PROTEUS EDUCAÇÃO PATRIMONIAL 22 ANOS

PROTEUS EDUCAÇÃO PATRIMONIAL 22 ANOS

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL AS COMPETÊNCIAS NOS NÍVEIS: FEDERAL ESTADUAL E MUNICIPAL

 
A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL AS COMPETÊNCIAS NOS NÍVEIS FEDERAL ESTADUAL E MUNICIPAL
 
"A Constituição Federal de 5 de outubro de 1988 mudou essa já tradi­cional distribuição de competência. No art. 24, que trata da competência legislativa concorrente da União, Estados e Distrito Federal, foi expressa­mente incluída a matéria pertinente à proteção de patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico (inc. VII). Ressalta-se que os §§ 1º e 2º, do art. 24 rezam que, para as matérias dispostas nos seus incisos, a competência da União é de estabelecer as normas gerais, sem excluir a competência concorrente dos Estados. E os municípios? Poderão eles legis­lar sobre a matéria? Entendemos que sim, pois o art. 30, inc. II, dispõe:
Art. 30 – Compete aos Municípios:
(...)
II – suplementar a legislação federal e a estadual no que couber (...)
Outrossim, cabe também aos municípios a competência executiva co­mum relativa à proteção cultural, sendo certo que sua competência legisla­tiva é hoje supletiva à legislação federal e estadual, sobre o assunto16.
Art. 23 – É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:
(...)
III – proteger os documentos, as obras e outros bens de valor his­tórico, artístico e cultural, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos (...)
e ainda:
Art. 30 – Compete aos Municípios:
(...)
IX – promover a proteção do patrimônio histórico cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual.
Face a esta nova sistemática de distribuição de competência, pode-se afir­mar que os municípios, não obstante continuem a ter competência executiva para proteção de seus bens culturais, perderam a autonomia legislativa ampla que lhes era atribuída pelas Constituições anteriores, já que terão de observar as normas gerais para proteção, de âmbito federal, bem como as normas esta­duais sobre o assunto. Resta-lhes, portanto, observadas as normas referidas, suplementar a legislação no que lhes for especificamente local.
Assegurada, no campo constitucional, a distribuição de competências para dispor sobre proteção ao patrimônio cultural, importante indagar quais os limites da ação de cada um desses entes políticos. Olimite mais evidente, e sem qualquer questionamento, é o limite territorial de cada uma dessas entidades17. É princípio constitucional que cada um dos entes políticos dispõe unicamente no âmbito dos seus limites territoriais. Por mais evidente que possa parecer a questão, faz-se necessário acentuá-la, sobretudo com relação ao eventual interesse de Estados e Municípios de proteger bens móveis que, embora a eles estejam culturalmente vincula­dos, estão localizados fora de suas fronteiras. Neste caso será inconstitu­cional a ação de qualquer ente político fora de seus limites territoriais, pois somente no seu território é que a Constituição lhe garante os poderes polí­ticos próprios de entidade estatal. Consequentemente, conclui-se que só a União poderá proteger bens em qualquer parte do território nacional.
Outro limite que se pode inferir da norma constitucional é o grau de interesse em relação ao bem a ser protegido. Se os três entes políticos têm competência executiva concorrente para tombar, qual seria o limite desta competência? Parece-nos que, neste caso, a competência executiva concorrente impõe a necessidade de se avaliar o grau de interesse. Isto significa que a União terá competência para proteger bens que tiverem importância nacional; os Estados, bens que tiverem significado regional; e os Municípios, aqueles bens de interesse local. É evidente que, tendo um bem importância nacional, sua importância regional, ou local, é quase, automaticamente, decorrente. Esta lógica não implica, entretanto, o exer­cício necessariamente vinculado da competência de proteção daqueles ou­tros entes políticos. Eles a exercerão, na forma estabelecida em legislação pertinente que, de modo geral, atribui ao Poder Executivo a competência para fixar, por ato administrativo, os bens a serem protegidos. Para um determinado bem que tenha importância nacional, fica o bastante fácil demonstrar sua importância regional ou local; mas o inverso pode não ser verdadeiro. Há bens que têm importância exclusivamente regional ou local; nesta última hipótese, apenas o Estado, ou Município, terá interesse jurídico em protegê-los; um bem de importância apenas regional será pro­tegido pelo Estado-membro, refugindo à União o interesse da proteção18.
Essa questão vale ser bem esclarecida quanto ao seguinte aspecto: um determinado bem pode ter vinculação estreita à cultura de uma região ou de um local, isto é, ser característico de determinada área. Nem por esse motivo passa a ter significado nacional, porque a cultura de um País não é una, nem uniforme, mas uma composição, um soma­tório de culturas regionais ou locais, com elos de ligação comuns19. Oque diferenciamos na repartição de competência é a hipótese de um bem desprovido de importância nacional vir a ser protegido pela União unicamente para suprir a eventual omissão do Estado ou do Municí­pio; neste caso, entendemos não existir interesse jurídico para ação da União, por falta de amparo legal.
A Constituição Federal não é explícita quanto à especificação do grau de interesse. Ao dispor que cabe ao poder público a promoção e a proteção dos bens de interesse cultural, ela estabelece a concorrência da competência executiva. Esta competência concorrente deve ser compre­endida a partir da sistemática que deflui de outros princípios constitucio­nais. Parece-nos evidente que, se determinado bem não tem importância para a cultura nacional, falece à União competência para agir na sua proteção por falta de interesse jurídico. Consequentemente, esta pro­teção poderá estar na órbita do interesse do Estado, ou do Município. Por outro lado, nada obsta que ocorra uma ação conjunta dos três en­tes políticos. Esta pode acontecer se determinado bem tiver importância tanto para a União, como para o Estado e o Município.
Aí poderão agir todos os entes políticos, cada um per si, praticando os atos necessários à proteção do bem. Oato de proteção de qualquer deles não obsta o do outro ente político. Poderá haver dois ou mais atos de proteção – tantos quantos forem as competências correspondentes aos respectivos interesses jurídicos, e nenhum deles, em princípio, eliminará os efeitos do outro. É bem verdade que se os efeitos de cada ação forem diversos, mas compatíveis, incidirão todas as restrições, de modo que, cumprindo a mais restritiva, se cumpra as demais. Entretanto, se as determinações de cada um dos entes políticos forem diversas e incompatíveis entre si, aplicar-se-á o princípio do maior interesse, prevalecendo as exigências do ente federal sobre o estadual e, desse último, sobre o municipal20."(GRIFOS NOSSOS)
RABELLO , Sônia. O Estado na P r e s e r va ç ã o de Bens Culturais O Tombamento. P. 32 a 36. http://www.soniarabello.com.br/biblioteca/O__Estado__na_Preservacao_de_Bens_Culturais.pdf Acessado em 02 de dezembro de 2013.)
 
____________________________________________________
 
 
MINHA OPINIÃO
 
Acredito que um bem cultural para ser tombado e elevado a patrimônio cultural do Estado de Minas deve ter:
 
- Importância Histórica e cultural para uma região do Estado.

- Importância sentimental, e ou religiosa para uma região do Estado.

- Excepcional valor artístico para o Estado.

- Importância arquitetônica/arqueológica/espeliológica/paisagística/natural para uma região do Estado.
 _______________________________________________________________________
 
15 “Titulares dos direitos, pretensões, ações ou exceções que nascem do tombamento, bem como do direito e da pretensão a tombar bens que entrem nas categorias mencionadas no texto, são a União, o Estado-membro, o Distrito Federal e o Município em que se achem tais bens (...)
Mas pode o interesse na conservação e guarda ser mais especialmente para o Estado-membro, o Distrito Federal, ou o Município.” (Pontes de Miranda, Comentários à Constituição de 1967, vol. VI, p. 376)
(a)       “OPoder da União não exclui o dos Estados-membros e dos Municípios: a competência conferi­da ao serviço federal para o tombamento de bens não exclui a de serviços congêneres instituídos para o mesmo fim, pelos Estados e Municípios (Revista do Direito Administrativo, 120, p. 459).” (José Celso Mello Filho, op.cit., p. 539).
16 “A Constituição não situou os Municípios na competência comum do art. 24, mas lhes outorgou competência para suplementar a legislação federal e a estadual no que couber, o que vale possibilitar-lhes disporem especialmente sobre as matérias ali arroladas e aquelas a respeito das quais se reconheceu à União a normatividade geral.” (José Afonso da Silva, Curso de Direito Constitucional Positivo, p. 435)
 17 Neste sentido pronunciou-se Prudente de Moraes em voto no Conselho Consultivo do IPHAN, em 5 de setembro de 1977:“Nestes três níveis, ou âmbito de competência, entretanto, a pessoa jurídica de direito público interno que exerce jurisdição sobre a área em que o bem se localiza, tem irrecusável competência para tombá-la.” (Atas do Conselho Consultivo do IPHAN, Série Conselho Consultivo, Arquivo Central do IPHAN/Seção Rio de Janeiro).
18 “O princípio geral que norteia essa repartição de competência baseia-se na predominância do interesse, segundo o qual à União caberão aquelas matérias e questões de predominante interesse geral, nacional; ao passo que aos Estados hão de ser afetas as matérias e questões de predominante ou peculiar interesse regional. No Brasil, ainda há que considerar a posição do Município, ao qual a Constituição confere autonomia, especialmente no que concerne aos assuntos de peculiar interesse. (...) Acontece que, no Estado moderno, se torna cada vez mais problemático discernir o que é de interesse geral ou nacional do que seja de interesse regional ou local.” (José Afonso da Silva, Direito Positivo Brasileiro, 1976, p. 60)
19 “(...) deve-se ressaltar que o tombamento de um bem pela União, Estado ou Município não está ligado ao seu tamanho, mas à sua relevância nacional, questão esta de mérito administrativo. A auto­ridade pública federal, estadual ou municipal – investida de poderes específicos – apreciará e julgará a importância do tombamento que for proceder. Como conseqüência, não caberá a nenhuma das enti­dades políticas opor-se ao julgamento de mérito de outras.” (Sonia Rabello, Tombamento e proteção aos bens culturais) Ver, neste sentido, também o parecer de Paulo Francisco Rocha Lagoa, de 2 de janeiro de 1986 (Ofício 01/86 – CEJUR – Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro, p. 4).
 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL - EXERCÍCIO - INVENTÁRIO


Elaboração de inventário do acervo cultural da cidade

Matéria: HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Público-alvo: alunos do ensino fundamental e ensino médio.

Descrição: Compor uma exposição, a ser realizada através das seguintes etapas:

- Fazer um levantamento/inventário referente aos bens culturais do bairro/cidade, contendo informações históricas (construtor, época da construção, primeiros moradores, usos etc.) e fotografias.

- Usar uma planta cadastral recente da cidade ou localidade.

- Usando a cópia da planta cadastral da cidade/bairro, montar um painel para que os alunos colem as fotografias dos bens culturais mais expressivos na quadra ou região onde se localiza.

- Montar um mapa (planta cadastral) localizando os principais problemas da cidade.

OS TRABALHOS SERÃO EXPOSTOS NA SEMANA DO PATRIMÔNIO CULTURAL

                              FICHA DE INVENTÁRIO
Município: ___________________________________
Distrito: _______________________________________
Bem cultural: (a casa que você está visitando)_____________________________________
Propriedade: (quem é o dono atual?)____________________________________________
Responsável: (quem é a pessoa que toma conta da casa) ___________________________________
Histórico:
- Quem construiu e quando construiu?
______________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
 
- Quem foram os donos? Quando e como adquiriram a casa?
 ______________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
- Obras e datas que ocorreram e quem fez:
 _____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
 
Descrição:
- Qual o estilo arquitetônico do imóvel?
______________________________________________________________________________________
- Quantos pavimentos (andares) têm?
______________________________________________________________________________________
- Qual a cor das fachadas?
______________________________________________________________________________________
- De que material é feita?(marque com um “X”) É de:
____ adobe     ____ tijolos     ____ pau-a-pique      ____ outro material (qual?)
 
- Foi construída junto à divisa do lote ou está recuada?
- Tem (marque um ”X”): ____ Horta         ____ Pomar          ____ Jardim
 
- Tem varanda? _____ Sim   _____Não   - Tem Garagem:  ____ Sim       ____ Não
- Como é o telhado? Descreva:__________________________________________________________________________________________________________________________________________________
                              
- Quantos cômodos tem? __________ Quantas janelas possui? _________________________
 
- Como é o piso:
Da sala: _____________________________________________________________
Da cozinha: __________________________________________________________
Da copa: ____________________________________________________________
Do banheiro: _________________________________________________________
Dos quartos: _________________________________________________________
 
Uso Atual (marque um “X”):
___ __Residência    ___ Comércio    ____ Religioso    ____ Sede de alguma entidade (Qual?): _____________________________________________________________________________________________________________________________________

Como são as casas vizinhas? Quantos pavimentos? quais os usos?
Casa da Esquerda:
____ Residência _____ Comercio _____ Religioso _____ Sede de alguma entidade/empresa: Qual?_____

Casa da Direita:

_____ Residência   ______ Comércio  ______ Religioso  ______ Sede de alguma entidade/empresa: Qual ?__________

Proteção Legal: É tombada?     ___ Sim     ____ Não
(Marque X na alternativa correta:    ___ Pelo Município     ___ Pelo IEPHA    ___ Pelo IPHAN)
 
Estado de Conservação: (Está bem conservada? Apresenta problemas?)
 ___ Bom       ____ Regular        ___ Ruim
Por quê? ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
 
Desenhe ou Fotografe o Bem Cultural:
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências Documentais / Entrevistas:
(Que documentos você usou para fazer a pesquisa?
Quem você entrevistou? Nome completo e a data em que fez a entrevista)
Fotógrafo desenhista:                                                                           Data:
Levantamento:                                                                                      Data:
Elaboração:                                                                                           Data:
Revisão:                                                                                                Data:

ATIVIDADE DE EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

(Trabalho em grupo em sala de aula. Logo após, deve ser debatido)

Nome dos Alunos : ____________________________________________________

__________________________________________________________________________________________________________________________________________

QUAIS AS QUALIDADES QUE UM BEM TEM QUE TER PARA SER RECONHECIDO COM PATRIMÔNIO CULTURAL DE SEU MUNICÍPIO?

Numere por ordem de importância

___ Valor Histórico

Por quê?: __________________________________

 

___ É público.

Por quê?:________________________________

___ Valor Artístico.

Por quê?_______________________________

___ Ser importante para você.

Por quê_______________________________

___ Importante para a rua.

Por quê?____________________________

___Importante para a família.

Por quê?___________________________

___Valor arquitetônico.

Por quê___________________________

___ Está correndo risco.

Por quê?_________________________

___ Tem uso.

Por quê?__________________________

___ Não tem uso;

Por quê? _________________________

___ Tem valor sentimental.

Por quê?_________________________

___ É bonito.

Por quê?__________________________

___ Tem valor econômico.

Por quê_________________________

 

FAZENDA FONTE LIMPA


Fazenda Fonte Limpa




Figura 17: Fazenda Fonte Limpa em Santana dos Montes – Acervo: IEPHA/MG.

 

 

"Situada no município de Santana dos Montes, a 120 km de Belo Horizonte, a fazenda Fonte Limpa é um típico estabelecimento rural de meados do século XVIII. A primeira informação referente à fazenda de que temos notícia, trata-se de uma cópia de registro de terras de João Nogueira Coelho, datado de 30 de setembro de 1838, em que afirma ser comprador juntamente com sua esposa, Maria Theodora de Jesus, da “fazenda” que foi de D. Maria Luduvina e Demicianno Moreira, no curato de Santana do Morro do Chapéu atual Santana dos Montes. Outro documento, o Registro Paroquial datado de 9 de março de 1856, informa que João Nogueira Coelho , possuía na fazenda Fonte Limpa , oitenta alqueires de terras de cultura “confrontando com terras de Dona Theodora, Francisco José Teixeira, Dona Josefa e filhos e com o Capitão Antônio Vieira da Silva...”. Além destas terras, João Nogueira era proprietário de 18 alqueires na fazenda da Chácara e 30 alqueires na fazenda Serra Lagoa, caracterizando-se como importante fazendeiro regional.

O filho e herdeiro do casal, o Tenente Coronel João Antônio Nogueira Coelho, equipou a fazenda Fonte Limpa com um engenho de cana-de-açúcar, elevando-a ao mais importante estabelecimento agrícola do Distrito de Santana do Morro do Chapéu, graças a sua “elegância, decoração e asseio”. Político atuante o Tenente Coronel João Antônio exerceu os cargos de Juiz de Paz nas décadas de 1860/70 e vereador da primeira Câmara Municipal de Queluz. Quando faleceu em 1908, deixou à sua esposa, D. Joaquina Augusta Nogueira de Almeida, a sede da fazenda Fonte Limpa com casas de vivenda benfeitorias, casas de colonos, engenho de cana-de-açúcar, armazém, moinho, fábrica de manteiga, terras de cultura de café e pasto além de porcos e vacas.

Segundo Nelson de Senna, em 1913 a fazenda continuava como principal estabelecimento rural do distrito de Santana do Morro do Chapéu.

 Na década de 30, a fazenda era dirigida por um dos filhos de D. Joaquina Augusta, Coronel Joaquim Nogueira de Almeida, importante empreendedor que construiu a primeira via para automóveis de Queluz, atual Conselheiro Lafaiete, ligando a sede do município a Rio Espera. A partir de 1937, a administração da fazenda passou a seu irmão, Roberto Mendonça Nogueira.

Em visita à fazenda em 1944, Luiz Tavares da Costa deixou as seguintes impressões:

“Em 1944, visitei esta fazenda, já sob a administração de um Bisneto do primitivo dono, Roberto Mendonça Nogueira, engenheiro agrônomo, e lá tive oportunidade de ver fabricar aguardente em grande escala, um gado altamente selecionado das raças Holandesa e Gersey ganhando os melhores prêmios nas exposições realizadas em 1938 e 1941 em Belo Horizonte, sobre raça e leite. Tendo me apresentado a coleção de taças por ele recebido. Havia  um controle rigoroso na ordenha das vacas, que eram distribuídas em sete currais , em pastos separados na fazenda, cada um com capacidade para catorze vacas. O leiteiro tirando leite e o auxiliar anotando em ficha própria o peso do leite  de cada vaca. As fichas com os dados anotados eram levadas ao escritório da fazenda para avaliação diária. Além do leite de sua fazenda, também comprava-se o leite de outros fazendeiros vizinhos para fabrico de queijo do Reino, sendo a fábrica na própria fazenda e em pleno funcionamento primando pela boa qualidade e apresentação do produto. Existia um aviário com três mil galinhas poedeiras da raça Legorne e criação de pintos, pelo sistema de chocadeira. A produção da fazenda era transportada por caminhões, que levavam para o mercado aguardente, queijos, ovos e capados, de lá trazendo ração concentrada para aves e suínos . Na fazenda havia cavalos ingleses da remonta de Lafaiete. Atualmente a fazenda da Fonte Limpa esta dividida entre Roberto e seus irmãos”.

Segundo Rodrigo Vasconcelos Nogueira, atual administrador da fazenda, os irmãos Joaquim e Roberto haviam adquirido as partes das terras dos outros herdeiros. Roberto Mendonça substituindo Joaquim administrou fazenda de 1937 a 1967, data de seu falecimento. De 1967 a 1989 a sede ficou abandonada entrando em processo de arruinamento. A partir de 1989 os filhos de Joaquim e Roberto negociaram a divisão da fazenda. Caio, filho de Joaquim ficou Com a sede pela qual ofereceu terras a Ronaldo, filho de Roberto.

Por ironia do destino, no mesmo ano do acordo os dois faleceram, mas o trato foi mantido pelos herdeiros, ficando a sede com Rodrigo Nogueira, (filho de Caio) que, no entanto depende do formal de partilha para ser proprietário de direito.

Rodrigo Nogueira empreendeu a restauração da fazenda em 1993, com orientação do arquiteto Marcos Rennó, recuperando as feições originais da sede, construindo a hospedaria, piscina, sauna quadra de peteca, museu, restaurante e boate. Todo esse complexo foi transformado no primeiro Parador Nacional de Minas Gerais, uma hospedaria voltada para a cultura, folclore, artesanato e culinária mineira. Em 1996, o Dr. Rodrigo de Vasconcelos Nogueira solicitou o tombamento de todo o conjunto em função de sua importância histórica e arquitetônica."

 Texto: IEPHA/MG. Processo de Avaliação para Tombamento da Fazenda Fonte Limpa. Histórico da Fazenda Fonte Limpa. Belo Horizonte: IEPHA/MG. junho de 1998.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

TEXTO - EDUCAÇÃO PATRIMONIAL - O SER


O SER

Autor; Carlos Henrique Rangel

 

Onde tem gente tem cultura transplantada, recriada, reconstruída, adaptada, inovada e novamente criada.


Onde tem cultura tem bens culturais: materiais e imateriais produzidos pelo Homem para viver e sobreviver no mundo que o cerca.


Todo lugar de Homem... De muitos Homens produz cultura.


O Ser é fruto  e construção  de outros seres.

 
Somatória, complemento, continuidade.


Cada Ser Humano carrega em si o seu mundo e para onde for, onde estiver, sua família, sua rua, sua igreja, sua praça, seu bairro, sua crença, sua terra, lá estarão.


Cada ser humano carrega em si o seu mundo e sua cultura e é direta e indiretamente transmissor, reprodutor, inovador e criador de cultura.

 
Cada Ser é um representante vivo de sua cultura. Do seu Patrimônio.


Cada Ser Humano é um ser plural. O produto de uma cultura diversa e rica. De um modo de ser, fazer e viver.

 
Cada Ser importa.

 
O que o Homem é está no passado, no presente e nos espaços que o rodeiam.

 
O Homem é influenciado pelos lugares e pelos outros seres humanos. O que ele é aprendeu e construiu com os outros e guarda em sua memória e em suportes.

 
É por isso que o Homem guarda coisas. As coisas falam. Fazem com que se lembre do que aconteceu no passado e que precisa para continuar.

 
Alguns “bens”, falam só para um indivíduo ou para a sua família.

Falam de coisas que vivenciou e de coisas e seres que quer lembrar.


Há outros bens que falam para o grupo/comunidade/nação e transmitem o conhecimento que necessitam para que possam sobreviver com dignidade e autoestima.


Esses são os “bens culturais”, produtos do processo cultural de um grupo e que são importantes não por serem históricos artísticos ou arquitetonicamente únicos, mas por que são essencialmente suportes da memória do Homem.

 
O valor de um bem cultural está nessa capacidade de “falar” ao grupo tanto coletivamente como individualmente. Está impregnado de lembranças e dá sentido ao grupo e o diferencia de um outro grupo.

 
Esse bem só terá sentido para um grupo se for um suporte vivo de lembranças.

Esse bem precisa estar vivo no cotidiano do grupo para realmente falar a esse grupo.

 
Preservar os bens culturais materiais e ou imateriais de um grupo é manter a identidade deste grupo garantindo a sua continuidade. Mas isso só será possível se esse grupo continuar a “ouvir as vozes” dos bens culturais.

 
Ninguém nasce sabendo cultura e sempre será necessário ensinar o respeito às coisas que falam para podermos ouvir. É preciso romper a miopia cultural e aprende a escutar o que os lugares e os suportes da memória têm a dizer.

 
Só respeito o que conheço. Só preservo o que significa algo. Só protejo o que é caro à minha memória e sobrevivência.


 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL - EXERCÍCIOS

 
EXERCÍCIOS DE EDUCAÇÃO PATRIMONIAL
 
 


 


 


 
 
Reconhecendo a cidade

(trabalho em grupo, apresentação em sala de aula)

Descrição: Realizar trabalho de pesquisa visando ao reconhecimento da cidade e de seus espaços culturais.

OS TRABALHOS SERÃO EXPOSTOS NA SEMANA DO PATRIMÔNIO CULTURAL

I - Entrevistar o morador mais antigo do seu quarteirão:

Nome: _____________________________________________________________ Endereço: _____________________________________________________________

1 - Há quanto tempo mora na rua?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________

2 - O que ele considera mais importante na rua/quarteirão e por quê.

____________________________________________________________________________________________________________________________________________

 

3 - Pergunte se ele tem fotos antigas da rua ou tiradas na rua. Peça emprestada para fazer uma cópia.

____________________________________________________________________________________________________________________________________________

 

4 - Quais as mudanças mais importantes que ocorreram na rua? O que ele achou delas?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________
 
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II - QUESTIONÁRIO
 
1- Você conhece a história da sua cidade? Como ela nasceu?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________________________________________________________________________

2- Desenhe a planta da sua cidade localizando os lugares e os prédios ou casas mais importantes.

 
3- Conte quantas escolas, cinemas, igrejas e praças existem na sua cidade.
____________________________________________________________________________________________________________________________________________
 
4- Quais os lugares de diversão que você mais freqüenta. Escreva uma redação sobre este local.
____________________________________________________________________________________________________________________________________________
5- Você sabe onde nasce o rio que passa por sua cidade? Qual o seu nome? Qual a origem do nome do rio?
____________________________________________________________________________________________________________________________________________
 
6 - Faça um desenho do rio desde a sua nascente até chegar a sua cidade, identificando os lugares por onde passa.
 
7 - Desenhe o caminho que você percorre para chegar à escola identificando as casas mais antigas.
 
8 - Quais são as festas mais importantes da cidade e onde acontecem. Descreva a festa que você considera mais importante.
____________________________________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________________________________
9 - Em sua opinião, qual o bem cultural mais importante da cidade? Por quê?
____________________________________________________________________________________________________________________________________________
10 - O que você acha que deve ser feito para preservação dos bens culturais da sua cidade?
____________________________________________________________________________________________________________________________________________
11 - Quais os problemas que a sua cidade apresenta?
____________________________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________
12 - Quais as soluções para estes problemas?
____________________________________________________________________________________________________________________________________________
13 - Como é a sua cidade dos sonhos?