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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

PATRIMÔNIO CULTURAL - CONCEITOS - TEXTOS

POLÍTICA DE PRESERVAÇÃO E DEMOCRACIA
Autor: Joaquim Falcão

(...)
" Apesar do que possam imaginar setores mais autocráticos da burocracia estatal, a preservação como prática da democracia não é um ideal utópico desvinculado da realidade. Ao contrário. É uma opção pragmática capaz de contribuir para o maior sucesso da política de preservação. Por pelo menos três boas razões:

a) Quanto maior a participação das populações, maior será o debate público em torno das políticas e da prática de preservação. Mais complexas, diversificadas e eventualmente até conflitantes serão as propostas e os pontos de vista sobre a preservação. A eventualidade da divergência é a essência da participação social ampliada. Não se deve temer de antemão a possibilidade da divergência e mesmo do conflito. Sobretudo se existirem regras para o equacionamento destas divergências e conflitos democráticos. Pois o debate público elevará, em seu conjunto, o nível cultural das populações. Proporcionando o ambiente culturalmente propício para transformar a questão do patrimônio histórico e artístico em questão nacional. O que é vital.

b) Quanto mais a questão da preservação se transformar em questão nacional, mais importância  terão as instituições públicas e privadas aí envolvidas. Único caminho capaz de reverter o tradicional desprezo orçamentário, que,  em geral, os governos têm pela questão cultural.  Único caminho das demandas de preservação, sejam das instituições oficiais sejam das populações, alcançarem maior peso político junto ao governo e a própria sociedade. Único caminho capaz de viabilizar a preservação como uma preservação de massa, e não apenas como preservação setorial ou da elite. Em país com a dimensão territorial e populacional , e a complexidade cultural do
Brasil ou a preservação do seu patrimônio histórico é apropriada pela cultura de massa, sobretudo a cultura popular, ou terá de se contentar em ser apenas os momentos de exemplaridade desprovidos de maior representatividade e sentido social. Momentos sozinhos.

c) Na medida em que o melhor guardião do patrimônio cultural é a própria população, as decisões autocráticas da burocracia estatal, ainda que técnica, estética e arquitetonicamente corretas, serão sempre efêmeras. Quanto maior a participação social, maior o senso de responsabilidade. Maior a eficácia da política de preservação. Maior sua temporalidade. É um esforço sincero, porém utópico, pretender que neste final de século a preservação - proteção, restauração e conservação - seja eficazmente obtida apenas com a atuação de instituições oficiais ou mesmo privadas. Sobretudo diante do permanente crescimento predatório de nossos grandes centros urbanos e da aceleração do sentido comercializável do bem cultural. Dificilmente se conserva uma custosa restauração de um edifício, ou mesmo se preserva uma cidade histórica, apenas pela voantade e força do príncipe burocrático-estatal  esclarecido. Preservação patrimonial não é ato unilateral. É ato de convivência:entre a burocracia estatal e as populações. De convivência democrática."
(...)" 
(FONTE: POLÍTICA DE PRESERVAÇÃO E DEMOCRACIA DE Joaquim Falcão. Revista doPatrimônio Histórico e Artístico Nacional - n.º20 1984 págs. 45 a 49.)

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