RUAS DO PASSADO
Autor: Carlos Henrique Rangel
Eu já andei
Por essas ruas
No passado...
Passou
Mas ficou
No ontem
De minha
juventude.
Bebi meu suor
Nessas ruas...
No passado...
E a saudade
É um brinquedo
Antigo que ficou
Na memória.
Meus caminhos
De ontem
Só lembro...
Não sigo mais.
Respirei
Um pouco de Passado
E me senti melhor
Mas diferente.
Eu respirei
Um pouco de passado
Em suas ruas
Mas o passado
Passou
E o que ficou
É memória
Presente...
Nos suportes
Eu lembro...
A gente lembra...
Vejo minha origem
No passado presente
E me sinto
Diferente...
Igual à terra...
Parte.
Eu respirei
O passado presente
E me senti melhor,
Diferente...
Melhor...
Mas diferente.
PROTEUS EDUCAÇÃO PATRIMONIAL 22 ANOS
PROTEUS EDUCAÇÃO PATRIMONIAL 22 ANOS
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
SENTIDO
Autor: Carlos Henrique Rangel
O que tem
Sentido
Eu sinto.
Mas o sentido
Eu senti
Quando conheci.
Eu dei
Sentido
Ao que conheci
Quando conheci.
Antes...
Não via sentido
ao que via.
Mas quando
Ví e percebi
Entendi
Conheci
E o sentido
Vi...
E senti.
Tudo tem
Sentido
Quando
Tem relação
Comigo.
Quando
Tem sentido,
Quando sinto,
Quando
Percebo o sentido.
Autor: Carlos Henrique Rangel
O que tem
Sentido
Eu sinto.
Mas o sentido
Eu senti
Quando conheci.
Eu dei
Sentido
Ao que conheci
Quando conheci.
Antes...
Não via sentido
ao que via.
Mas quando
Ví e percebi
Entendi
Conheci
E o sentido
Vi...
E senti.
Tudo tem
Sentido
Quando
Tem relação
Comigo.
Quando
Tem sentido,
Quando sinto,
Quando
Percebo o sentido.
SOPRO DO TEMPO
Autor: Carlos Henrique Rangel
O tempo soprou
E meus cabelos
Se tingiram de Branco.
O tempo se moveu
E eu que era eterno
Me vi pó.
O sopro do tempo
Beijou minha face
E vincou minha pele
Com caminhos
De lágrimas.
O tempo soprou
Em minha rua
E jogou por terra
O sobrado.
E asfaltou
Seus caminhos...
A praça sentiu o tempo
O coreto se desfez
E os canteiros morreram...
O sopro do tempo
Me assusta
E eu não piso
Mais no rio...
O tempo soprou
Suas pragas
E eu chorei
Minhas dores
Refugiando
No passado.
Autor: Carlos Henrique Rangel
O tempo soprou
E meus cabelos
Se tingiram de Branco.
O tempo se moveu
E eu que era eterno
Me vi pó.
O sopro do tempo
Beijou minha face
E vincou minha pele
Com caminhos
De lágrimas.
O tempo soprou
Em minha rua
E jogou por terra
O sobrado.
E asfaltou
Seus caminhos...
A praça sentiu o tempo
O coreto se desfez
E os canteiros morreram...
O sopro do tempo
Me assusta
E eu não piso
Mais no rio...
O tempo soprou
Suas pragas
E eu chorei
Minhas dores
Refugiando
No passado.
domingo, 13 de dezembro de 2009
VOVÔ CARLOS E RITA – PATRIMÔNIO, O QUE É?
autor: Carlos Henrique Rangel
Vovô Carlos estava sentado na varanda lendo jornal quando Rita chegou de mansinho.
- Vovô, posso te fazer uma pergunta? – Perguntou a menina.
O avô fechou o jornal e sorriu.
- Claro minha neta, O que você quer perguntar?
- Vi na televisão que é importante preservar o patrimônio cultural... Não entendi muito bem o que eles queriam dizer...
- Você quer saber o que é patrimônio cultural?
- É, mostraram igrejas e cidades com casas antigas...
- Pois é minha neta. Patrimônio cultural são igrejas e casas antigas e muitas outras coisas...
- Mas porque temos que preservar tudo isto? – Perguntou a menina sentando ao lado do avô ali naquele banco confortável da varanda.
- Bem Rita, vamos pensar um pouco...Quando você quer chamar o seu irmão como você faz?
- Uai Vovô, eu grito o nome dele...
- Qual é o nome dele?
-Ora vovô, é Paulo... Paulinho... O senhor sabe...
-Paulinho... Se eu falar Paulinho você sabe de quem eu estou falando não é?
-É...
- Pois então... Apesar de existirem outros meninos com nome Paulo, para nós da família, Paulo é o nosso Paulinho, seu irmão.
- É mesmo...
-Mas será que nós só conseguimos identificar o Paulinho pelo nome? – Perguntou o avô.
-Acho que não...
-O que mais é o Paulinho?
-Um menino de dez anos,de cabelos pretos,chato...
-Inteligente e bonito – Completou o avô.
-Tá bom, inteligente até pode ser mas bonito...
O Vovô riu.
-Está vendo? Conseguimos identificar o Paulinho... E Você? Quem é você?
-Eu? Eu sou a Rita, menina de seis anos, de cabelos pretos com tranças, que gosta de desenho e de desenhar, de ver novela e das estórias do meu avô. – Disse ela sorrindo.
-Menina inteligente, bonita, sapeca, curiosa...
-é...
-E essa menina Rita tem coisas que são só dela, não é?
-É sim. Tenho um quarto, uma cama, muitos vestidos, muitas bonecas e brinquedos e o cachorrinho que papai me deu...O Totó.
-Muitas coisas... E essas coisas são muito importantes para você?- Perguntou o avô.
Ah são...
-Por quê? – Perguntou Vovô Carlos.
-Porque eu gosto delas...
-Te fazem feliz?
-Fazem...
-Por quê?
-ah, vovô, o quarto é onde fico brincando com o Totó, com as bonecas... A cama é tão macia...
-Quando você viaja fica com saudades delas?
-Fico... Até acho estranho a cama dos lugares...
-E se sua mãe pegasse a sua cama, suas bonecas e o Totó e desse para alguém deixando o seu quarto vazio?
-Nossa Vovô! Mamãe não ia fazer uma coisa dessa comigo...
-Eu sei que não... Mas vamos fazer de conta...
-Eu ia ficar muito triste... Ia chorar muito... Como eu ia brincar? Com quem ia brincar? Onde ia dormir? – Disse a menina nervosa.
-Essas coisas todas são os seu bens... O seu patrimônio...São importantes para você e até falam muito de como você é e vive...O Paulinho tem as coisas dele. Seu pai e sua mãe também...Eu também tenho. E cada coisa fala um pouco do seu dono. Contam alguma coisa sobre ele.
-É mesmo... O Paulinho gosta de futebol... Tem uma bola toda velha que ele adora...
-Somos todos diferentes fisicamente e nos gostos... Temos coisas que são importantes para nós...Eu tenho fotos que me lembram da minha juventude...De vez em quando folheio o álbum para matar a saudade...
-Mamãe também tem fotos dela e nossa...
-Minha filha, assim como nós temos nossa maneira de ser e coisas que são importantes para nós como indivíduos, existem aqueles bens que são importantes para todos nós juntos...
-A casa?
-A casa para a nossa família é muito importante. Para as pessoas do bairro, a praça, o supermercado, a rua são importantes...
-A escola é muito importante para mim e para todos os meus colegas...
-Viu? Como vivemos em grupos existem coisas que são importante para o grupo por vários motivos: Padaria, supermercado,ônibus, locadora, restaurante...
Existem outros bens que são importante porque identificam uma comunidade.
-Como a cor do meu cabelo?
-Mais ou menos isto... Um lugar que conta parte da história daquele povo, uma festa que todo mundo gosta, uma igreja que todo mundo freqüenta, um parque, uma casa antiga...
-Minha escola tem cinqüenta anos...
-Ela é muito importante não só por ser antiga mas porque fez parte e faz parte da vida de muita gente.
Então é isto que é patrimônio cultural? Essas coisas que são importantes para toda a cidade?
-Para uma cidade ou um bairro ou uma comunidade ou um grupo de pessoas...
Elas identificam e diferenciam a cultura dos grupos e cidades como as suas coisas te identificam e te diferenciam do Paulinho e de suas colegas.
Essas suas coisas falam um pouco de você. Os bens culturais falam do grupo.
-Então é muito importante preservar o Patrimônio Cultural, né?! Se agente não preservar vamos ficar todos tristes, perdidos como eu ficaria se mamãe tirasse as minhas coisas...
- Isto mesmo menina. Preservar o patrimônio cultural é preservar a nós mesmos... Viveremos melhor se cuidarmos da nossa terra e das coisas que fizemos ou que os antigos deixaram para nós.
-Vovô...
-Sim minha neta.
-Vamos brincar na praça?
-Vamos. – Disse Vovô Carlos se levantando.
(Sempre um começo)
autor: Carlos Henrique Rangel
Vovô Carlos estava sentado na varanda lendo jornal quando Rita chegou de mansinho.
- Vovô, posso te fazer uma pergunta? – Perguntou a menina.
O avô fechou o jornal e sorriu.
- Claro minha neta, O que você quer perguntar?
- Vi na televisão que é importante preservar o patrimônio cultural... Não entendi muito bem o que eles queriam dizer...
- Você quer saber o que é patrimônio cultural?
- É, mostraram igrejas e cidades com casas antigas...
- Pois é minha neta. Patrimônio cultural são igrejas e casas antigas e muitas outras coisas...
- Mas porque temos que preservar tudo isto? – Perguntou a menina sentando ao lado do avô ali naquele banco confortável da varanda.
- Bem Rita, vamos pensar um pouco...Quando você quer chamar o seu irmão como você faz?
- Uai Vovô, eu grito o nome dele...
- Qual é o nome dele?
-Ora vovô, é Paulo... Paulinho... O senhor sabe...
-Paulinho... Se eu falar Paulinho você sabe de quem eu estou falando não é?
-É...
- Pois então... Apesar de existirem outros meninos com nome Paulo, para nós da família, Paulo é o nosso Paulinho, seu irmão.
- É mesmo...
-Mas será que nós só conseguimos identificar o Paulinho pelo nome? – Perguntou o avô.
-Acho que não...
-O que mais é o Paulinho?
-Um menino de dez anos,de cabelos pretos,chato...
-Inteligente e bonito – Completou o avô.
-Tá bom, inteligente até pode ser mas bonito...
O Vovô riu.
-Está vendo? Conseguimos identificar o Paulinho... E Você? Quem é você?
-Eu? Eu sou a Rita, menina de seis anos, de cabelos pretos com tranças, que gosta de desenho e de desenhar, de ver novela e das estórias do meu avô. – Disse ela sorrindo.
-Menina inteligente, bonita, sapeca, curiosa...
-é...
-E essa menina Rita tem coisas que são só dela, não é?
-É sim. Tenho um quarto, uma cama, muitos vestidos, muitas bonecas e brinquedos e o cachorrinho que papai me deu...O Totó.
-Muitas coisas... E essas coisas são muito importantes para você?- Perguntou o avô.
Ah são...
-Por quê? – Perguntou Vovô Carlos.
-Porque eu gosto delas...
-Te fazem feliz?
-Fazem...
-Por quê?
-ah, vovô, o quarto é onde fico brincando com o Totó, com as bonecas... A cama é tão macia...
-Quando você viaja fica com saudades delas?
-Fico... Até acho estranho a cama dos lugares...
-E se sua mãe pegasse a sua cama, suas bonecas e o Totó e desse para alguém deixando o seu quarto vazio?
-Nossa Vovô! Mamãe não ia fazer uma coisa dessa comigo...
-Eu sei que não... Mas vamos fazer de conta...
-Eu ia ficar muito triste... Ia chorar muito... Como eu ia brincar? Com quem ia brincar? Onde ia dormir? – Disse a menina nervosa.
-Essas coisas todas são os seu bens... O seu patrimônio...São importantes para você e até falam muito de como você é e vive...O Paulinho tem as coisas dele. Seu pai e sua mãe também...Eu também tenho. E cada coisa fala um pouco do seu dono. Contam alguma coisa sobre ele.
-É mesmo... O Paulinho gosta de futebol... Tem uma bola toda velha que ele adora...
-Somos todos diferentes fisicamente e nos gostos... Temos coisas que são importantes para nós...Eu tenho fotos que me lembram da minha juventude...De vez em quando folheio o álbum para matar a saudade...
-Mamãe também tem fotos dela e nossa...
-Minha filha, assim como nós temos nossa maneira de ser e coisas que são importantes para nós como indivíduos, existem aqueles bens que são importantes para todos nós juntos...
-A casa?
-A casa para a nossa família é muito importante. Para as pessoas do bairro, a praça, o supermercado, a rua são importantes...
-A escola é muito importante para mim e para todos os meus colegas...
-Viu? Como vivemos em grupos existem coisas que são importante para o grupo por vários motivos: Padaria, supermercado,ônibus, locadora, restaurante...
Existem outros bens que são importante porque identificam uma comunidade.
-Como a cor do meu cabelo?
-Mais ou menos isto... Um lugar que conta parte da história daquele povo, uma festa que todo mundo gosta, uma igreja que todo mundo freqüenta, um parque, uma casa antiga...
-Minha escola tem cinqüenta anos...
-Ela é muito importante não só por ser antiga mas porque fez parte e faz parte da vida de muita gente.
Então é isto que é patrimônio cultural? Essas coisas que são importantes para toda a cidade?
-Para uma cidade ou um bairro ou uma comunidade ou um grupo de pessoas...
Elas identificam e diferenciam a cultura dos grupos e cidades como as suas coisas te identificam e te diferenciam do Paulinho e de suas colegas.
Essas suas coisas falam um pouco de você. Os bens culturais falam do grupo.
-Então é muito importante preservar o Patrimônio Cultural, né?! Se agente não preservar vamos ficar todos tristes, perdidos como eu ficaria se mamãe tirasse as minhas coisas...
- Isto mesmo menina. Preservar o patrimônio cultural é preservar a nós mesmos... Viveremos melhor se cuidarmos da nossa terra e das coisas que fizemos ou que os antigos deixaram para nós.
-Vovô...
-Sim minha neta.
-Vamos brincar na praça?
-Vamos. – Disse Vovô Carlos se levantando.
(Sempre um começo)
terça-feira, 24 de novembro de 2009
QUARTA MARGEM
Autor: Carlos Henrique Rangel
Na quarta margem
à margem do mundo,
Os restos do mundo.
O que foi útil
E não é mais.
Na quarta margem
Desterrado, escondido
O que não quero mais.
Nas nebulosas
E turvas águas
Se escondem o podre
Do mundo.
Sufoca o rio
E os seus
E desterra
Para o nada
Para a quarta margem,
O podre do mundo.
Na quarta margem
Bem no fundo,
Na alma do rio,
O fim de tudo.
O fim do mundo.
O nosso mundo...
Autor: Carlos Henrique Rangel
Na quarta margem
à margem do mundo,
Os restos do mundo.
O que foi útil
E não é mais.
Na quarta margem
Desterrado, escondido
O que não quero mais.
Nas nebulosas
E turvas águas
Se escondem o podre
Do mundo.
Sufoca o rio
E os seus
E desterra
Para o nada
Para a quarta margem,
O podre do mundo.
Na quarta margem
Bem no fundo,
Na alma do rio,
O fim de tudo.
O fim do mundo.
O nosso mundo...
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
VELHO
Autor: Carlos Henrique Rangel
Esses moços
Pobres moços...
Não sabem
O que sei...
Não sei muito
Quase nada
mas só eu
Sei o que sei...
Sei de dores
E amores...
Lutas, vitórias
E perdas.
Coisas que
Só eu vivi...
Coisas que
Eu vi
Ninguém vê
Mais...
Meus olhos
Estão aqui
E o que viram
Não está mais...
Esses moços
Pobres moços...
Ignoram
O que sei...
Não importam
Minhas dores
Meus amores
Os lugares
que visitei.
Esses moços
Pobres moços
Não sabem
O que eu sei...
Autor: Carlos Henrique Rangel
Esses moços
Pobres moços...
Não sabem
O que sei...
Não sei muito
Quase nada
mas só eu
Sei o que sei...
Sei de dores
E amores...
Lutas, vitórias
E perdas.
Coisas que
Só eu vivi...
Coisas que
Eu vi
Ninguém vê
Mais...
Meus olhos
Estão aqui
E o que viram
Não está mais...
Esses moços
Pobres moços...
Ignoram
O que sei...
Não importam
Minhas dores
Meus amores
Os lugares
que visitei.
Esses moços
Pobres moços
Não sabem
O que eu sei...
CAVALEIROS DO APOCALÍPSE
Autor: Carlos Henrique Rangel
São quatro
Os moços parados.
E antigos.
Carregam livros...
Dois sentados
Dois em pé...
Nunca vi
Nem sei...
Há nomes
Em placa de prata
Mas não me dizem nada...
São homens
Antigos
E me faltam dados...
São quatro
Como cavaleiros bíblicos.
Importantes?
Devem ser...
Políticos?
Escritores?
Quem sabe?
Quem sabe
Não me diz muito.
Mas sei
Que são quatro...
Antigos...
E carregam livros...
Autor: Carlos Henrique Rangel
São quatro
Os moços parados.
E antigos.
Carregam livros...
Dois sentados
Dois em pé...
Nunca vi
Nem sei...
Há nomes
Em placa de prata
Mas não me dizem nada...
São homens
Antigos
E me faltam dados...
São quatro
Como cavaleiros bíblicos.
Importantes?
Devem ser...
Políticos?
Escritores?
Quem sabe?
Quem sabe
Não me diz muito.
Mas sei
Que são quatro...
Antigos...
E carregam livros...
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