PROTEUS EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

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quinta-feira, 17 de junho de 2010

LEMBRANÇAS II

LEMBRANÇAS II
Autor: Carlos Henrique Rangel

Eu preciso lembrar...
Lembrar é a minha natureza...
O que sou
Depende da minha lembrança.
Tudo o que passou
Eu lembro ou tento.
E algumas coisas
Que não lembro,
Coisas me fazem lembrar.
É isso que sou:
Um poço de lembranças
Do que quero lembrar.
Do que quero esquecer.
Minha lembrança me trai
Muitas vezes.
Mente para mim.
Mas é para o meu bem.
Eu sei...
Eu preciso lembrar
Para ser.
Lembrar é a minha natureza.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

IDENTIDADE

IDENTIDADE - O QUE SOU?
Autor: Carlos Henrique Rangel

Esse planeta em que vivemos é formado de coisas e seres.
Estamos aqui e sabemos que fazemos parte da humanidade.
A nossa identidade é construída todo dia e, no entanto, antes que fossemos ela já existia.
O embrião de parte do que sou já existia em meus antepassados.
Essa construção diária do que sou sofre influências também do meio onde vivo.
O que sou está no passado, no presente e nos espaços físicos que me rodeiam.
Sou influenciado pelos lugares e pelos outros seres humanos.
O que sou eu aprendi e construí com os meus e guardo em minha memória.
Devo aprender sempre e também transmitir, ensinar para que outros possam lembrar.
No entanto, teimo em esquecer por que infelizmente não lembro de tudo.
Para não esquecer eu guardo o que pode me fazer lembrar.
Posso escrever, posso documentar e posso incorporar valores e lembranças às coisas para que elas me façam lembrar.
Então, se quero lembrar quem sou preciso preservar esses suportes/guardiões da memória para continuar sendo sempre.
Só preservo o que sei, o que conheço e me importa.
Importo-me com meu presente e com o meu futuro.
Minha identidade é a minha fortaleza para entender o mundo.
Assim, essas coisas que são meus bens individuais e coletivos, me importam por que falam de mim e dos meus.
Não são eternas assim como eu também não o sou. Mas, se eu cuidar, conservar, preservar, divulgar poderão continuar transmitindo conhecimento quando eu não mais estiver.

Vejo os bens culturais com vitaminas da identidade e da cidadania.
Preciso destas vitaminas para continuar crescendo com dignidade.

sábado, 12 de junho de 2010

PATRIMÔNIO CULTURAL - CARTILHA

A CIDADE DO PRIMO MAURO
Autor: Carlos Henrique Rangel


O ônibus parou na rodoviária da pequena cidade e Paulo desceu meio sonolento.

Olhou ao redor e prosseguiu em linha reta em direção à rua que parecia ser a principal.

Logo na primeira esquina encontrou um grupo de pessoas que observava alguns homens trabalhando e resolveu se informar.

- Por favor, poderia me dar uma informação? – Perguntou a um rapaz que estava mais próximo.

- Claro, o que você deseja saber?

- Estou procurando a Rua das Flores.
- É a minha rua. Quem você está procurando? Conheço todo mundo que mora lá. – Disse o rapaz.

- Procuro Mauro Junqueira, meu primo.

- Que coincidência, o Maurinho é meu vizinho. Levo-te lá, mas espera só um instante, deixa eu ver eles colocarem aquela janela.

- O que está acontecendo? Estão demolindo esta casa velha? – Perguntou Paulo.

- Estão restaurando.

- Está muito ruinzinha, não seria mais fácil deixar cair?

- Não, esta casa é muito importante para nós.

- É muito velha, neste terreno poderiam construir um prédio que seria muito mais bonito e importante...

- Esta casa faz parte da nossa cultura.

- Cultura?

- É, foi construída pelo fundador da cidade e está cheia de histórias,lembranças e vivências. Nós não conseguimos imaginar a Rua Principal sem ela. É parte da nossa identidade... Nossa memória.

- Tudo bem, mas vocês vão colocar umas portas e janelas modernas, né?
- A obra não é uma reforma. É uma restauração.

- Não vejo a diferença...

- A restauração não muda nada, mantém as mesmas características da construção, até mesmo as janelas e portas.

- Interessante... Mas e depois de concluída, o que vai ser?

- Vai ser a sede do Bispado.

- Pensei que ia ser um centro cultural.

- Nós já temos um centro cultural que ocupa um outro casarão histórico.

- É, eu já notei que a sua cidade é cheia de casas antigas.

- Tentamos preservar nossa história e as casas construídas pelos nossos bisavós e seus avós. Assim conservamos nossas raízes, nosso elo com o passado, nossa origem, nossa identidade coletiva, ou seja, o que nos diferencia das outras cidades.

- Mas desse jeito como fica o progresso?

- Preservar o nosso patrimônio não impede o progresso. Os dois convivem até muito bem.

- Patrimônio?

- É, patrimônio cultural é a nossa herança deixada pelos antepassados, as festas tradicionais, o nosso modo de falar e agir, os monumentos, as imagens, os acervos Arquivísticos, as construções antigas como os casarões e as igrejas e até mesmo as construções mais recentes que têm uma importância pelo estilo e beleza e que também são nossos bens culturais.

- Interessante, mas o progresso...

- É, eu estava te dizendo: nestes casarões do nosso passado, moram famílias que possuem televisão, vídeo e até computadores. É claro que todas possuem banheiros modernos.

- Assim é diferente. Eu pensei que toda casa antiga era como um museu.

- Não são. Elas podem ter várias utilidades: moradia, clubes, associações... Contanto que não sejam alteradas. O nosso centro histórico é todo tombado e nem por isto deixou de ter vida.
- Tombado?

- É, o tombamento é um instrumento legal utilizado para proteger um bem cultural. Quando uma casa, ou uma imagem, documento ou praça é tombado, não pode ser destruído ou mesmo ser modificado sem autorização.

- Qualquer bem cultural pode ser tombado?

- Infelizmente não... Somente os bens culturais tangíveis como as casas, praças, imagens, documentos é que podem ser protegidos pelo instituto do tombamento. Mas os bens intangíveis, ou seja, os que não podemos pegar podem ser preservados através de incentivos e registros.

- É? Mas quem decide isto?

- Ah, existe o órgão federal, o IPHAN que protege aqueles bens culturais que são importantes para o país. No Estado existe o IEPHA, que preserva os bens que são importantes para todo o Estado de Minas Gerais e nos municípios existem os conselhos municipais do patrimônio cultural que tombam os bens de importância local. O nosso centro histórico é tombado por decisão do Conselho Municipal que é formado por representantes de associações, escolas, prefeitura, câmara, igreja etc.

- Esse Conselho decide tudo sozinho?

- Não, a equipe do Departamento de Patrimônio Cultural da Prefeitura faz um estudo para justificar a importância do bem cultural chamado “dossiê de tombamento”, que é encaminhado ao Conselho Municipal de Patrimônio Cultural para ser analisado.

- Departamento de Patrimônio Cultural?

- É... Aqui em nossa cidade existe um departamento que faz estudos sobre os bens culturais. Em outras cidades existem chefias de cultura ou coordenação de patrimônio, mas têm a mesma função. A equipe técnica normalmente formada por historiadores, arquitetos e restauradores, elabora o dossiê com todas as informações sobre o bem cultural que vai ser tombado e encaminha ao Conselho.

- Interessante...

- O Conselho, depois que analisa o dossiê e decide pelo tombamento, encaminha uma notificação ao proprietário que tem quinze dias para se manifestar contra ou a favor. Vencido o prazo, o prefeito publica a decisão através de decreto no jornal da cidade.

- Eu não concordaria...
- Se não concordar tem que justificar. Aí o Conselho em uma nova reunião, decide pela manutenção do tombamento ou não, dependendo do estudo da documentação do proprietário.
- Se fosse minha casa eu não ia concordar... Vê lá se vou concordar em ficar sem minha casa...

- Mas você não fica sem a casa. Ela continua sendo sua.

- Mas não posso mexer nela...

- Você não pode é destruir ou reformar sem a análise e autorização do Conselho...

- Nem vender ou alugar...

- Pode sim, pode vender e alugar.

- Assim é bem melhor... Mas manter uma casa desta é muito caro, não é ?

- É, mas a Prefeitura dá isenção de imposto predial e fornece técnicos para ajudar nas obras de restauração. Em nossa cidade, as empresas ajudam porque também fazem parte da comunidade e a comunidade é a principal responsável por este patrimônio.

- Interessante... Mas vem cá, como é que o Departamento de Patrimônio Cultural e o Conselho decidem o que é importante preservar?

- Primeiro é preciso conhecer, não é? A equipe técnica do Departamento de Patrimônio Cultural faz um inventário de tudo que é importante no município com a ajuda da comunidade. Levanta informações sobre os casarões, sobrados, fazendas, igrejas, imagens sacras, festas, arquivos, sítios naturais, sítios arqueológicos e espeleológicos... Estas informações coletadas sobre os bens são postas em fichas com fotos. Depois de analisadas e discutidas com a comunidade, os bens são selecionados para serem protegidos através do tombamento.

- É muito trabalho... Mas me diga uma coisa, só o tombamento não resolve, não é?

- É... Você tem razão, só o tombamento não resolve. O inventário auxilia na elaboração do Plano Diretor e na elaboração da Lei de Uso e Ocupação do Solo, que é constituída de um conjunto de leis e diretrizes para normatizar uma política de desenvolvimento urbano, garantindo assim um crescimento mais ordenado da cidade, o bem-estar da comunidade e é claro, preservando o patrimônio.

- Nossa! Esse tal de inventário acaba sendo um registro muito importante...

- É sim. Mas também é importante a participação de todos na preservação, no cuidado constante. A substituição de uma telha quebrada resolve problemas futuros que ficariam muito mais caros. Discutir a preservação do patrimônio nas escolas é outra solução porque assim estaríamos formando novas gerações com outra visão sobre a sua cidade e seu passado.
- Eu gostei disto... E tem as empresas, não é?

- Como eu disse, as empresas podem ajudar muito. Existem as leis de incentivos federal, estadual e municipal que diminuem os impostos das empresas que investem na restauração do patrimônio cultural.

- Que legal...

- As Prefeituras também podem ajudar porque a lei n. º 18.030 repassa mais recursos do ICMS Patrimônio Cultural.

- Não entendi...

- Existe uma lei estadual, a n.º 18.030, que define critérios para o repasse de recursos do ICMS para os municípios. Um dos critérios é a proteção do patrimônio cultural. O município que investe na preservação do seu acervo cultural recebe mais dinheiro. Quanto mais investe, mais recebe.

- Quer dizer que é vantagem para todo mundo?

- Para todo mundo. A preservação da memória, dos marcos do nosso passado, das nossas raízes que nos fazem ser o que somos, nos enche de orgulho, prazer e de dignidade.
- Olha... Como é mesmo o seu nome?

- João.

- Prazer... o meu é Paulo... A gente conversou sobre tanta coisa e nem tínhamos nos apresentado...

- É...

- Olha, é muito legal tudo isto, tenho que saber mais sobre este assunto.

- No Departamento de Patrimônio Cultural o pessoal vai te passar mais informações.

- Vou procurá–lo depois.

- Sabe, Paulo, a coisa é lenta, mas vale a pena. Hoje somos um povo muito mais feliz. A qualidade de vida de nossa cidade é muito boa.
- A sua cidade é muito bonita. Muito legal o que vocês estão fazendo. Quando voltar para minha terra vou discutir isto com os meus colegas de escola.

- Bem, agora vou te levar para a casa do Maurinho.

FIM



EXERCÍCIOS

1- Dê alguns exemplos de bens culturais do povo mineiro.
2- O que uma comunidade pode fazer para proteger o seu patrimônio cultural?
3- Quais os critérios básicos que definem a importância de um bem cultural?
4- Defina Inventário de Proteção ao Patrimônio Cultural. Qual a sua importância?
5- De que maneira o empresariado pode atuar na preservação e quais as vantagens que pode obter?
6- Quais os bens culturais que podem ser protegidos pelo instituto do tombamento?
Porque?
7- Qual o papel do Departamento de Patrimônio Cultural?
8- Quem pode solicitar o tombamento de um bem cultural?
9- Como se inicia um processo de tombamento?
10- Quem pode impugnar o tombamento e como isto pode ser feito?
11- Quais as vantagens do tombamento para a comunidade?
12- Paulo pensou que estavam reformando o Casarão. Diferencie reforma e restauração.
13- Como preservar as manifestações folclóricas de uma comunidade?
14- O que pode ser feito para preservar um bem cultural que se encontra abandonado e em franco processo de arruinamento?
15- Procure em sua casa objetos que você considera patrimônio de sua família para a montagem de uma exposição na sala de aula.
16- Faça uma pesquisa ilustrada com fotografias sobre um bem cultural justificando a sua importância para a sua cidade.
17- Defina: IPHAN - IEPHA - TOMBAMENTO - CULTURA - PATRIMÔNIO CULTURAL
18- Faça um inventário das casas mais antigas de sua rua ilustrando com fotografias e dados sobre sua história (construtor, época da construção, primeiros moradores, usos, etc.)
19- Faça uma entrevista com um parente mais velho sobre a sua vida na infância e adolescência: onde morava, onde estudava, se trabalhava, como brincava, lugares que freqüentava, músicas que ouvia, como se vestia.

terça-feira, 1 de junho de 2010

PASSADO

MEU PASSADO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Eu não culpo
Meu passado.
Nem ele
Transformou-se
Em culpa.
Eu sou
O que passou
Comigo
E com os meus.

Planejo a continuação
Em alicerces antigos.
Meu futuro
Eu construo agora
Com um olhar
Para trás.
Não há como
Não olhar...
Não serei nada
Se não olhar.

Meu suporte
É o que ficou.
E o que ficou
Me faz lembrar.
Eu não tenho
Culpas passadas.
Os erros,
Eu os corrijo agora.
O amanhã
Vai ser melhor...