província possui esta denominação por sua diferenciação com a área das matas, localizada a leste. A paisagem natural marca inicialmente as diferenças entre os campos abertos ao sul do Rio Grande e as Matas a leste na extensão da Serra da Mantiqueira até o pé da Serra do Mar na Capitania do Rio de Janeiro.

O nome Rio das Mortes foi conferido ao curso d’água originário da Serra da Trapizonga, no atual município de Barbacena. Este rio percorre cerca de duzentos e doze quilômetros (212 km), tendo de um lado a Serra do Lenheiro e do outro a Serra de São José, desembocando no Rio Grande, perto do Ibituruna. Toda a região em seu entorno recebeu o nome genérico de Rio das Mortes.

O tráfego de aventureiros em busca do ouro das minas de Ouro Preto e do sertão do Rio das Velhas tornou a região do Rio das Mortes caminho obrigatório para a travessia da Serra da Mantiqueira em direção a Taubaté e ao litoral fluminense rumo ao porto de Parati, rota denominada Caminho Velho. Esse fluxo migratório determinou, inicialmente, o surgimento de pousadas ao longo dos caminhos ou nos trechos cortados por rios. Anos depois, o próprio Rio das Mortes passou a receber o seu quinhão de mineiros, devido à descoberta de veios de ouro aos pés da Serra de São José, culminando com o surgimento dos primeiros povoados.

Nas imediações da atual cidade de São João Del Rei, o Guarda-mor distrital, Tomé Portes Del Rei, estabeleceu um posto de cobrança de passagem, denominado Porto Real da Passagem, embrião da ocupação local.

Em 1702, Porte Del Rei, alertado por João de Siqueira Afonso sobre a existência de ouro na região, acabou por descobrir o metal em um córrego no sopé da Serra de São José. Em pouco tempo, surgiu o primeiro arraial, o de Santo Antônio, também denominado Arraial Velho do Rio das Mortes. Mais tarde, em 1705, os veios auríferos das serras sanjoanenses determinaram o surgimento do arraial de Nossa Senhora do Pilar, o Arraial Novo.[1]

Vieram para a região, paulistas e reinóis[2], grupos distintos que passaram a disputar as lavras em escaramuças, culminando na Guerra dos Emboabas, conflito que se estendeu por todo território das Minas entre os anos de 1707 a 1709.[3]

Emboabas era a denominação pejorativa dada aos portugueses e reinóis. A presença dos forasteiros começou a incomodar os mineradores paulistas, pioneiros da conquista. As hostilidades aumentaram após a nomeação de Manuel Nunes Vianna, líder dos emboabas, a governador das Minas. As séries de escaramuças são vencidas pelos emboabas que passam a controlar inúmeras minas de ouro.
A mão firme do governo colonial assegurou a volta à tranquilidade, permitindo o desenvolvimento dos nascentes povoados. A principal consequência do conflito foi a criação da capitania de São Paulo e das Minas do Ouro.

Assim, nos primeiros anos do setecentos foram criadas três comarcas sob o comando do governador da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro: Vila Rica, Rio das Mortes e Rio das Velhas.

São João Del Rei, o Arraial Novo, foi elevado à vila e cabeça da Comarca do Rio das Mortes em oito (8) de dezembro de 1713.[4] O Arraial Velho passou à condição de vila somente em dezenove (19) de janeiro de 1718, recebendo o nome de São José - atual Tiradentes. O antigo Arraial de Carijós passou a pertencer à Comarca do Rio das Mortes, vinculado a São João Del Rei.[5] Em 1720, temos a criação da Capitania de Minas separada de São Paulo agora composta pelas comarcas de Ouro Preto, Rio das Mortes, Rio das Velhas e Serro Frio. Em 1829, o termo da vila de Queluz passou à comarca de Ouro Preto.



[1] GUIMARÃES, Fábio Nelson. Um pouco de história de São José Del Rei, hoje cidade de Tiradentes. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, Belo Horizonte, 1973, V.13, p. 91-93. 
[2] Os portugueses que vieram para Minas Gerais eram naturais de diversos lugares da Metrópole. Predominavam renóis do patriarcado de Lisboa, bispado do Porto e da região de Braga.( REIS, Flavia Maria da Mata. Traços do Cotidiano nas Minas de Ouro. A Estrutura Produtiva e o Trabalho Escravo nas Unidades MineradorasSetecentistas. Disponível na Internet: http://www.cedeplar.ufmg.br/seminarios/seminario_diamantina/2008/D08A003.pdf. Acessado em 4 de fevereiro de 2013. p. 3).
[3] Nessa luta com os emboabas milhares de índios carijós lutaram ao lado dos paulistas. (VENÂNCIO, Renato pinto. Últimos Carijós: Escravidão Indígena em Minas Gerais: 1711-1725. Revista Brasileira de História. Disponível na Internet: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-01881997000200009&script=sci_arttext . Acessado em 30 de abril de 2013.
[4] ROCHA, José Joaquim da. Geografia Histórica da Capitania de Minas Gerais: Descrição Geográfica, Topográfica, Histórica e Política da Capitania de Minas Gerais. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1995. p.119.
[5] A Comarca do Rio das Mortes criada em 1714 compreendia São João Del Rei e os termos de Jacuí, Baependi, Campanha, Barbacena, Queluz (antiga Carijós), Oliveira, São José do Rio das Mortes e Tamanduá. Durante o século XIX a Comarca sofreu várias modificações e reduções a partir da criação de novas comarcas.
normal'>Sítio da Varginha do Lourenço - Decreto Estadual nº 29399 de 21 de abril de 1989. Publicado no jornal Minas Gerais – Diário do Executivo em 25 de abril de 1989, pág. 01, Col.1. Livros do Tombo I, II.

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2 - Do Arraial de Carijós a Conselheiro Lafaiete

Antes da chegada dos sertanistas e aventureiros, a região do atual município de Conselheiro Lafaiete era ocupada por indígenas denominados “Carijós”[1], etnia originária da baixada do Rio de Janeiro deslocada em função dos avanços dos homens “brancos”. Garcia Rodrigues teria encontrado esses índios com garimpeiros remanescentes de uma antiga bandeira.

A presença de indígenas e seus descendentes, nos arraiais e vilas, pode ser atribuída a diversas razões. Em parte eram “carijós” que passaram a Minas na companhia dos paulistas – muitos, inclusive, aprisionados durante as entradas nos sertões, no final do séc. XVII, e que viveram uma diáspora a seu tempo, como descreveram alguns relatos do Códice Costa Matoso. Outro tanto foi resultado da preagem das bandeiras, armadas pelos colonos e, muitas vezes, financiadas pelo Estado durante todo o período colonial. 
(RESENDE, Maria Leônia. Minas Gerais: as resistências indígenas no século do ouro. XXV Simpósio Nacional de História, Simpósio Temático 36: Os Índios na História, 13-17 de julho de 2009. P.6. Disponível na Internet: http://www.ifch.unicamp.br/ihb/Trabalhos/ST36MaLeonia.pdf . Acessado em 30 de abril de 2013).



[1] Interessante é que índios desta etnia também viviam na região de Santa Catarina. Em Minas Gerais o nome Carijó designava os índios que já vivia em contato com os paulistas. Ou seja: submetido e aculturado. Os Carijós eram índios que vieram com os paulistas ou que haviam sido aprisionados durante as excursões pelo sertão mineiro no século XVII.

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Além dos índios que acompanharam os paulistas nos primeiros anos, outros de diversas etnias saídos do Rio de Janeiro ou mesmo do nordeste vieram compor a população das vilas mineiras.[1]A partir da segunda metade do setecentos, com a decadência das áreas mineradoras, a região situada a leste das Minas onde a população indígena se refugiava foi objeto da cobiça dos colonizadores em busca de novas áreas para minerar ou mesmo para plantar e criar.[2]
Segundo o historiador Basílio Magalhães, em 1691, José Gomes de Oliveira encontrou ouro na região de Itaverava ao seguir as orientações deixadas pelo sertanista Bento Fernandes Furtado de Mendonça. Em 1694, o sertanista Bartolomeu Bueno de Siqueira também alcançou os sertões de Itaverava.
Antonil informa que, os primeiros descobertos do cobiçado minério ocorreram por intermédio de Duarte Nunes que levou a notícia a São Paulo. Em função desses relatos surgiu em 1694 a grande Bandeira liderada pelos paulistas: Manoel de Camargo, Bartolomeu Bueno de Siqueira, Miguel Garcia de Almeida e Cunha e João Lopes de Camargo.

Saíram estes do Povoado no verão de 1694, trazendo por seus primeiros cabos, Manoel de Camargo, seu cunhado Bartholomeu Bueno, seu genro Miguel d’Almeida, e João Lopes Camargo, seu sobrinho, que ainda hoje existe nestas Minas. Chegados a Itaberava fizeram na sua serra as suas primeiras experiências, e descobriram nela o primeiro ouro; mas como este descobrimento não fosse de grande lucro, prosseguiu o dito Manoel Camargo, com seu filho Sebastião de Camargo, a sua primeira derrota da ideada casa da casca[3]. (NOTÍCIA – 3ª prática – Que dá ao R. P. Diogo Soares, o mestre de campo José Rabello Perdigão sobre os primeiros descobrimentos das Minas Gerais do Ouro, p. 172).
Seguiram-se logo depois, as grandes levas de aventureiros que deram origem aos arraiais de Ouro Branco, Catas Altas, Guarapiranga e o arraial dos Carijós, futuro município de Conselheiro Lafaiete.
O Fluxo migratório para as terras da Capitania das Minas Gerais é fato sem parelha na história da colonização moderna. Trata-se de expressivo exemplo de ocupação espacial acelerada e assistemática, isto é, feita ao sabor dos locais onde se deram os achados do ouro, ao sabor da mineração, sem que o homem pudesse optar. O chão foi que determinou a fixação humana. (BOCHI, Caio César. Os Leigos e o Poder (irmandades Leigas e Política Colonizadora em Minas Gerais). São Paulo: Ática, 1986. p. 29).
 Onde não havia incidência de riquezas o povoamento deu-se um pouco mais tarde em função de atividades agropastoris voltadas principalmente para a subsistência e produção regional. Já nos primeiros anos do século XVIII o arraial dos Carijós estava consolidado, possuindo uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição vinculada à matriz de Furquim. Segundo a tradição corrente, os índios Carijós teriam ajudado na construção do templo do arraial, o que demostrava uma convivência relativamente amistosa. Esses índios ao longo das primeiras décadas do século XVIII desapareceram da localidade provavelmente devido a doenças, aculturação ou mesmo abandono das terras em busca de lugares onde pudessem sobreviver longe dos homens brancos.[4]

A antiga aldeia dos Carijós rapidamente se transformou num arraial de aventureiros de toda casta, predominantemente paulista, que foram os pioneiros das descobertas. (ENCICLOPÉDIA dos Municípios Brasileiros. Rio de Janeiro: IBGE, 1959. Vol. XXVI, p. 500, 501).




[1]Esses índios destribalizados eram denominados “Índios Coloniais”. (RESENDE, Maria Leônia chaves de. LANGFUR,Hal Langfur. Minas Gerais Indígena: a resistência dos índios nos sertões e nas vilas de El-Rei.p.18. Disponível na Internet.: http://www.scielo.br/pdf/tem/v12n23/v12n23a02.pdf. acessado em 13 de maio de 2013).
[2] “Coroado, Puri, Botocudo, Kamakã, Pataxó, Panhame, Maxakali, entre outros – encontraram-se, ao final, em minoria de armas e homens, atacados por doenças e deslocados geograficamente em face da diminuição da terra e dos recursos naturais.” (RESENDE, Maria Leônia Chaves de.. LANGFUR,Hal Langfur. Minas Gerais indígena: a resistência dos índios nos sertões e nas vilas de El-Rei.p.9. Disponível na Internet.: http://www.scielo.br/pdf/tem/v12n23/v12n23a02.pdf . Acessado em 13 de maio de 2013). Atualmente ainda existem no território mineiro os índios Krenak, Maxakali, Xacriabá, Aranã, Kaxixó. Mais tarde vieram para Minas Gerais os ídios Pataxós, Xukuru-Kariri e Pankararu.
[3] Casa da Casca seria uma paragem – aldeia de índios - situada no lugar denominado “Cuieté” onde se acreditava existir ouro de qualidade e em grande quantidade. Segundo José Joaquim da Rocha, esse lugar ficava “pouco distante do rio Doce que tem as suas vertentes na Serra de Vila Rica, com o nome de Córrego do Ouro Preto...” (ROCHA, 1995. p.78).
[4] O nome desses indígenas  teria ficado nos nomes do arraial de Catauá e também na fazenda situada hoje no município de Lagoa Dourada – Fazenda Engenho Velho dos Cataguá. O nome Catauá foi um dos nomes de Santana dos Montes adquirido por decreto lei n.º1.058 de trinta e um (31) de dezembro de 1943.Atualmente Catauá é o nome de um povoado do município de Lagoa Dourada.

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Em 1709, foi criada a freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre dos Carijós pelo bispo do Rio de Janeiro. Nessa época já existiam vários fazendeiros instalados na redondeza destacando-se dentre eles João da Silva da Costa, Amaro Ribeiro e Jerônimo Pimentel Salgado. A freguesia foi elevada a condição de “colativa” por alvará régio de dezenove (19) de janeiro de 1752.
Na segunda metade do século XVIII, os moradores de Campo Alegre dos Carijós solicitaram ao Govenador da Capitania de Minas Gerais, Visconde de Barbacena, a criação da Vila, justificando o pedido em função das distâncias em que se encontravam das vilas de São João Del Rey, São José Del Rey, Vila Rica e Mariana e devido à localização estratégica em que se encontravam entre as freguesias de Congonhas e Itaverava e por se situarem na Estrada Real que vinha do Rio de Janeiro. Há indícios de que conflitos jurídicos referentes à evasão de impostos e impunidades dos crimes devido à confusão dos limites de jurisdição das comarcas do Ribeirão do Carmo, Vila Rica e São José do Rio das Mortes tenham sensibilizado o Governador Visconde de Barbacena.[1] O pedido foi acatado em dezenove (19) de setembro de 1790 criando a Real Vila de Queluz:

Auto da criação da Real Villa de Queluz na Comarca do Rio das Mortes nesta Capitania de Minas Gerais – Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil setecentos e noventa, aos dezenove dias do mez de Setembro neste Arraial de Carijos Termo da Villa de São José Comarca do Rio das Mortes, casas onde se achava aposentado o Ilustrissimo, e Excellentissimo Senhor Visconde de Barbacena do Conselho de Sua Magestade Governador e Capitam General desta Capitania de Minas Gerais, sendo presentes o Doutor e Dezeçmbargador Luiz Antônio Branco Bernardes ouvidor Geral, e Corrigidor desta mesma Comarca e os principaes moradores das Freguezias de Nossa Senhora da Conseição de Carijos da de Congonhas do Campo e Santo Antônio de Itaverava que ali havião cocorrid; pelo referido Ilustrissimo, e Excellentissimo Senhor Visconde General foi dito que havendo lhe reprezentado os indicados moradores a considerável distancia de mais de quinze, vinte, e trinta legoas, que hião das suas respectivas habitaçoens as villas de São José São João de El Rey, Villa Rica, e Marianna a cujas justiças herão sujeitos sofrendo por este motivo notaveis incômodos  e prejuízos, nas suas dependências judiciais e até mesmo na arrecadação  e administração dos bens  e pessoas dos Orffãos a que não podia ocorrer se muitas vezes com abrevidade conveniente por causa da referida longitude, que do mesmo modo dificultava o pronto conhecimento, e castigo de muitos e graves delitos perpetrados naquelas distantes povoaçoens com grande detrimento da tranquilidade, e segurança publica; em cujos termos lhe suplicavão a ereção de huma nova villa, com Corpo de Camara, e Justiças competentes no Campo alegre de Carijos por ser o mais central das referidas Freguezias além de se achar situado na Estrada Real quem vem da Cidade o Rio de Janeiro para esta Minas Geraes, e Capitania de Goyaz; alegando para este mesmo efeito outros igualmente ponderozos motivos,  e exemplos, como tudo largamente consta do seu requerimento pelos ditos  assignado que vai por copia no fim deste; e tendo o mesmo Ilustrissimo e Excelentissimo Senhor condescendido com a mencionada suplica sibre que se tomarão, e precederão todas necessárias informaçoens, de que resultou verificar-se a conveniência, e necessidade que instava pela criação da sobre dita Villa pela milhor administração da Justiça, comodidade daquelles moradores, e mais pronto servisse de Sua magestade nos cazos ocorrentes: havia deliberado Criar como com efeito criava em Villa o mencionado Arrayal de Carijos o qual de hoje em diante se dominará – Real Villa de Queluz – ficnado assim desmembrada do Termo da de São José a que até agora pertencia o dito Arrayal, e extendendo-se o da mesma Villa Real novamente erecta, até confinar com a Comarca de Villa Rica, visto que interinamente se lhe não assigna e demarca outro mais amplo Termo como os Suplicantes requerem, sem perceder a Real aprovação de Sua Magestade, de cujo arbítrio fica também pendente o Roral, que a mesma Senhora for servida determinar-lhe: E havendo assim o dito ExcellentissimoSenhor por criada e erecta a referida Real Villa de Queluz, com a Posse de todos os Direitos, Previlegios, e mais prerogativas que pelas Leis do Reino lhe competirem assim e asseitarão os indicados moradores Nobreza, e povo dela e seu Termo protestando e jurando inalterável e firmíssima obediência, e sujeição as mesmas Leis como fieis Vassalos da Muita Alta e Poderoza Rainha Dona Maria primeira Nossa Senhora e Seus Augustos Successores, de que tudo para constar mandou lavrar este Auto de Criação que assignou com os referidos que presentes se achavão, e eu José Onorio de Valladares e Alboim Secretario do Governo a fis escrever e subscrevi – Visconde de Barbacena – Luiz Antônio Branco Bernardes de Carvalho – José Rodrigues da Costa. (SILVEIRA, Victor. Minas Geraes em 1925. Imprensa oficial de Minas Geraes. 1926. p.954,955).



[1] ENCICLOPÉDIA dos municípios. 1959, p. 502.

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A impressão de Auguste de Saint-Hilaire, sobre Queluz em 1817, é desanimadora:
Essa pequena vila, que faz parte da Comarca do Rio das Mortes, construída sobre uma crista elevada, seria bastante agradável se não fosse tão deserta; a rua que atravessa a estrada é larga e bem traçada, mas o mato aí cresce por todos os lados; casas bastante lindas nos pareciam estar abandonadas, e quase todas estavam mal conservadas e a ponto de cair em ruínas. (SAINT-HILARE, Auguste. Viagem pelas Províncias de Rio de Janeiro e Minas Gerais. Belo Horizonte, Ed. Itatiaia; São Paulo, Ed. D universidade de São Paulo,1975, P.65).
 No entanto, o Termo de Queluz possuía em 1820, uma população de doze mil novecentos e noventa (12.990) homens livres e oito mil e seiscentos e nove (8.609) escravos.[1] Nesta época, a vila de Queluz possuía cerca de seis mil cento e noventa pessoas.[2] Quatro anos depois, em três (3) de novembro de 1824, o bispo D. Frei José da Santíssima Trindade informava em sua visita pastoral à Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Vila de Queluz que:

A matriz desta freguesia acha-se em um planiço com suas casas de sobrado arruinadas e térreas quase desertas, que fazem a praça da vila. A igreja está no meio de um adro todo cercado e é fabricada de taipa com frontispício, com duas torres e relógio. É espaçosa e tem 5 altares, acha-se forrada e campada, e sem pintura o forro, os altares têm seus retábulos de meia talha pintados e dourados. Tem pia batismal de pedra e vasos dos santos óleos de prata. No sacrário tem duas ambulas com suas capas ricas, na sacristia 2 cálices, custódia para a exposição, relicário para os enfermos, turíbulo, naveta, caldeirinha, ornamentos festivos e diários com decência. Tem aplicados à matriz 1.511 e crismaram-se 1.440 pessoas. 
(TRINDADE, José da Santíssima, Dom Frei. Visitas Pastorais de Dom Frei José da Santíssima Trindade (1821-1825). Belo Horizonte: Centro de Estudos  Históricos e Culturais. Fundação João Pinheiro; Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, 1998. p. 251).

Treze anos depois - em 1837 - a vila possuía cento e quarenta e quatro (144) casas. O Termo da Vila de Queluz possuía duzentos e treze fogos (213) e mil e duzentas e sessenta e seis (1.266) almas.[3]
Na década seguinte Queluz se envolveu na Revolução Liberal de 1842, apoiando os liberais em oposição aos Conservadores do Rio de Janeiro.

Havia, nas duas províncias (São Paulo e Minas Gerais) a crença de que o governo centralista do Rio, dominado pelos conservadores, tornara-se “formalmente ditador” ao desencadear uma “violenta perseguição” contra as câmaras, arrogando-se atribuições policiais e judiciárias pertencentes às municipalidades. (HISTÓRIA da Vida Privada, 1997, Vol.2, p. 19).
Os representantes do governo central foram expulsos e as tropas legalistas foram derrotadas. No entanto, ao fim dos conflitos, venceram os conservadores do Império.
Em 1846, temos a seguinte descrição de Queluz que nos permite visualizar a vocação comercial e agrícola da região e alguns aspectos de sua geografia:

Empregão-se os seus habitantes nos tecidos de lã, algodão, colxas, toalhas, e na factura de sellins: cultivãoo milho, arroz, o feijão, a canna, algodão, café, tabaco, amendoim, batata, e outras raízes tuberosas. Os produtos, que não são consumidos no Paiz, se exportão para a Côrte do Império, e julga a Camara que o meio mais adequado para facilitar a exportação, elem das boas estradas, é a diminuição das taxas itinerárias, mas com esta segunda parte eu não concordo. O terreno he regular, isto he, nem he plano, nem muito montanhoso. Ao Oriente da Villa se veem férteis matas, e ao Occidente lindas campinas, matizadas de grandes e férteis capões.

Há todas as madeiras de lei. Nos campos prospera também o gado vacum, cavalar, muar, e lanígero das roças antigas.
Há abundancia de boas aguas, que são empregadas no uso de machinas. As febres, e hydropesias são as enfermidades, que mais grassão, e há um medico, e alguns curiosos, que soccorem aos enfermos. Acha se atrasada a instrucção primaria, mas existe hum collegio de vários ramos de instrucção no Arraial de Mattozinhos de Congonhas do Campo, para onde afluem alunos de todas as partes, e tem aproveitamento. (...).
(Fala dirigida à Assembleia Legislativa Provincial de Minas Gerais na sessão ordinária do ano de 1846, pelo Presidente da Província Quinteliano José da Silva. p. 26 a 28).
Segundo o viajante suíço, Barão Johann Jakob Von Tschudi, em 1858 a vila de Queluz possuía cerca de mil e duzentas (1.200) almas. A igreja matriz, nesta época, se encontrava em reforma e estava sendo pintada de branco.[4] Quatro anos depois, em 1862, a freguesia de Queluz contava com seis mil (6.000) habitantes.[5]
 A elevação à cidade ocorreu pela lei n.º1.276 de dois (2) de janeiro de 1866, com a denominação de Vila de Queluz. No fim dos anos setenta do século XIX, a cidade foi apresentada como em processo de superação de um período de estagnação:

Esta povoação esteve por muito tempo aniquilada, e sem desenvolvimento algum. Hoje, porém, o seu estado se não é muito prospero, pelo menos é mais lisonjeiro, e muito mais melhorará logo que ali toque a estrada de ferro de D. Pedro II.

A cidade hoje já apresenta mais vida, e animação, já se tem feito mais algumas casas sofríveis, além das que já tinha.
Tem três igrejas, porém a melhor e que mais sobresahe é a matriz, templo magnifico colocado no meio da praça.

Tem uma boa casa de câmara, e alguns sobrados bem vistosos. Tem também um excelente pessoal.
No município fabricão-se optimos tecidos de algodão e lã, que já forão premiados na exposição mineira, também fabricão-se as afamadas violas, conhecidas pelo nome de violas de Queluz: ali também fazem-se as muito conhecidas panellas de pedra, optimas para a cozinha, e de todos estes gêneros faz-se grande exportação.

Também há no município muitos fazendeiros bem importantes, a sua lavoura é grande, e cultiva-se toda a qualidade de cereais, porém a cultura mais forte e mais importante é a de canna e algum café nas fazendas da matta.

A População da cidade orça por 3,000 almas, e toa a do município toca a 37,297 almas. (SILVA, José Joaquim da. Tratado de Geographia Descriptiva Especial da Província de Minas Gerais. Juiz de Fora: Tip. Pharol, 1878. p. 123,124).
Em quatorze (14) de setembro de 1891, a Lei estadual n.º 2 confirmou a criação do distrito-sede do município de Queluz. Já no século XX, precisamente 1911, o município se compunha de doze distritos: Queluz, Glória, Redondo, Morro do Chapéu (futuro município de Santana dos Montes), Itaverava, Capela Nova das Dores, Carrapicho, Catas Altas da Noruega, Lamim, Santo Amaro, São Caetano do Paraopeba, Cristiano Otoni.[6] Nos anos vinte, o município aparece composto dos distritos de Queluz, Santo Amaro, Alto Maranhão (antigo Redondo), Santana do Morro do Chapéu (antigo Morro do Chapéu), Caranaíba, Lamim, Catas Altas da Noruega, Itaverava, Capela Nova das Dores, Cristiano Otoni, São Caetano do Paraopeba e São José do Carrapicho (antigo Carrapicho).
Em matéria do Jornal do Comércio de dezenove de março de 1911, temos as seguintes informações sobre o município de Queluz escritas por Arthur Loureiro:

- Queluz sede do município de mesmo nome, é uma pequena cidade, mas incontestavelmente umas das mais notáveis do Estado de Minas Geraes. Está situada às margens da Estrada de Ferro Central do Brasil, que, margeando o rio Bananeiras, divide-a em duas grandes povoações bem distinctas em as suas origens, mas que vem empolgadas por um só mesmo ideal: - o progresso local.

Bem no centro, comum a essas duas grandes povoações, está colocada a Estação Lafayette, que é, sem duvida, a mais movimentada de todas: já por se encontrar ali uma das mais importantes oficinas da Estrada de Ferro, já pela quebra de bitola e consequentes baldeações, já e principalmente pela sua fabulosa renda diária, devida ao grande e peculiar movimento comercial, agrícola, industrial e pastoril da respectiva zona.
D’ahi sahe também uma renda relativamente grande para o Estado de Minas; renda que, pelos dados estatísticos que colhemos do município, computamos na média de dois contos de réis diários. (SENNA, Nelson de. Annuário de Minas Geraes. Bello Horizonte: Imprensa Official de Minas Geraes, 1913. p. 692,693).
Nesta época - 1911/1913 - era grande o número de fazendeiros e pequenos agricultores que se dedicavam ao plantio de cereais, batata, mandioca e a criação de gado, aves e porcos. A produção de rapadura açúcar, aguardente, algodão e marmelos movimentavam a economia dos quarenta e cinco mil habitantes do município.[7]
Em 1923, pela Lei Estadual n.º 843, de sete (7) de setembro daquele ano, Queluz perdeu os distritos de Caranaíba e Capela Nova das Dores para o novo município de Carandaí. Essa mesma lei retirou parte do distrito de Lamim e de São José do Carrapicho para compor o município de Rio Espera.  A denominação atual – Conselheiro Lafaiete – somente ocorreu com a elevação à comarca, pela lei n.º 11.274, de vinte sete (27) de março de 1934.[8]
O município passou a denominar-se Conselheiro Lafaiete em homenagem ao jurisconsulto, político e estadista ministro do império, Conselheiro Lafaiete Rodrigues Pereira, nascido na cidade. Antes, o nome já designava a Estação Ferroviária da Central do Brasil, antiga D. Pedro II.[9] A estação foi inaugurada em quinze (15) de dezembro de 1883, com o nome de Queluz, recebendo mais tarde o nome de Conselheiro Lafaiete.[10]



[1] CUNHA MATOS, 1979, v..2,131.
[2] ARAUJO, José de Souza Azevedo Pizarro e. Memórias Históricas do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1948. T. II, V. 8, p.168.
[3] CUNHA MATOS, Raimundo José da. Corografia Histórica da Província de Minas Gerais (1837). Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1979. Vol.2, p. 131. Vol. 1. p. 83.

[4] TSCHUDI, Johann JakobVon. Viagens através da América do Sul. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, Centro de Estudos Históricos e Culturais. P.312.
[5] HALFELD, H.G.F. A Província Brasileira de Minas Gerais/ H.G.F. Halfeld e J.J von Tschudi, Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro: Centro de Estudos Históricos e Culturais, 1998. P. 141.
[6] Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Rio de Janeiro: IBGE, 1959, Vol. 27, p. 503.
[7] SENNA, 1913, p. 695, 696.
[8] BARBOSA, Waldemar de Almeida. Dicionário Histórico-Geográfico de Minas Gerais. Belo Horizonte: 1971. p. 136 a 139.
[9]  Em nove (9) de maio de 1855, pelo decreto nº 1.598 o governo imperial anunciou o contrato de construção da estrada de ferro d. Pedro II, que teria como finalidade unir a província do rio de janeiro com a de são Paulo. Os trabalhos foram iniciados em onze (11) de junho daquele ano. em vinte e nove (29) de março de 1858 foi inaugurado o tráfego na 1ª seção da linha. Os primeiros trilhos na província de minas gerais foram inaugurados em primeiro (1º) de maio de 1869, com a presença dos ministros da marinha e da agricultura. Até Queluz, atual Conselheiro Lafaiete, foi utilizada a bitola larga. A partir desta localidade as linhas foram construídas em bitola métrica prosseguindo para Miguel Burnier, Sabará, General Carneiro, ganhando o Rio São Francisco.
[10] Disponível na internet em: http://www.estacoesferroviarias.com.br/efcb_mg_linhacentro/conslafaiete.htm . Acessado em 5de fevereiro de 2013.

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Nos anos vinte do século XX o município se destacava na indústria de laticínios, serrarias, cerâmicas, fábrica de tintas e de ladrilhos e ferro guza. Possuía ainda fábricas de camisa, calçados e até mesmo de violões, violas e bandolins. Nessa época, a mineração de manganês começava a despontar.
Entre os anos 1936/37, o município de Conselheiro Lafaiete compunha-se dos distritos de Conselheiro Lafaiete, Alto Maranhão, Santo Amaro, Casa Grande, Morro do Chapéu, Catas altas da Noruega, Itaverava, Lamim, Cristiano Otoni e Congonhas do Campo. Pelo Decreto-lei estadual n.º 1 058, de trinta e um de dezembro de 1943, o município era formado pelo distrito sede e os distritos de Catas Altas da Noruega, Cristiano Otoni, Itaverava, Queluzito (antigo Santo Amaro) e Catauá, antigo Morro do Chapéu.[1] Em 1948, a lei n.º 336 de dezessete (17) de dezembro, mudou a denominação do distrito de Catauá para Santana dos Montes.[2]

Em 1950, o município de Conselheiro Lafaiete possuia seis (6) distritos: Conselheiro Lafaiete, Catas Altas da Noruega, Cristiano Otoni, Itaverava, Queluzita e Santana dos Montes. Em dezembro de 1953, uma nova reformulação administrativa criou os distritos de Buarque de Macedo e Joselândia. Pela Lei Estadual n.º 2.764 de trinta (30) de dezembro de 1962, seis (6) dos seus distritos são transformados em municípios, dentre eles Santana dos Montes. Atualmente o município de Conselheiro Lafaiete é constituido do distrito-sede e Buarque de Macedo. [3]

Conselheiro Lafaiete é passagem obrigatória para muitos dos turistas que se dirigem todos os anos a Ouro Preto (Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade - Unesco) e Mariana (a primeira capital de Minas). Visitá-la é como cavalgar com os tropeiros, se introduzindo naquele espírito dourado, numa época em que todos os caminhos levavam à Vila Rica (atual Ouro Preto), antiga capital da província.(RESENDE, Marcelo JB. Conselheiro Lafaiete – Campo Alegre dos Carijós. Disponível na Internet: http://www.idasbrasil.com.br/idasbrasil/cidades/lafaiete/port/apresent.asp. Acessado em 14 de maio de 2013).




[1] Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Rio de Janeiro: IBGE, 1959. Vol. 27, p. 503.
[2] Santana do Morro do Chapéu passou em 1923 para Morro do Chapéu e para Catauá em 1943. Em 1948, adquiriu o nome atual: Santana dos Montes, pela lei n.º 336. Fonte: Barbosa, 1971 p.437.
 Acessado em vinte e dois de janeiro de 2013.