PROTEUS EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

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BLOG VOLTADO PARA A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL - 16 ANOS NO AR

segunda-feira, 2 de maio de 2016

A ESTRADA REAL - OS CAMINHOS DE MINHAS

A Estrada Real – os caminhos de Minas[1]

Autor: Carlos Henrique Rangel

“A estrada que conduz do Rio de Janeiro a Vila Rica não é menos frequentada, talvez que a de Pariz a Tolouse, e seria para desejar que se construísse uma ponte sobre o Paraíba (...); (Saint-Hilaire/1817)
Saindo, por fim, da floresta, atingimos uma bela estrada, bastante larga, com pontes bem construídas e várias valas, que conduz, em linha reta via Ouro Branco, de Queluz a Ouro Preto. Foi aí, pois, que alcançamos a estrada real de Minas, grande consolo para mim, pois o resto da viagem havia de ser mais fácil e cômodo (BURMEISTER, 1980, p. 295).

A partir da descoberta do ouro nos sertões mineiros nas décadas finais do seiscentos, trilhas e caminhos surgiram e tornaram-se frequentados pelos aventureiros atraídos pelos relatos dos exploradores pioneiros. Os primeiros povoados formaram-se ao redor dos rios e das lavras de ouro. Em poucos anos, entre a última década do século XVII e primeiros anos do século XVIII, o território antes ocupado por indígenas muitas vezes desconhecidos passou a receber colonos do litoral e mesmo da Metrópole, atraídos pelas riquezas minerais. O jesuíta André João Antonil em seu livro “Cultura e Opulência do Brasil por suas drogas e minas”, publicado em 1711, relata esta grande imigração:

Cada ano vem nas frotas quantidade de portugueses e de estrangeiros, para passarem às minas. Das cidades, vilas recôncavos e sertões do Brasil, vão brancos, pardos e pretos, e muitos índios, de que os paulistas se servem. A mistura é de toda a condição de pessoas: homens e mulheres, moços e velhos, pobres e ricos, nobres e plebeus, seculares e clérigos, e religiosos de diversos institutos muitos dos quais não têm no Brasil convento nem casa. (ANTONIL, André João. 2011, p. 224, 225).

Estimava-se a população dos sertões mineiros em 1700, em cerca de trinta mil (30.000) pessoas vindas do litoral a cata de ouro. Sessenta (60) anos mais tarde, essa população chegou a trezentos mil (300.000) indivíduos. Em 1717, a população escrava das Minas somava trinta e três mil (33.000), passando a duzentos e setenta e quatro mil (274 000) em 1786.[2] Entre os anos de 1700 a 1760, cerca de seiscentos mil (600 000) portugueses vieram para o Brasil.[3]

O auge da busca pelo ouro nas Minas Gerais deu-se na época colonial até meados do século XVIII. Explorado de início o ouro de tabuleiro, na beira dos ribeirões, passou em seguida a ser extraído o ouro das margens mais elevadas, já nas encostas: o das grupiaras ou guapiaras. A busca pelo ouro e pelas pedras preciosas vai fazer surgir “os muitos caminhos” que levavam às minas, ampliando as Entradas deixadas pelos bandeirantes e os Peabirus demarcados pelos indígenas ou desbravando novas sendas. Aos poucos se consolida uma Estrada Real. (CARVALHO, jul.- dez., 2009. Recebido em 25 out.; aceito em 09 nov. 2009, p.36).

As consequências iniciais da ocupação foram calamitosas devido à falta de infraestrutura econômica para alimentar tamanha multidão de mineradores. A fome se alastrou pela região e muitos colonos preferiram voltar ao litoral fugido do desastre. Essa primeira fase de exploração onde à maioria da população vivia espalhada pelos sertões mineiros de forma nômade, sem se fixar muito tempo nas catas de ouro de aluvião foi marcada por esses períodos de grandes fomes e que consequentemente geravam alta dos preços dos alimentos.

(...) chegou a necessidade a tal extremo que se aproveitaram dos mais imundos  animais, e faltando-lhes estes para poderem alimentar a vida, largaram as minas, e fugiram para os matos com os seus escravos a sustentarem-se com as frutas agrestes que neles achavam; (ARQUIVO NACIONAL DO RIO DE JANEIRO (ANRJ, Códice 77,v.6,f.117-118v, 10 de maio de 1698).
Concorreu em tanto concurso a natural necessidade de alimentos; e porque na altura da região a penúria deles subia o preço, uns fizeram da agricultura sustento, e interesse, outros agenciaram no ouro dos seios da terra juntamente o sustento e as riquezas. (MACHADO, 1967, p. 172,173).

Logo ficou claro que por traz da atividade aurífera deveria haver uma infraestrutura para um apoio logístico, principalmente com relação ao abastecimento de gêneros alimentícios. A solução inicial foi buscar esses alimentos nas regiões litorâneas uma vez que a atividade mineradora ocupava quase que totalmente a mão de obra. A um custo elevado esses alimentos e outros produtos chegavam às Minas por meio de tropeiros.  Esses transportadores de coisas do litoral[4] e do sertão iniciaram suas atividades já no inicio do século XVIII e tiveram papel importante na ligação do interior com o litoral até o século XX.
O homem de hoje talvez não tenha ideia real do que seja uma "tropas", no sentido econômico assumido no Brasil. Grandes lotes de muares, esfalfando-se por centenas de léguas, estirando-se por todos os quadrantes para conduzir drogas do litoral e refluir à orla marítima com os produtos da terra - tal era a "tropa", o primeiro meio de transportes e comércio que o Brasil possuiu, e o seu maior elemento econômico e social de colonização e fixação do homem. Ao tempo do Descobrimento e das primeiras povoações, o “índio de carga" era o único meio que dispunha o colonizador.
(DORNAS FILHO, 3 a 12 de abril de 1956. Disponível na Internet: http://www.asminasgerais.com.br/zona%20da%20mata/Biblioteca/Personagens/Tropeiros/TROPAS.htm. Acessado em 6 de maio de 2013).

A região do São Francisco com os seus currais se especializou no fornecimento de gado.[5] A existência desses novos consumidores alojados nas proximidades das minas favoreceu o surgimento de mais fazendas de gado ao longo do rio das Velhas e do rio São Francisco, muitas delas pertencentes a antigos sertanistas paulistas como Matias Cardoso de Almeida,[6] pioneiro no desbravamento dos sertões. Estas fazendas sanfranciscanas supriram inicialmente os mercados litorâneos e logo depois as regiões mineradoras ao sul. As minas tiveram um papel fundamental no alastramento dos currais devido principalmente ao alto preço alcançado pelo gado. No início do século XVIII a região do São Francisco era ocupada por mais de cem (100) famílias paulistas que se dedicavam à criação de gado bovino e cavalar.

Durante essa primeira fase, o explorador vivia nômade e a população apresentava-se extremamente diluída. Centrados na atividade mais rentável os mineradores deixavam-se absorver completamente pelo trabalho nas aluviões; os períodos de grandes fomes, sincrônicos com a alta dos preços, geraram-se pela concentração dos recursos na tarefa mineratória. A falta de gêneros propiciou a primeira convergência das atividades, até então esparsas, e ensejou os grandes acampamentos ao longo dos rios. Estes primeiros núcleos abasteciam-se por tropas oriundas da Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro. (...) (LUNA, Francisco; COSTA, 1982, p. 15, 19).

A Coroa Portuguesa interessada no controle desta leva de aventureiros adentrando às Minas e na fiscalização das riquezas extraídas estabeleceu caminhos oficiais obrigatórios para a circulação de pessoas, mercadorias e de riquezas advindas dos sertões.

Assim, nas Minas, as Estradas Reais surgiram em decorrência da inserção do interior do Brasil na política fiscal exercida pela Colônia. Nas Minas, o objetivo primordial do controle dos caminhos era a arrecadação dos quintos de ouro, sempre confiada a funcionários régios (...). Formaliza-se, assim, a aplicação do título Estrada Real aos caminhos de Minas, como um conceito fiscal. (RENGER, IN: RESENDE,. VILLALTA, 2007, p. 137).

O Padre Jesuíta italiano André João Antonil, que percorreu a região mineral no início do século XVIII, fala do caminho utilizado de São Paulo às “Minas” em sua obra Cultura e opulência no Brasil, datada de 1711:

Gastam comumente os paulistas, desde a vila de São Paulo até as Minas Gerais do Cataguás, pelo menos dois meses, porque não marcham de sol a sol, mas até meio dia, e quando muito até uma ou duas horas da tarde, assim para se arrancharem, como para terem tempo de descansar e de buscar alguma caça ou peixe, aonde o há, mel de pau e outro qualquer mantimento. E, desta sorte, aturam como tão grande trabalho. (ANTONIL, 2011, p. 246).


Figura 6: Estrada Real – Os dois caminhos: o Velho e Novo.
Fonte da Imagem: http://www.sabaranet.com.br/estradareal.asp . Acessado em 25 de março de 2013.




Esse caminho de São Paulo ou Caminho Velho seguia basicamente 
o roteiro dos antigos Bandeirantes. Os aventureiros que partiam da 
Vila de São Paulo passavam por Nossa Senhora da Penha, 
Taquaquicetuba, Mogi, Larangeiras, Jacareí, Taubaté, 
 Pindamonhangaba e após viagem de dezoito (18) dias chegavam 
a Guaratinguetá; de Guaratinguetá até o pé da Serra da Mantiqueira,
 gastavam cinco (05) dias; para subir a Serra da Mantiqueira 
gastavam mais dois (02) dias; descendo a Serra para as 
vertentes do Rio Verde – estalagem do Rio Verde - 
em território mineiro, oito (8) dias; do Rio Verde 
ao Rio Grande passando por Boa Vista, Ubaí e Ingaí 
gastavam mais vinte e um (21) dias; do Rio Grande ao 
Rio das Mortes, gastava-se mais cinco (05) dias; do 
Rio das Mortes às plantações de Garcia Rodrigues, 
gastava-se sete (07) dias; dessas plantações à Serra de 
 Itatiaia – dois (02) dias; chegava-se então aos caminhos 
para o Ribeirão do Carmo e Ouro Preto ou para as minas do Rio das Velhas. Nesse percurso os viajantes gastavam seteta e quatro (74) dias de São 
Paulo a Ouro Preto ou Rio das Velhas.[7] 

O Caminho Velho se estabeleceu sobre as primeiras rotas 
abertas pelos bandeirantes. Muitas delas, tal qual a 
bandeira de Fernão Dias Paes Leme, uma expedição 
de grande importância para a exploração daquele 
 território pelos paulistas, seguia o vale do rio 
Paraopeba. Esse trecho podia usar o pico do Itatiaiuçu, 
um importante marco na paisagem, como ponto de referência. 
(GUIMARÃES, p.4. Disponível 
na Internet em: 
velho-das-minas.pdf Acessado em 6 de agosto de 2013).

Em 1711 o Caminho Velho apresentava várias roças para suprir 
os viajantes e aventureiros:

(...) E aqui há roças de milho, abóbora e feijão, que são 
lavouras feitas pelos descobridores das minas e por outros, 
que por aí querem voltar. E só disto constam aquelas e 
outras roças nos caminhos e paragens das minas, e, 
quando muito, tem de mais algumas batatas. 
Porém, em algumas delas, hoje acha-se criação de 
porcos domésticos, galinhas e frangões, que 
vendem por alto preço aos passageiros, levantando-o 
tanto mais quanto é maior a necessidade do que passam. 
E daí vem o dizerem que todo o que passou a serra 
da Amantiqueira aí deixou dependurada ou sepultada a 
 consciência. (ANTONIL, 2011, p.247).

Antonil, considerava o caminho de São Paulo - Caminho Velho - difícil e penoso, essas dificuldades de acesso foram um dos fatores que motivaram a construção do novo caminho a partir da cidade do Rio de Janeiro, somada a necessidade de encurtar a jornada ao litoral.

Em menos de trinta dias, marchando de sol a sol, podem chegar os que partem da cidade do Rio de Janeiro às minas gerais, porém raras vezes sucede poderem seguir esta marcha, por ser o caminho mais áspero que o dos paulistas. E, por relação de quem andou por ele em companhia do governador Artur de Sá, é o seguinte.

Partindo aos 23 de agosto de 1699 da cidade do Rio de Janeiro foram a Paraty. De Paraty a Taubaté. De Taubaté a Pindamonhangaba. De Pindamonhangaba a Guaratinguetá. De Guaratinguetá às roças de Garcia Rodrigues. Destas roças ao Ribeirão. E do Ribeirão, com oito dias mais de sol a sol, chegaram ao Rio das Velhas aos 29 de novembro, havendo parado no caminho oito dias em Paraty, dezoito em Taubaté, dois em Guaratinguetá, dois nas roças de Garcia Rodrigues e vinte e seis no Ribeirão, que por todos são cinquenta e seis dias.
E, tirando estes de noventa e nove, que se contam desde 23 de agosto até 29 de novembro, vieram a gastar neste caminho não mais que quarenta e três dias.
Logo que se sahe de S. João se passa em Canoa o Rio das Mortes (se não quer passar na ponte, de que se paga quarenta reis) e se vay ao Callanday [Carandaí], Cataguazes, Camapoan, Carijós, Macabello, Ouro Branco, Pé do Morro, Alto do Morro, Pouso do Chiqueiro, Capão do Lana, José Correa [Rodrigo Silva], Boa Vista, Três Cruzes, Tripuí e Vila Rica". Após contornar a Serra-Deus-Te-Livre, ou Serra de Ouro Branco, o Caminho Velho alcançava Villa Rica após várias semanas de viagem. (COSTA, A.G. (org.), 2005, 244 p., Il).

Seguindo pelo Caminho Velho, chegava-se a Ouro Preto em setenta e quatro (74) dias saindo de São Paulo. Saindo do Rio de Janeiro passando por Parati, gastavam-se setenta e três (73) dias de caminhada, somado aos trinta e oito (38) de descanso.[8] 

O Caminho Novo foi projetado a partir de 1698[9] e teria sido concluído por volta de 1725.[10] Teve como primeiro responsável o filho de Fernão Dias – Garcia Rodrigues Paes.[11]

Sertanista das esmeraldas, Garcia Rodrigues fez parte de diversas expedições, sendo a primeira datada de 1674, chefiada por Fernão Dias Pais Leme. Em 1683, dado o insucesso da anterior, Garcia Rodrigues foi nomeado Capitão-mor de uma segunda expedição e posteriormente, em 1711, embrenhou-se novamente pelos sertões mineiros, desta vez como governador de uma terceira expedição, segundo a Carta Patente de 03 de Fevereiro daquele mesmo ano”. (VASCONCELLOS, 1904. p. 155).

Na Carta Régia de 15 de Novembro de 1701, dirigida a Dom Arthur de Sá e Menezes, Governador e Capitão General do Rio de Janeiro, eram solicitadas informações sobre as obras do Caminho Novo efetuadas pelo bandeirante. Segundo o documento, Garcia Paes fora incumbido de fazer um atalho e estalagens de que:
(...) se poderiam por ele servir os mineiros com maior facilidade e segurança sem que fosse necessário vir algum pela costa e parece-me dizer vos se reconhece que este caminho será muito utilíssimo aos meus vassalos e assim deveis dar conta do estado em que se acha e se tem já facilitado as dificuldades que faziam mais custosa esta passagem para as minas. (MAGALHÃES, 1978, p. 317).

Ainda sobre Garcia Paes, Antonil informava:
Há mais outras minas novas, que chamam do Caeté, entre as minas gerais e as do rio das Velhas, cujos descobridores foram vários, e entre elas há a do ribeiro que descobriu o capitão Luís do Couto, que da Bahia foi para essa paragem com três irmãos, (...) as que ultimamente descobriu o Capitão Garcia Rodrigues Paes, quando foi abrir o caminho novo detrás da cordilheira da Serra dos Órgãos, no distrito do Rio de Janeiro, por onde corta o Rio Paraíba do Sul. (ANTONIL, 2011, p. 221).

Garcia Paes recebeu em função do trabalho de abertura do Caminho Novo, o cargo de Guarda-Mor das minas de São Paulo pelo período de três anos concedido por provisão de dezenove (19) de abril de 1702. Segundo Carta Régia datada de dois (02) de maio de 1703, o rei D. Pedro II declara que:
fuy servido resolver possaes nomear guardas substitutos vossos que asistão nas partes mais distantes e que estes guardas e seus escrivaens possão ter a mesma conveniência de minarar (...) pª. Teres (sic) entendido a permissão q’ por esta vos concedo e podereis usar na forma que tenho resolvido... (MAGALHÃES, 1978. p.320 (Brasiliana, V. 45).

Passando por dificuldades para tocar os trabalhos, Garcia Rodrigues chegou a utilizar recursos próprios e escravos durante o período que ficou à frente da empreitada.
Dom Álvaro da Silveira de Albuquerque, em resposta ao rei, informava que o caminho só atendia a pedestre com suas cargas e possuía roças e sementeiras na região da Paraíba.[12] Garcia Paes, no entanto informava que o caminho já se encontrava trafegável desde 1704:
Desde o primeiro de junho de 1704 que sahi das minas, e o tenho já de todo aberto mas não se pode inda curçar por falta de mantimentos. Vou agora plantar as roças, e da paschoa por diante se pode andar por ele. Pelo qual são daqui às minas corenta legoas o mais, que he menos da tersa parte do caminho de Parati, e com muito menos rios e serranias sem o deterimento e risco da viagem do mar. (CARTA de Garcia Rodrigues Pais a Dom Pedro II. Rio de Janeiro, 30/08/1705. HU – Rio de Janeiro – 3095. Apêndice documental In: Antonil (2001, p. 427)).

Em 1717[13], o bandeirante foi substituído por Bernardo Soares Proença que abriu uma nova variante do Caminho[14] – o Caminho de Inhomirim.[15] Pela variante de Garcia Rodrigues Paes, gastavam-se dez (10) ou doze (12) dias. Já a variante de Bernardo Proença podia ser feita em oito (08) dias.
Hoje, o antigo Caminho do Proença ainda existe próximo à atual RJ-107, conhecida como Velha Estrada de Petrópolis ou Estrada Automóvel Club. Grande parte foi aproveitada em 1850, com a construção da Estrada Normal de Estrela. O abandono desta estrada estaria na inauguração do ramal que ligava Guia de Pacobaíba a Raiz da Serra, a Estrada de Ferro Barão de Mauá, deslocando o eixo de embarque marítimo do Porto de Estrela para Pacobaíba. Mais tarde, parte dessa estrada seria aproveitada pela Estrada União e Indústria, atual RJ-107, entre Petrópolis e Posse. (NOVAES, Adriano. Os Caminhos Antigos no Território Fluminense. p. 62. Disponível na Internet: http://www.institutocidadeviva.org.br/inventarios/sistema/wp-content/uploads/2008/06/oscaminhosantigos.pdf . Acessado em 6 de agosto de 2013).

O reconhecimento de Garcia Paes pelos trabalhos realizados no Caminho Novo veio em 1709 por Carta Régia de quatorze (14) de julho daquele ano. Em seis (06) de fevereiro de 1711, uma Carta Patente deu-lhe poderes para apaziguar as desordens que ocorriam no Rio do Peixe.[16] Quatro sesmarias lhe foram concedidas em quatorze (14) de agosto daquele ano em Borda do Campo, Matias Barbosa e Paraíba do Sul e mais uma a cada um de seus filhos.[17] Essas terras de Garcia Rodrigues ficavam após a Serra do Mar às margens do rio Paraíba do Sul:
Tanto o caminho que passava pela Serra da Estrela, quanto o que passava por Pousos Frios ou o da terra Firme, o mais novo de todos e que subia o vale do Rio Santana, uma vez transposta a Serra do Mar, se entroncavam nas roças de Garcia Rodrigues, às margens do Paraíba do Sul, num local chamado Registro.(...)  (COSTA, 2004, p. 46 e 57).

Antes mesmo de sua conclusão, o Caminho Novo se destacou como a principal ligação do litoral carioca as Minas. Visando à ocupação das terras e suprir de mantimentos às Minas, o Governo da Capitania do Rio de Janeiro concedeu sesmarias ao longo de todo o Caminho. Tal fato é atestado pelas informações contidas na Provisão passada ao Governador da Capitania do Rio de Janeiro, Francisco Castro de Morais datada de 15 de junho de 1711:
 “Havendo visto a representação que me fizestes sobre as datas de terras de sesmarias que vossos antecessores haviam dado com largueza aos moradores no Caminho Novo que vai dessa cidade para as Minas (...) as tais datas com restrição assim para haver mais povoadores no dito caminho como para haverem mantimentos bastantes de que há muita falta. Fui servido resolver se dêem de sesmaria as tais terras com declaração que cada uma seja de légua em quadra e que se não de a cada pessoa mais que uma data (...) E pelo que respeita as que já estão dadas tereis cuidado de saber se só povoarão na forma das condições da Lei e se confirmarão no tempo devido; porque constando vos que se tem faltado as tais condições as deis de novo com a sobredita limitação. (grifo nosso) (ARQUIVO PÚBLICO MINEIRO, Fundo: Secretaria de Governo da Capitania (Seção Colonial), Notação: SC- 02, Micro-filme: Rolo 01 – Gav. G-3, Datas-limite: 1605-1753, folha 169 e 169b).



Figura 7: Caminho Novo do Rio de Janeiro às Minas de
Fonte: ANTONIL, J. A. Cultura e opulência no Brasil por suas drogas e minas. Prancha VI.



Por meio desse Caminho Novo chegavam às Minas, viveres, escravos, ferramentas, gado e outros produtos que não eram produzidos no sertão. Das Minas eram enviados ao litoral ouro e mais tarde diamantes. Ao longo do Caminho surgiram roças, pousos e povoados com forte vocação agrícola. No auge da utilização dos caminhos existiam cento e setenta e sete (177) povoações em suas margens: cento e sessenta e duas (162) em Minas Gerais; oito (08) no Rio de Janeiro e sete (07) em São Paulo.
Figura 8: Uma das pontes existentes na Estrada Real.


Nem sempre eram as melhores casas que abrigavam os viajantes. Mesmo se o dono era incapaz de oferecer aos hóspedes um punhado de farinha-de-pau com sedimento, seu engenho, próximo à estrada, servia para um descanso breve, bastante para aliviar os rigores do sol e refazer as forças esvaídas em cinco horas de jornada ininterrupta. (...)
Houve mesmo quem buscasse extrair proveito máximo de tal ordem de coisas. Vários colonos passaram a pedir sesmarias com o intuito de explorá-las pra a subsistência dos transeuntes, o que aconteceu com particular intensidade ao longo do Caminho Novo, em Minas. Foi também o caso de muitas das estalagens abertas nas bordas dos caminhos mineiros para hospedar comerciantes e estocar suas cargas, possivelmente revendidas depois de algum tempo.  (HISTÓRIA da Vida Privada. 1997. Vol.1, p. 59 e 64).

Francisco Tavares de Brito, em 1731 descrevia assim o itinerário geográfico do Rio de Janeiro às Minas via Caminho Novo:
Passa-se da cidade do rio de Janeiro em lancha e entra pelo Rio Aguaçu e com uma maré alta se pode chegar ao sítio do Pilar. Daqui em canoa pelo rio acima se vai até Couto. Aqui se conta a cavalo e segue a jornada a Taquaraçu, ao pé da Boa Vista, onde está o Registro sobe-se a terra com inexplicável trabalho e do mais eminente da estrada se vê o mar, os rios e a planície da terra. Em recíproco comércio, goza aqui a vista de um formoso espetáculo e prosseguindo a jornada fica a mão esquerda, um monte inacessível tão redondo e igual que parece feito no torno (Pico do Couro). É todo de pedra e por uma banda de sua fralda vai a estrada deixando a gigantaria e eminência e muito atrás os Atlantes e Olispos. No pé da serra, da parte do Norte, se situa a Roça de Silvestre, Bispo, Governador, Alferes, Rocinha, Pau Grande, Cavarumirim, Cavaruaçu, Paraibuna. Passa-se aqui o rio deste nome. Rocinha do Araújo, Contraste, Cativo, Medeiros, José de Souza, Juiz de Fora, Acaíde-Mor, Antônio Moreira, Manuel Correia, Azevedo, Araújo, Gonçalves, Pinho, Bispo. Sobe-se aqui a grande serra da Mantiqueira. Rocinha. Sai-se ao campo. Coronel (Domingos Rodrigues da Fonseca Leme). Borda do Campo. Registro. Quem quiser ir pra a Vila de São João Del Rei, toma uma estrada à mão esquerda e vai ao sítio do Barroso e outra jornada pode chegar à vila.
Vamos prosseguindo nosso caminho para as Minas Gerais ou seja Vila Rica e Carmo. José Rodrigues. Ressaca. Carandaí. Outeiro. Os Dois Irmãos. Galo Cantante. Rocinha. Daqui em diante, vai-se por Amaro Ribeiro, Carijós[18] e Macabelo. Aqui se passa o Rodeio, isto é, que se rodeia uma serra, a que se chama Ititiaia. Ilheos, Lana. Daqui se toma mão esquerda quem quer ir caminho direto para Vila Real e se vai pela Cachoeira à vista da Casa Branca, buscar a passagem do Gravato e prosseguindo o caminho das Minas Gerais, do Lana se vai a Três Cruzes e dali a Tripuí que fica uma légua da Vila Rica e logo se entra nela para se passar a Vila Real, se torna pelo Tripuí as Três Cruzes e pela Bocaína, por qualquer de três estradas se vai a vista da Casa Branca buscar a passagem do Garavato e dali se toma a esquerda pelo Curralinho e Raposos e se entra em Vila Real. Desta se passa a todas as mais filas de sua comarca. (Negrito nosso). (GRAVATÁ, 1972, (4): p. 103/118).


Figura 9: Representação pictórica de Debret – Tropeiros.
Os Tropeiros exerceram grande importância na colonização das Minas Gerais. Conduzindo suas mulas abarrotadas de mantimentos, alimentaram os mineiros nos primeiros anos dos descobertos.
Fonte: Disponível na Internet: Tropeiros1112002002 Debret Tropeiro.jpg (56.45 Kb - 800 x 600)www.asminasgerais.com.br. Acessado em 10 de abril de 2013.


O naturalista francês, Auguste de Saint-Hilaire ao percorrer o Caminho Novo entre os anos 1817/1822, deixou a seguinte impressão:
(...) essa estrada parte da capital de Minas (Ouro preto) e se bifurca num lugarejo denominado Encluzilhada. Um dos caminhos, chamado de “Caminho da Terra”, leva diretamente ao Rio de Janeiro, e o outro vai terminar em Porto da Estrela, onde embarcam os que destinam à capital do Brasil. Eu ainda não conhecia essa segunda rota e foi ela que escolhi para entrar na Província de Minas Gerais (...) É difícil encontrar uma estrada mais frequentada do que a que liga Porto da Estrela a Minas (...) A estrada, aberta há aproximadamente um século e meio pelo guarda-mor Garcia Rodrigues ganhou importância depois que se iniciou o cultivo do algodão em Minas Novas e começou a exportação de café no sul da Província. (SAINT-HILAIRE, 1975. Vol.4, p.130).

Registros e postos fiscais para a cobrança de direitos de entrada, taxas e outros impostos foram instalados ao longo do Caminho Novo controlando-se a entrada e saída de pessoas e mercadorias. Também nesses postos oficiais faziam-se a troca de ouro por moedas cunhadas de circulação restrita às Minas para minimizar a circulação de ouro em pó. Esses Registros eram guardados por militares que dentre outras funções zelavam pela segurança dos povoados vizinhos e dos viajantes.
Assim se consolidou o caminho oficial - Estrada Real[19]- que tinha como intuito evitar a abertura de picadas clandestinas e o descaminho do ouro e do diamante.

Nos primeiros meses de 1749, o ouvidor Caetano da Costa Matoso fez uma jornada para Minas Gerais, anotando as ocorrências e observações acerca dos lugares por onde passava. Explicou os caminhos em direção a Minas: “Este caminho de Inhomirim, e por este sítio, se descobriu no ano de 1718 ou 1719, no tempo do governo de Aires de Saldanha no rio, e é o terceiro por que se foi às Minas Gerais, sendo o primeiro o de Parati pela barra fora e o segundo o do Couto, que é também por cima desa serra, em pouca distância deste sítio e por parte mais áspera, e hoje pouco se frequenta.””[20] (IEPHA/MG - PROCESSO de Tombamento do Registro do Paraibuna. Histórico, 2011).

Com a aprovação do primeiro Plano Rodoviário de Minas Gerais - Lei n.º18, de 1º de abril de 1835 - o governo foi autorizado a contratar companhias para a construção de uma estrada entre o Rio Paraibuna passando por Queluz (atual Conselheiro Lafaiete), Ouro Preto, Mariana, Itabira, Vila do Príncipe até Diamantina.

Para proceder aos estudos do traçado e organizar o projeto da estrada entre Ouro Preto e Queluz foi nomeado, em 14 de outubro de 1835, o Engenheiro Roberto Francisco Bernhauss. De acordo com as suas sugestões, a estrada deveria evitar a transposição das Serras de Ouro Branco e de Mata Cavalos, seguindo por entre o Arraial do Itatiaia e o rio desse mesmo nome, passando pelo lugar denominado Guido, pelas imediações do Ribeirão de Água Limpa, Córrego do Garcia, por Cachoeira e procurando finalmente, a Vila de Queluz. (PIMENTA, 1971, p.44,45).





Figura 10: Primeiro Plano Rodoviário de Minas Gerais – 1835. Mapa organizado pelo engenheiro Demerval José Pimenta em setembro de 1959 de acordo com as leis nº 18 e 25 de 1.º a 8 de abril pelo Presidente da Província Dr. Limpo de Abreu sendo o projeto do sr. Bernardo Pereira de Vasconcelos. Fonte: Arquivo Público Mineiro. Disponível na Internet: http://www.siaapm.cultura.mg.gov.br/modules/grandes_formatos_docs/photo.php?lid=1238 . Acessado em 14 de janeiro de 2014.


Em 1836, o Dr. Fernando Halfeld assumiu o cargo de Engenheiro da Província e reexaminou o projeto sugerido por Bernhauss, propondo um novo traçado passando pelas Serras do Ouro Branco e de mata Cavalos.[21] A construção foi iniciada em 1839 e essa Estrada recebeu o nome de “Estrada da Corte”, incluindo o Caminho Novo que passou assim a ser frequentado por carroças.



Figura 11: Estrada da Corte –  localizando Queluz, atual Conselheiro Lafaiete. As fazendas tombadas: Pé do Morro e Carreiras. Fonte: PIMENTA, 1971.

Dos traçados originais dos Caminhos do Ouro para as minas, poucos se mantiveram intactos. A partir do Rio de Janeiro e de São Paulo, trechos foram transformados, principalmente em estradas de ferro, considerando-se as facilidades representadas para tais projetos pelas inúmeras gargantas localizadas nas serras do Mar e da Mantiqueira por onde passavam esses caminhos. Outros trechos foram retrabalhados, surgindo novos traçados de estradas carroçáveis no século XIX, que deram lugar às rodovias do século XX:[22] Rodovias BR 040[23] que leva ao Rio de Janeiro e a BR 381[24] denominada “Fernão Dias” que segue para São Paulo.
Existem na Estrada Real, entre Conselheiro Lafaiete[25] e Ouro Branco, importantes fazendas que no passado abasteciam as populações das Minas e muitas vezes serviam de pouso aos viajantes. Destacamos as fazendas tombadas pelo IEPHA/MG: Fazenda Carreiras, Fazenda Pé-do-Morro e as ruínas da estalagem da Varginha do Lourenço.[26]

CAMINHOS REAIS

Figura 12: Caminhos Reais FONTE: SANTOS, Márcio. As estradas reais: introdução ao estudo dos caminhos do ouro e do diamante no Brasil. Belo Horizonte: Estrada Real, 2001.ROCHA, José Joaquim da. Geografia Histórica da Capitania de Minas Gerais: Descrição Geográfica, Topográfica, Histórica e Política da Capitania de Minas Gerais. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1995.










[1] O texto sobre a Estrada Real teve como referência a pesquisa e o histórico da historiadora Helaine Nolasco Queiroz para o Processo de Tombamento Estadual do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Registro do Paraibuna.
[2] INSTITUTO ESTRADA REAL; Instituto Terra Azul. Lista Tentativa de Propriedades da Estrada Real. Belo Horizonte, 2006, p. 04.
[3] straforini, rafael. Tramas que Brilham: Sistema de circulação e a produção do território brasileiro no século XVIII. Rio de Janeiro. UFRJ. 2007, p. 100.
[4] Importavam na segunda metade do século XVIII: cachaça, vinho, escravos, rapadura, fazenda seca, sal, gado cavalar, ferragem, aço, açúcar, caixas, louças, café, chumbo, secos, molhados, couro, cera, arroz, gado vacum, peixe, carne seca, etc.(GOMES, Matheus Souza. Registros de Passagem: Mapeamento das Minas Setecentistas através das rotas comerciais. s/d. Disponível na Internet: http://www.ichs.ufop.br/memorial/trab2/ic14.pdf . Acessado em 06 de maio de 2013).
[5] No início do século XVIII existiam no sertão baiano, cerca de oitocentas mil cabeças de gado. Em Pernambuco e Piauí esse rebanho somava sessenta mil cabeças. (LINHARES, Maria Yedda Leite. Pecuária, Alimentos e sistemas Agrários no Brasil (séculos XVII e XVIII. Disponível na Internet: http://www.historia.uff.br/tempo/artigos_livres/artg2-6.pdf. Acessado em 09 de abril de 2013. É importante ressaltar que a região norte de Minas pertencia a Bahia e Pernambuco.
[6] Matias Cardoso de Almeida fundou um povoado nas margens do rio São Francisco por volta de 1688. De 1690 a 1695 participou das guerras aos índios do sertão do Ceará e Rio Grande, retornando ao seu povoado em terras mineiras. As ruínas de uma pequena capela no atual distrito de Mocambinho, município de Jaíba seria o que restou do povoado de Matias Cardoso, abandonado após enchentes, nos primeiros anos do século XVIII.
[7] PIMENTA, Demerval José. Caminhos de Minas Gerais. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1971, p.19, 20.
[8] A Estrada Real e a transferência da corte portuguesa: Programa Rumys – Projeto Estrada Real / Eds. Gilberto Dias Calaes; Gilson Ezequiel Ferreira - Rio de Janeiro: CETEM / MCT / CNPq / CYTED, 2009. P. 17.
[9]Sobre essa data existem controvérsias: Enéas Martins Filho informa a data de 1699. (MARTINS FILHO, Enéas. Os três caminhos para as Minas Gerais.  Revista do IHGB. Anais do Congresso Comemorativo do bicentenário do transferência da sede do governo do Brasil da Cidade de Salvador para Rio de Janeiro. V. 1. Rio de Janeiro, 1965).
[10]Segundo Luciane Cristina Scarato em seu texto “O Caminho Novo: uma viagem social administrativa e econômica às Minas Gerais setecentistas”, o Caminho Novo teria sido concluído por volta de 1725. (SCARATO, Luciane Cristina. “O Caminho Novo: uma viagem social administrativa e econômica às Minas Gerais Setecentistas”. Fapesp. Pág. 535 a 552. Disponível na Internet: http://www.humanas.ufpr.br/portal/cedope/files/2011/12/O%20Caminho%20Novo%20-%20Luciane%20Cristina%20Scarato.pdf. Acessado em 03 de maio de 2013).
[11]Segundo Venâncio, pesquisas arqueológicas comprovaram que Garcia Paes teria utilizado como guia para o Caminho Novo, uma antiga trilha indígena aberta há cerca de dez mil anos. (VENÂNCIO, 1999).
[12] MAGALHÃES, 1978, p. 318.
[13] Anais da BN, códice. 643, f.30-31. Cf. Costa (2005, p.89). Caetano da Costa Matoso em seu diário de viagem realizada entre 27 de janeiro de 1749 e 07 de fevereiro de 1749 deixa a entender que o caminho de Inhomirim já era conhecido bem antes de 1725. “Este Caminho de Inhomirim, e por este sítio se descobriu no ano de 1718 ou 1719” (CODICE COSTA MATOSO, 1999, p. 885).
Fonte: STRAFORINI, Rafael. Tramas que brilham: sistema de circulação e a produção do território brasileiro no século XVIII/ Rafael Straforini, - 2007. P.187. Tese de Doutorado UFRJ.
[14]o caminho de Garcia Rodrigues era também denominado Caminho do Couto.
[15] Requerimento do tenente Coronel Bernardo Soares de Proença Relativo à abertura de um caminho para as Minas pela Serra do Mar. AHUL. 7.832. Apêndice Documental. In: Martins Filho (1965, p. 1999). Garcia Paes em sua obsessão por terras requereu a Governador do Rio de Janeiro sesmarias no novo caminho aberto por Bernardo Soares Proença. (ANDRADE, 2008, p. 178).
Pedro Barbosa Leal ficou responsável pela abertura da estrada de ligação das Vilas de Jacobina e Rio das Contas, trabalho concluído em 1725. (MOTTA, Reini. Estrada Real - de Jacobina a Rio das Contas. 4 de dezembro de 2011. Disponível na Internet: http://mottareini.blogspot.com.br/2011/12/estrada-real-de-jacobina-rio-de-contas.html . Acessado em 03 de maio de 2013).
[16] VASCONCELOS. Diogo de. Ribeirão do Carmo. in.: História Antiga de Minas Geraes. Bello Horizonte: Imprensa Official, 1904, p. 155.
[17] CARTA DE SESMARIA. Revista do Archivo Público Mineiro. Bello Horizonte: Imprensa Official. 1904.  n.º 9, p. 427. Foram concedidas sesmarias a Rodrigues Paes e a cada um de seus doze filhos. A família Garcia Paes possuindo grandes extensões de terras ao longo do Caminho Novo, escoava produtos agropecuários e abastecia os viajantes. “Desdeo início do século XVIII, quem chegasse ao porto do Paraíba vindo do Rio de Janeiro encontrava, na margem direita, uma venda de Garcia Rodrigues e “bastantes ranchos para os passageiros” e, na margem esquerda, a casa do guarda-mor, com “larguíssimas roçarias”.  (ANDRADE, 2008, p.175 a 180).
[18] Carijós é o primeiro nome do futuro município de Conselheiro Lafaiete, berço de Santana dos Montes, objeto deste Processo de Tombamento.
[19] A Estrada Real configura atualmente um circuito cultural e histórico composto por 177 municípios – 162 situados em Minas Gerais, 8 no Rio de Janeiro e 7 em São Paulo.
[20] CÓDICE Costa Matoso. Coleção das notícias dos primeiros descobrimentos das minas na América que fez o doutor Caetano da Costa Matoso sendo ouvidor-geral das do Ouro preto, de que tomou posse em fevereiro de 1749, & vários papéis. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro; Centro de Estudos Históricos e Culturais, 1999. Volume 1, p. 885.
[21] PIMENTA, 1971, p. 45.
[22] COSTA, 2005, p.139.
[23] Antes de 1964, a atual BR-040 era denominada BR 3. A partir de 1973 por meio do Plano Nacional de Viação passou à denomunação atual. O trecho de 260 Kms entre Juiz de Fora e Belo Horizonte corresponde basicamente ao Caminho Novo da Estrada Real.
[24] A BR 381 basicamente foi construída sobre o antigo Caminho Velho. Iniciada em 1959, somente foi concluída em 1961, Entre os anos de 1995 e 2005, a Fernão Dias foi duplicada entre Belo Horizonte e São Paulo pelos Departamentos de Estrada de Rodagem dos dois Estados.
[25] O Instituto Estrada Real entre os anos 2005 e 2006 instalou seis totens na cidade de Conselheiro Lafaiete, sendo que três já foram destruídos nas margens da BR 040 e MG 119. Fonte: Disponível na Internet: http://coloniaconstansa.blogspot.com.br/2011/09/itinerario-do-caminho-novo-em.html. Acessado em 04 de abril de 2013.
[26] Fazenda Carreira situada no município de Ouro Branco - Tombamento aprovado pelo Conselho Curador do IEPHA/MG em 07 de dezembro de 1999. Tombamento Homologado 15 de setembro de 2000 – Publicado SEC 19/09/2000 - Minas Gerais p.02, Col. 1. Livros do Tombo II, III.
Sítio da Varginha do Lourenço - Decreto Estadual nº 29399 de 21 de abril de 1989. Publicado no jornal Minas Gerais – Diário do Executivo em 25 de abril de 1989, pág. 01, Col.1. Livros do Tombo I, II.

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