PROTEUS EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

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BLOG VOLTADO PARA A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL - 16 ANOS NO AR

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL - HISTÓRIAS PARA CRIANÇAS

JOSÉ E O CASARÃO

 Autor: Carlos Henrique Rangel


José era um operário destes que fazem casas.

Que destroem casas.

Erguem edifícios onde havia casas.

Neste dia José não estava fazendo nem construindo edifícios.

Junto com outros operários estava demolindo uma grande e antiga casa.

Neste dia trabalhou muito, derrubando paredes com sua marreta, quebrando tijolos, destruindo pinturas.

Quando o dia terminou, sentou cansado em um degrau de escada.

Seus amigos foram embora, mas ele ficou mais um pouco olhando o trabalho feito. Adiantado, mas ainda não terminado.

Foi então que ouviu uma voz.

Voz rouca, quase distante.

-          José...
-          Quem está me chamando? Quem está aí? – Perguntou José se levantando.

-          Sou eu José – disse a voz.

-          Quem? Se mostre, por favor... – Pediu José assustado.

-          Já estou me mostrando, estou em toda parte – Disse a voz.

-          Não entendo... Que brincadeira é essa? – Perguntou José preocupado.

-          Não é nenhuma brincadeira, José. Sou eu, a casa que você destrói.- Disse a voz.

-          A casa? – Espantou José.

-          Sim, a casa.

-          Mas casas não falam – Respondeu José.

-          Casas falam e sentem José...
-          Devo estar sonhando...
-          Não José, você não esta sonhando. Te vi aqui sozinho e achei que podia conversar com você.

-          O que quer de mim? – Perguntou o operário tremendo.

-          Apenas conversar... Apenas falar... Apenas lamentar...

-          Lamentar?

-          É... Eu sofro sabia? Sofro por deixar esta terra que eu ví crescer.

-          Não sabia que as casas sentiam... – Exclamou José.

-          As casas sentem sim. E têm memória também. – Disse a voz.

-          Memória?

-          É, me lembro ainda do primeiro tijolo que fui, da casa que me tornei... O belo casal que abriguei... Marina nasceu no quarto lá em cima. Depois veio Manuel... Manuel cresceu e se casou. Veio morar em mim. Marina também se casou mas não ficou. Foi para longe... Vinha de vez em quando... Quando os pais morreram parou de vir...
Foi Manuel que me mandou pintar com os barrados coloridos de frutas. Sua mulher me trocou os vidros por estes que você ajudou a quebrar...

-          Desculpa – Pediu José.

-          É ... Ao meu redor a cidade ia mudando...Crescendo, se povoando... Os carros puxados a cavalo foram substituídos pelos carros a motor... Manuel comprou um ford... Um dia a mulher do Manuel faleceu e ele ficou só com os filhos.

-          Coitado... – Lamentou José.

-         Marcos, Maria e Fernanda brincavam muito descendo e subindo estas escadas... Rabiscavam-me com seus lápis, me derramavam tinta... Manuel ficava com raiva e me consertava. Eu não ligava... Até gostava...
-         Quietinha em meu lugar ouvia falar de guerras e rumores de guerras...Uma doença que matou muita gente... Gripe Espanhola...Manuel reformou o banheiro... Ficou lindo...

-          O que aconteceu depois? – Perguntou José.

-          Manuel ficou velho, os meninos cresceram, estudaram, casaram, mudaram... Quase não vinham mais... Eu e Manuel assistíamos as mudanças...As modas indo e vindo... O som do rádio, depois a televisão... Os prédios substituindo as casas amigas da vizinhança... Barulho, muito barulho... Aí Manuel morreu... Fiquei só de vez.

-          Os meninos não vieram ficar com você? – Perguntou José com os olhos cheios de lágrimas.

-          Ninguém me quis...Fiquei fechada um tempo...Os vidros sendo quebrados por meninos...Doía... A solidão doía mais...
De vez em quando um mendigo dormindo na varanda... O fogo de sua fogueira queimando as paredes...  Depois...Venderam-me, me esqueceram e aqui estou sendo demolida por vocês...

-           Mas que injustiça – Disse José.

-          É a vida José... – Disse a casa com sua voz fraquinha.

-          Mas toda esta história... Tudo será destruído com você... – Exclamou José.

-          Infelizmente é assim... Mas estou aliviada, pelo menos uma pessoa sabe.

-          Em tantos anos destruindo e construindo casas, nunca havia pensado que as casas pudessem ter vida.

-          Elas têm. Vidas impregnadas das vidas dos que a fizeram e habitaram. Nas paredes, nos lustres, no ranger de cada porta, um pouco dos habitantes permanece. A alma de um tempo, de vários tempos... Seus amores, suas dores, seus modos de viver e ver o mundo... Somos vivas porque abrigamos vidas... Muito mais que isto, abrigamos memórias...

José ficou pensativo.
-          É noite José, eu já não tenho mais luz para te iluminar. Vá
     para sua casa e pense em tudo que te contei. Amanhã eu
     sei, não estarei mais aqui.

José não disse nada. Pegou sua mochila e saiu da casa em ruínas.
Amanhã ele não voltaria.
FIM



2 - A CIDADE DO SONHO
 Autor: Carlos Henrique Rangel


Em uma cidade não muito distante, havia um homem que era muito rico, dono de muitas casas e lojas chamado Luciano. Um dia Luciano resolveu demolir uma velha casa que ficava no centro da cidade.

-          Uma cidade precisa crescer... E para crescer é preciso fazer coisas novas e modernas. O futuro é o concreto e os arranha-céus. Cidade progressista é aquela que tem grandes edifícios de concreto. Progresso, progresso, é disto que precisamos, uma cidade que acompanha o seu tempo...Por isso vou demolir esta velha casa e construir um lindo prédio. Nossa cidade não pode parar no tempo. Temos que acompanhar o progresso do mundo... – Dizia a todos o senhor Luciano com orgulho.

Muitas pessoas não se importaram. Alguns garotos e velhos não gostaram.

-          É um absurdo o que o Senhor Luciano vai fazer. Ele não pode demolir o casarão. – Disse o menino Gabriel.

-          Bobagem existem tantos... Um não vai fazer falta...- Falou um homem.

-          Vai sim... É assim que começa, primeiro derrubam um, depois outro... Uma casa ali outra acolá... E ai lá se vai a nossa memória... – Rebateu o velho senhor Juca.

-          Deixem que ele faça o que quiser, a casa é dele... – Disse uma moça.

- Não acho isto certo, com a destruição do casarão toda a cidade perde... – Falou o menino Gabriel.

-          Isto mesmo, temos que defender a nossa cidade. Se nós que moramos aqui não fizermos nada, ninguém mais fará. – Disse Pedro, o dono do cinema local.

-          Vocês deviam é cuidar das suas vidas, deixem o homem fazer o que quiser. – Falou novamente a moça.

- Isto não está certo... Ele não tem o direito de destruir parte da história de nossa cidade...

-          Tudo bem, mas o que vamos fazer?... O que podemos fazer? – Perguntou o senhor Juca.

- Não há nada a fazer... A não ser que vocês tenham muito dinheiro para comprar o casarão... – Disse um homem rindo.
-          Vamos falar com o Senhor Luciano, quem sabe conseguimos convencê-lo. – Falou Gabriel.

-          Boa idéia menino. Vamos lá na mansão falar com o Senhor Luciano, tenho certeza que ele vai mudar de idéia.

-          Isto mesmo temos que defender a nossa cidade. Se nós que moramos aqui não fizermos nada, ninguém mais fará.... Estranho, acho que alguém já disse isto...

Montaram uma comissão e foram até a mansão do homem rico, pedir para que não destruísse a casa.

-   Quanta gente, a que devo a honra desta visita? – Perguntou Luciano.

-  Senhor Luciano, Estamos aqui para pedir que em nome da história de nossa cidade não destrua o casarão... – Disse Gabriel.

-          Por que não? Ele é muito velho, já deu o que tinha que dar...

-          Por isto mesmo. Por que é uma casa do tempo em que a cidade nasceu.

-          Quantas coisas aconteceram ali... Alegrias e tristezas. Festas, aniversários... Velórios... – falou o velho senhor Juca.

- Daquelas janelas, quantos olhares viram o tempo passar, a vida passar... – Lamentou outro velho.

-          Lembro da Mariazinha sua avó, linda e faceira na janela sorrindo para todos que passavam...Os homens passavam devagar olhando apaixonados... – Continuou o velho senhor Juca.

-          Era linda...  Olhos brilhantes, lábios vermelhos como morangos... Dançávamos no grande salão nas festas de aniversários... A banda tocava lindas canções de amor e Mariazinha flutuava... Namorei  ela, lembra?

-    Sim, mas foi o avô do Senhor Luciano que casou com ela...

-          Chega de falar em minha avó que já morreu há muito tempo... A casa está  abandonada agora... Ninguém mais vive lá... O que passou, passou... – Gritou Luciano com raiva.

-          Pode ser usada. Nossa cidade precisa de uma Biblioteca Pública.

-          Uma casa de cultura. – Disse um menino.

-          Porque não um museu!? Nossa cidade não tem museu...
-          Chega! Que engraçado, vocês falam da casa como se fosse de todo mundo...Já decidi, vou construir no lugar um prédio enorme, cheio de lojas. E vocês... Saiam da minha casa, me deixem em paz. – Falou Luciano nervoso.
-          Mas Senhor Luciano...

- Chega de mas... O casarão é meu e faço o que quiser... No futuro vocês vão me agradecer...

O grupo foi embora triste por não ter conseguido convencer o homem rico.

-          Que atrevimento deste povo vir aqui na minha casa e me dizer o que eu devo fazer com o casarão... Ora bolas, Biblioteca... Vejam só...

Luciano então fechou a porta de sua casa e foi deitar no sofá da sala ainda com raiva.
E dormiu. E sonhou. Sonhou que estava numa rua barulhenta, cheia de carros, onde quase não se via o Sol por causa dos prédios.

Luciano andava pela rua em meio a multidão nervosa. Havia muita gente. Gente triste e suada por causa do calor que fazia. Luciano olhava para um lado e para o outro e não via uma árvore. Os prédios pareciam iguais. As pessoas pareciam iguais. Caminhou então pela rua até chegar em uma praça. Uma praça sem árvores, com uma igreja enorme de concreto.
Luciano a achou feia. Sentou em um banco da praça e ficou vendo todo aquele barulho, sentindo muito calor e muita saudade de sua cidade.
 
-          Que cidade é essa? Que lugar triste e feio. Onde será que estou? – Lamentou sem entender nada.
Resolveu saber perguntando a alguém: Um menino que passava.
 
-          Ei menino, que cidade é essa?
O menino riu.

-          Ora senhor Luciano, não reconhece? Essa é a sua cidade.
 
-          Minha cidade? Mas onde estão os casarões? Onde está a Matriz? E a praça?
 
-          Os casarões foram demolidos, eram muito velhos. A Matriz, ora, o Padre quis uma igreja maior.
 
-          E a praça? Onde está aquela bela praça cheia de árvores?
 
-          Está aí, não esta vendo?

-          Mas não pode ser... Onde está a casa do Manuel, meu amigo? E a casa da Dona Cotinha...? Onde está a padaria do seu Juca? E o cinema, onde eu costumava ir ver os filmes de aventuras...?
Luciano não conseguia entender. Aquela não parecia a sua cidade.
Não havia mais nada que lembrasse o seu passado.
- Ei você, O que aconteceu com o cinema? – Perguntou a um transeunte.

-          Ah... Aquele monstrengo? Foi demolido, Ninguém mais ia assistir filmes lá.

-          Mas era tão bonito... E a padaria do seu Juca, o que aconteceu com ela?

-          Ora seu Luciano, Todo mundo agora compra pão na padaria moderna lá do Supermercado.

-          Eu não entendo mais nada... Onde será que está a minha mansão... Ficava aqui nesta rua...

Saiu andando procurando a sua mansão. Não encontrou.
Em seu lugar havia um feio edifício de vinte andares.

-          Nossa Senhora, cadê a minha casa? Quem foi o atrevido que construiu este prédio aqui?

Saiu caminhando triste pela avenida Principal. Barulhenta e cheia de placas, não lembrava em nada a avenida que conhecia, cheia de árvores e casarões coloridos.
Chegou finalmente enfrente a um velho prédio que estava sendo demolido.

-          O que está acontecendo?

-          Estamos demolindo este prédio. Foi o primeiro da cidade, mas agora não serve mais, vão construir um prédio mais moderno em seu lugar.

-          O primeiro?

-          É, não se lembra Senhor Luciano? O senhor demoliu o casarão que existia aqui e construiu este prédio.

-          Eu? – Perguntou espantado Luciano.

-          Sim Senhor. Depois deste vieram os outros.

-          O padre gostou da idéia e demoliu a velha igreja...

-          O prefeito achou que as árvores da praça e da avenida escureciam a cidade e mandou cortar...
-          Ficou melhor não acha?
-          Não, não acho... Faz um calor danado aqui... Não tem sombra, nem canto dos pássaros... O povo parece triste e apressado... Os prédios são feios e iguais...  Não sobrou nenhum casarão?
-          Claro que não. Nossa cidade é moderna. – Disse o homem.
-          E ser moderno é isso? Não reconhecer mais nada na nossa cidade? É ficar perdido como se estivéssemos em terra estranha?

Luciano começou a chorar... E foi chorando que acordou. Levantou depressa e correu para a janela. Lá fora a cidade brilhava com seus velhos casarões coloridos. A torre da igreja despontava alta e pássaros cantavam nas árvores da avenida. Luciano limpou o suor da testa aliviado e correu para o casarão. Aquele que ele queria demolir e os velhos e garotos queriam salvar.
 
Luciano chegou a tempo de impedir a sua demolição.
 
-          Parem os trabalhos. – Gritou com toda sua força.
 
-          O senhor não vai mais demolir o casarão? – Perguntou um operário.
 
-          Não. Este casarão faz parte da nossa história. Vamos transformá-lo em uma biblioteca, ou quem sabe em um museu. O certo é que não será mais demolido e voltará a fazer parte da vida de nossa cidade.
 
-          E o progresso?
 
-          Preservar nosso passado também é progresso. Os nossos casarões, sobrados, casas simples, nossas igrejas... Cheios de suor, lágrimas, alegrias, vivências, esperanças e fé do povo é que diferenciam a nossa cidade das outras. Nossas praças e ruas estão impregnadas das vidas de nossos bisavôs, avós e pais e merecem respeito. Nossas festas são as nossas festas... Diferentes das festas das outras cidades vizinhas.  Progresso não é viver em uma cidade sem rosto igual a tantas outras. Progresso é conciliar o velho e o novo, as manifestações tradicionais com as novas tecnologias. Os prédios novos podem ser construídos em outro lugar fora do centro da cidade, sem afetar o nosso passado.
 
-          Isto mesmo Senhor Luciano. Preservar é crescer com identidade... – Gritou um menino todo alegre.
 
-       É continuar com dignidade... – Falou o Senhor Juca.

-       Viva o Senhor Luciano! – Gritou um outro senhor.
 
-    Viva ! – Gritaram todos.
E assim, gritando vivas o grupo de preservacionistas, operários e o Senhor Luciano se abraçaram felizes. Alguém trouxe um pandeiro, outros um tambor, uma cuíca e uma viola.
Toda a avenida Principal virou uma grande festa.

FIM


3 - UMA ANTIGA BRINCADEIRA
 Autor: Carlos Henrique Rangel


Uma vez por semana José e seus amigos se encontravam na praça.

Andavam de bicicleta, patins ou às vezes jogavam bola.

Neste dia deram muitas voltas de bicicleta pelos canteiros, mas ao contrário dos outros dias, José não achou divertido.

Parou de andar e esperou os amigos.

-          Jorge! Júlio! Pedro! – Gritou.

-          O que foi José? Porque você parou de andar? – Perguntaram.

-          Está chato andar de bicicleta, vamos brincar de outra coisa... – disse José.

-          Mas brincar de que? – Perguntou Pedro.

-          De bola? – Perguntou Jorge.

-          Patins...? – gritou Júlio.

-          Não gente, isto agente faz sempre. Vamos brincar de outra coisa.

-          Mas de que? – Perguntaram todos.

O Seu Manuel, o pipoqueiro da praça, que ouvia a conversa resolveu ajudar.

-          Posso dar uma sugestão? – Perguntou ele.

-          Ora Seu Manuel, o que o senhor entende de brincadeiras?

-          Perguntou José.
-          Já fui criança também.

-          Mas foi há muito tempo. – Disse Pedro rindo.

-          Criança é sempre criança, não importa o tempo. – Respondeu o Seu Manuel.

-          De que o senhor brincava no seu tempo? – Perguntou Jorge.

-          Brincava de muitas coisas: ”Pegador de Lata”, “Rouba Bandeira”, de “Artista”...
-          Pegador de Lata? – Perguntou Jorge.
-          Rouba Bandeira? – Estranhou José.

-          Artista? – Exclamou Pedro.

-          É, estas e outras brincadeiras, todas divertidas. – Disse o Pipoqueiro.

-          Tá bom Seu Manuel, ensina para gente então uma destas brincadeiras. – Pediu José.

-          Está bem, hoje vou ensinar a brincar de “Pegador de Lata”... Primeiro para se brincar de “Pegador de Lata” é preciso uma lata.

-          Ai, ai, não temos nenhuma lata. – Disse Pedro.

-          Serve um tênis? – Perguntou Júlio.
-          Serve – Respondeu o Seu Manuel rindo.

-          E depois?

-          Com a lata na mão ou no nosso caso, com o tênis na mão, escolhemos um pique.

-          Pique?

-          É, um lugar para se colocar a lata, quero dizer, o tênis. – Falou o Seu Manuel explicando.

-          Pode ser o banco? – Perguntou Jorge.

-          Pode... Aí, a gente decide quem vai ser o primeiro Pegador...

-          Como vamos fazer isto? – Perguntaram.

-          Pode se tirar no “Par ou Impar”, ou por livre escolha mesmo.

-          Tá bom, e aí? – Perguntou José.

-          Aí, alguém joga a lata bem longe...

-          O tênis... – Corrigiu Júlio.

-          Isto, o tênis... Todos os outros correm para se esconder, de menos o Pegador...

-          Por quê?  – Perguntou Pedro.

-          Oh seu bobo, é porque o Pegador vai ter que buscar a lata...
-          O tênis – Corrigiu novamente Júlio.
-          Isto mesmo. O pegador vai buscar a lata... Quero dizer o tênis. – Falou o Seu Manuel.

-          O que acontece depois? – Perguntou José.

-          Agora o Pegador deixa o tênis no pique e vai ter que procurar os outros meninos.

-          Quando encontrar um deles, tem que pegar o tênis e bater no banco gritando “um, dois três, no fulano ali atrás da árvore...”

-          Se ele estiver atrás da árvore, né? – Perguntou Júlio.

-          Claro né mané... – Gritou José.

-          Isto mesmo... A brincadeira termina quando o Pegador tiver encontrado todos os participantes ou se um deles salvar todo mundo...

-          Salvar? – Perguntaram todos.

-          É... Se um dos participantes alcançar o tênis primeiro antes do Pegador, ele tem que gritar “Um, dois, três salvo todo mundo”. Aí começa tudo de novo, com o mesmo Pegador...

-          E se ninguém salvar? – Perguntou Jorge.

-          Aí o próximo Pegador vai ser o menino que foi pego primeiro.

-          Que brincadeira legal... Todos topam brincar de “Pegador de Lata?” – Perguntou José.

-          De tênis... – Corrigiu de novo Júlio.

-          Tá bom... Todos topam brincar de “Pegador de tênis?”
Todos gritaram sim em uma só voz.

-          Então vamos... Quem vai ser o Pegador? – Perguntou José.

-          O Júlio,  porque é o mais chato. – Disse Pedro.

-          Tudo bem, eu topo, mas o tênis tem que ser de marca. – Disse Júlio.

E assim os meninos começaram uma nova brincadeira.
Seu Manuel sabia, na semana seguinte teria que ensinar novas antigas brincadeiras.


FIM

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