PROTEUS EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

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BLOG VOLTADO PARA A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL - 16 ANOS NO AR

quarta-feira, 19 de abril de 2017

PAISAGEM CULTURAL

PAISAGEM:

“Subi a todas as serras e calcorreei todos os vales desta pátria” (1959, p.11), para Torga a paisagem é o espaço dos encontros mas também o abrigo terapêutico da solidão, do eremita que ali se refugia, mais alto, para ler o horizonte, para melhor se conhecer a si próprio. Isto porque só pode refletir a paisagem quem a viu e pisou, só depois da vivência pessoal, de lá se ter estado, se entende a mensagem que cada pedaço da superfície terrestre veicula. Para Torga, a observação é o que cada um vê no espaço geográfico, a resultante de escolhas seletivas, como se olhássemos para isto e não para aquilo, hierarquizando elementos, valorizando uns, escondendo outros, tudo orientado por um trabalho cognitivo que nem sempre descobre o essencial e leva às melhores perspectivas de análise.
É através da paisagem que se regressa ao ponto de partida, à origem ou, nas palavras de Torga, à nascente, marca geográfica que condiciona a identidade de cada um. É pela paisagem que se reconhece o que está longe, não nos é familiar e por vezes se procura num ato turístico que acrescenta lugares ao mapa mental de cada um. É esta paisagem que inscreve as ruínas que nos ligam ao passado das civilizações. É esta espacialidade que denota o dinamismo dos lugares, a sua pujança ou decadência, como a Bruxelas que Torga visitou e na qual sentiu já terem passado os gloriosos dias que se revelam no requinte da Grand Place. Para o escritor, a paisagem é isso mesmo, lugar de extase mas também de angústia pelo que se pode perder, pela capital belga que já não era a mesma mas também pelo Douro que se via emparedado em empreendimentos hidráulicos - um espaço geográfico que as barragens iam alterando sem se saber, assim o vai confessando Torga, qual o sentido da mudança, se esta iria ou não respeitar a identidade telúrica daquela região portuguesa.
FONTE:
PAISAGEM CULTURAL: DE UM ESPAÇO DE RETERRITORIALIZAÇÃO A UM RECURSO TURÍSTICO João Luís Fernandes Departamento de Geografia da Universidade de Coimbra Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT) jfernandes@fl.uc.pt, p.270.


SOBRE PAISAGEM 

“As paisagens são fenômenos de cultura, portanto a sua autonomia é sempre relativa. Elas são o que significam. O humano, neste caso, é a paisagem, porque ela não existe antes da significação: ao compartilharmos o mundo com os outros, somos a paisagem, na medida em que configuramos as mesmas, no sentido de figurar junto e de conformá-la de acordo com os anseios e desígnios da sociedade à qual pertencemos. (...).
Numa paisagem patrimonial, convergem a imaterialidade e a materialidade das coisas (a aura/ o mana das coisas associados à materialidade mesma do objeto/artefato), uma vez que reflete as sutilezas dos arranjos sócio-culturais imersas na experiência de viver o lugar de pertencimento ao logo do tempo, relacionada ao gesto técnico (LEROI-GOURHAN, 1965) de conformação do mesmo, bem como nos usos e sentidos atribuídos a eles pelos grupos sociais que o concebem como um elemento paisagístico – o sítio, o museu, o parque – representativo da forma de ser ou das expressões culturais que identificam a pertença a determinada nação – daí ser a paisagem patrimonializável”.  
(SILVEIRA, Flávio Leonel Abreu, BEZERRA, Márcia. Educação Patrimonial: Perspectivas e Dilemas, sd,  p. 91).

terça-feira, 21 de março de 2017

PATRIMÔNIO CULTURAL E AS COMUNIDADES

  O OUTRO 

Autor: Carlos Henrique Rangel


Vivendo em grupo por necessidade e sobrevivência, o ser humano cedo necessitou de símbolos códigos para se fazer entender e compreender o seu mundo e os seus iguais. Essa necessidade do outro e a convivência com este só foi possível através de um consenso coletivo para se entenderem em relação a tudo. Desde as pequenas como a nominação de um objeto, às regras de convivência. 

Se esse consenso se deu através de lideres carismáticos ou autoritários, ou mesmo de forma democrática, essa não é a questão. O fato é que o consenso existiu para que fosse possível a convivência em grupo e a adaptação a um espaço determinado. 

A identidade desse grupo será definida pelo consenso. Pela crença em valores assimilados por todos ou pelo menos a maioria dos membros do grupo. Os que não aceitam as regras do grupo são excluídos e se tornam os “outros”. 

Também esses, denominados “outros” são necessários para a formação da identidade do grupo e a consolidação de suas crenças, costumes e ideais. A identidade de um ser ou de um grupo é definida pela contraposição à identidade de outro. O outro indivíduo, grupo ou comunidade ou nação será sempre a referência até mesmo para o fortalecimento da identidade.

Ao mesmo tempo, uma comunidade por mais homogênea que seja sempre terá grupos discordantes – “os outros” que também possuem identidade própria, cultura própria, mesmo que identificados de uma forma geral com o grupo dominante. 

Essa minoria dentro de uma comunidade maior ainda assim é parte desta e merecem respeito quanto a sua memória, identidade e suas produções culturais. 

O outro que me acompanha e que produz cultura comigo, o que permite a diversidade cultural merece ser reconhecido, respeitado e valorizado como parte do grupo maior.

Numa sociedade consensual a diversidade deve ser o consenso para que a o grupo se renove culturalmente e sobreviva com a autoestima valorizada e fortalecida.

Esse outro também ele é parte do grupo e mesmo o outro culturalmente diferente, aquele de outro grupo/nação, também esse merece respeito. Ser diferente não é ser pior ou melhor. 

É apenas diferente. Outra forma de ser e de se relacionar com o mundo e seus lugares.
O outro é o meu céu e meu inferno. É o meu contraponto.
O outro sou eu diferente.







quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

HUMANIDADE E CULTURA...

Ser humano é produzir coisas e cultura sempre com o coletivo. Carregamos nossos ancestrais em cada parte do nosso corpo e principalmente na nossa memória, onde está evidente o que eles foram e fizeram e que nos foram passadas pelo grupo. 
Cada ser humano importa a todos. (PROTEUS).

(Carlos Henrique Rangel).



terça-feira, 21 de fevereiro de 2017