PROTEUS EDUCAÇÃO PATRIMONIAL 22 ANOS

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terça-feira, 18 de agosto de 2026

RELIGIÕES DOS POVOS ANCESTRAIS AFRO-DESCENDENTES E INDÍGENAS

RELIGIÕES DOS POVOS ANCESTRAIS AFRO-DESCENDENTES E INDÍGENAS Organizado por Carlos Henrique Rangel. 1 -CANDOMBLÉ A religião afro-brasileira denominada Candomblé, tem suas raízes na sabedoria antiga dos povos Yorubás, Jejes e Bantus. Resgata os antigos ritos, danças e cantos do culto aos Orixás, sendo considerada muito mais uma maneira de viver e de conviver com o sagrado e as forças que regem a natureza, A palavra Candomblé significa dança ou dança com atabaques. Trata-se de uma religião monoteísta que chegou ao Brasil por meio dos negros escravizados que mesclaram suas crenças ao catolicismo, como forma de sobrevivência e autodefesa. As entidades ancestrais foram associadas aos santos católicos como camuflagem para o culto, fugindo à perseguição ferrenha das lideranças cristãs. Os chamados orixás representativos de força ou personificação da natureza foram visualmente identificados com o Cristo e outros santos cristãos. Acima destes orixás existe o chamado Deus único que, na tradição Ketu é denominado Olorum. Na tradição Bantus é Nzambi e para os que seguem a tradição Jeje é Mawu. Os orixás mais cultuados no Brasil são: Exu Significado: Esfera Dia da semana: Segunda-feira Cores: Vermelho (ativo) e preto (absorção de conhecimento) Saudação: Laroiê (Salve Exu) Instrumento: Associação: Sete ferros presos numa mesma base, voltados para cima Santo Antônio de Pemba ou santo Antônio Ogum Significado: Guerra (gun) Dia da semana: Terça-feira Cor: Azul escuro (cor do metal quando aquecido na forja) Saudação: Ogunhê, Olá, Ogum Instrumento: Associação: Espada de ferro São Jorge Oxóssi Significado: Caçador noturno (oxó, caçador; ossi, noturno) Dia da semana: Quinta-feira Cor: Azul turquesa (cor do céu no início do dia) Saudação: O Kiarô! ("okaaro" significa bom dia, na língua iorubá) Instrumento: Associação: Ofá (arco e flecha) São Sebastião Xangô Significado: Aquele que se destaca pela força Dia da semana: Quarta-feira Cores: Vermelho (ativo), branco (paz), marrom (a terra) Saudação: Kaô Kabiesilê; venham ver nascer sobre o chão Instrumento: Associação: Oxé (machado de pedra de lâmina dupla) (Oyá) São Pedro ou São Jerônimo Iansã Significado: Nove (ela teve nove filhos) Dia da semana: Quarta-feira (ou segunda-feira) Cores: Vermelho (ativo e fogo) ou marrom (a terra) Saudação: E Parrei! - Olá! Jovial e alegre ou Que bela espada! Instrumento: Associação: Iruexim (cabo de ferro ou cobre com um rabo de cavalo) Santa Bárbara Oxum Significado: Rio que passa por Oxogbo, cidade nigeriana Dia da semana: Sábado Cor: Dourada (amarela) Saudação: Ora ieiê ô!; brincar nas águas Instrumento: Associação: Abebê (espelho) Nossa Senhora Aparecida ou Nossa Senhora da Conceição Obá Significado: Rainha Dia da semana: Quarta-feira Cor: Vermelha Saudação: Obá xirê! - rainha poderosa, forte Instrumento: Adaga Logum Significado: Príncipe aclamado (Odé, relação com Ogum e Edé, ligação com Oxóssi) Dia da semana: Quinta-feira Cores: Azul-turquesa e amarelo (dourado) Saudação: Lóci, lóci, Logum! Grita seu brado de guerra, príncipe guerreiro! Instrumento: Ofá (arco e flecha) e abebê (espelho) Nanã Buruquê Significado: Originariamente néné/nana/nanã Dia da semana: Terça-feira Cores: Lilás ou branco rajado de azul Saudação: Saluba Nanã! - Salve, dona do pote da Terra! Instrumento: Associação: Ibiri (espécie de bengala) Nossa Senhora Sant’Ana Obaluaê Significado: Rei, senhor da terra Dia da semana: Segunda-feira Cores: Branco (paz e cura), preto (conhecimento) e/ou vermelho (atividade) Saudação: Atotô! Oto, Silêncio! Instrumento: Xaxará (espécie de bastão mágico) Ossaim Significado: Luz divina Dia da semana: Terça-feira (ou quinta-feira) Cores: Verde (cura) e branca (paz) Saudação: Eu, eu assa! - Oh, folhas! Instrumento: Haste metálica de sete pontas, com um pombo no centro Oxumaré Significado: Aquele que se desloca com a chuva Dia da semana: Terça-feira Cores: Amarela (conhecimento) e verde (saúde) Saudação: Arruboboí! - gbogbo, contínuo Instrumento: Serpente de metal Iemanjá Significado: Iya, significa mãe; Omo, filho; e Eja, peixe Dia da semana: Sábado Cores: Branco e azul (cristal translúcido) Saudação: O doiá! (odo, rio) Instrumento: Associação: Abebê (espelho) Nossa Senhora da Conceição Oxalá Significado: Luz branca (oxa, luz; e alá, branco) Dia da semana: Sexta-feira Cor: Branca Saudação: Epa, Babá! - Salve, pai! Instrumento: Associação: Paxorô (espécie de cajado) Jesus Cristo Ibeji/Erês Significado: Ib significa nascer; e eji, dois Dia da semana: Domingo Cores: Todas Saudação: Beje eró! - Chamar os dois! Instrumento: Associação: Não há São Cosme e São Damião A atual estrutura religiosa do Candomblé foi adquirida na Bahia em meados do século XVIII se consolidando no século XX. As cerimônias/ritos são, geralmente compostos de cânticos, danças, batidas de tambores, oferendas de alimentos, minerais, objetos e em certas ocasiões específicas, de sacrifício de alguns animais. Os filhos de santo usam trajes específicos com as cores e as guias que remetem ao seu orixá. Estes orixás possuem além das vestes específicas, objetos e alimentos diferenciados que são usados nos rito. Cada dia da semana é dedicado a um orixá. Um filho de santo conclui sua iniciação após sete anos. Os rituais são dirigidos por um pai ou mãe de santo – babalorixá e iyalorixá. A nomeação, sucessão de um líder do Terreiro ocorre por hereditariedade. Após séculos de perseguição e discriminação, em 15 de dezembro de 1975, a Lei Federal 6292, protegeu vários terreiros de Candomblé, considerando-os patrimônio material ou imaterial passível de tombamento. Cerca de 1,5% da população brasileira pratica essa religião. Atualmente, muitos terreiros de Candomblé tentam dissociar essa antiga relação com o catolicismo, rompendo com o sincretismo. 2 - UMBANDA – UM POUCO DE HISTÓRIA: Religião afro-brasileira, a Umbanda foi fundada em 1908 por Zélio Fernandino de Morais, tratando-se de uma fusão de diferentes tradições espirituais e culturais africanas, europeias e indígenas. Para seu fundador, Zélio de Morais, a Umbanda representava a manifestação dos espíritos voltados para a caridade, focando na crença na reencarnação, no trabalho mediúnico e na comunicação com os espíritos e o culto aos Orixás. O médium Zélio Fernandino de Morais, natural de São Gonçalo, Rio de Janeiro, teria incorporado o Caboclo das Sete Encruzilhadas e este espírito o teria influenciado e ajudado a criar a Umbanda, mesclando crenças e doutrinas do Espiritismo Kardecista, do Catolicismo e do Candomblé, além de algumas visões de crenças indígenas como o amor à natureza e o uso de ervas de poder durante as cerimônias. A nova religião logo se tornou popular no país e em outros países da América Latina. Durante os anos 1920/30, as religiões de matriz africanas sofrerem com o preconceito e repressão política, o que levou à união, organização e uniformização do culto visando com o intuito de tornar a religião mais aceitável pela sociedade. A primeira Federação de Umbanda surgiu em 1939, recebendo o nome de “União Espíritista de Umbanda do Brasil” – UEUB – cujo objetivo era representar a religião. Para evitar a perseguição, as casas de Umbanda passaram a usar o termo “espirita” visando a desafricanização da nova religião e diminuir o preconceito. Os anos de Ditadura Militar – 1964/1985 – a Umbanda foi utilizada como instrumento de legitimação do projeto nacionalista do regime ao mesmo tempo em era alvo de preconceito e perseguições. A partir da ascensão das igrejas neopentecostais nos anos 1980, intensificaram as perseguições e ataques aos Terreiros. No século XXI, a Lei n.11.635 de dezembro de 2007 criou o “Dia Nacional de Combate ao Preconceito Religioso” que buscava combater a discriminação e o desrespeito às religiões afro-brasileiras. A Umbanda com o passar do tempo foi se diversificando tendo variadas formas de cerimonial. Por ser uma religião sincrética, a Umbanda apresenta mesclas de várias religiões: Da religião Católica trouxe a adoração a Jesus e a incorporação de santos e orações. Do Candomblé, o culto aos Orixás que representam as forças da natureza e o respeito aos ancestrais. Das crenças indígenas, incorporou a valorização dos espíritos da natureza, os caboclos e o uso de erva sagradas nos ritos. E do Espiritismo, acrescentou a crença na reencarnação e a comunicação com os espíritos. As chamadas giras da Umbanda ocorrem em locais denominados Casa, Terreiro, Templo ou Barracão, acontecendo com frequência, cerimônias ao ar livre nas proximidades de matas, rios, cachoeiras e praias. As reuniões são comandadas por um dirigente espiritual denominado Pai ou Mãe de Santo, responsáveis pelos ensinamentos, conhecimento e doutrina. Nos terreiros ocorrem cerimônias religiosas/espirituais gratuitas com sessão de passes para energizar os participantes, descarrego destinado a aliviar as energias negativas e fortalecer. Durante os trabalhos os filhos de santo costumam usar roupas brancas As vestes mais usadas nestas cerimônias são na cor branca por simbolizar a pureza e a neutralidade. A Umbanda utiliza “pontos” que são cantigas para louvar, chamar e se despedir do orixá e as entidades, acompanhadas por atabaques. Cada Entidade/Orixá possui ritmo próprio. Algumas vertentes da Umbanda praticam sacrifícios de animais. Principais Entidades e Orixás cultuados pela Umbanda: Orixás - Oxalá/ Jesus Cristo: Símbolo da fé. - Oxum: Símbolo do amor. - Oxossi: Símbolo do conhecimento. - Xangô: Símbolo da justiça. - Ogum: Símbolo da lei. - Obaluaiê: Símbolo da evolução. - Yemanjá: Símbolo da geração. - Oyá: Símbolo do tempo. - Oxumaré: Símbolo da renovação. - Obá: Símbolo da concentração. - Egunitá: Símbolo da purificação. - Yansã: Símbolo da direção. - Nanã: Símbolo da decantação. - Omolu: Símbolo da esbilização. Entidades: - Cabloco: Espíritos de ancestrais indígenas. - Pretos-Velhos: Espíritos de ancestrais africanos escravizados. - Baianos: Entidades nordestinas que ajudam em questões de trabalho, fortalecimento moral e saúde. - Marinheiro/Marujos: Espíritos ligados ao mar. Ajudam na limpeza espiritual e emocional. - Erês: Espíritos de crianças ou infantis. Consolam os pais aflitos. - Malandros: Espíritos de pessoas espertas. Destaque para Zé Pilintra. Protetores dos marginalizados. - Pomba-gira: Espíritos femininos que lutaram contra as injustiças e preconceitos. Ajudam em questões ligadas a autoestima, ao amor, confiança e defesa das mulheres. Destaque para Maria Padilha, amante do Rei D. Pedro I de Castela. Mulher sensual e bem-vestida. - Boiadeiros. - Ciganos. - Orientais. 3 - O DAIME A ayahuasca usada nos ritos do Centro Eclético da Fluente Luz Universal Maurício Reis é uma bebida sagrada enteógena surgida com a união do cipó denominado jagube e das folhas da planta chamada de rainha ou chacrona. A origem da bebida sagrada remonta a milênios no tempo, sendo utilizada pelos os antigos incas e outros povos sul-americanos. As primeiras citações europeias se encontram nos relatos do missionário jesuíta Pablo Maroni, datado de 1737 e em 1768, no relato do jesuíta Franz Xavier Veigi, Esses religiosos a definiam como sendo uma bebida usada para “adivinhação” e “enfeitiçamento”. Seu uso se estende por mais de 72 povos originários amazônicos e pelas regiões do Peru, Equador, Bolívia, Colômbia e Brasil. A planta sagrada é considerada uma substância de propriedades curativas e desnintoxicadoras que pode reativar órgãos afetados por doenças e melhora quadros clínicos de dependência. No século XX, a ayahuasca foi bastante difundida na América do Sul e outras regiões, por religiões como a União do Vegetal, fundada em 1961, o Santo Daime, surgida entre os anos 1930/45, a Barquinha, datada de 1945 e as diversas religiões ecléticas menores. As religiões ecléticas ou neo-ayahuasqueiros fazem uma ligação entre as visões orientais, neoxamanistas e holísticas e as crenças dos povos da floresta, destacando-se entre elas o Centro Espiritual Estrela de Salomão, Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal Luz Paz e Amor, Núcleo Espiritual Rosa de Luz, Centro de Desenvolvimento Integral Luz do Vegetal, Centro Terapêutico Caminho do Coração Desenvolvimento Integral Luz do Vegetal, Centro Terapêutico Caminho do Coração, Irmandade Beneficente Natureza Divina, Templo Mãe D’Água, Escola da Rainha – Reino do Sol, Centro de Cultura Cósmica Suprema Luz Paz e Amor e a Família Jarinu Atlântida – Amor e Evolução dentre outras tantas variações menores. Atualmente, as autoridades governamentais e sanitárias e as religiões buscam padronizar o uso da bebida e reconhece-la como um patrimônio cultural de tradição indígena. No Brasil, em setembro de 1987, a Ayahuasca foi retirada provisoriamente da lista de substâncias alucinógenas. No entanto, somente em 23 de novembro de 2006, o Conselho Nacional de Política Sobre Drogas oficializou essa decisão. Em 25 de janeiro de 2010, o CONAD regulamentou o seu uso para fins religiosos vetando o seu uso comercial e turístico, sendo facultativo o cadastro das religiões e entidades que a utilizam. A Religião denominada Santo Daime surgiu no Estado do Acre na Amazônia, nas primeiras décadas do século XX, fundada pelo lavrador e descendente de escravizados, Raimundo Irineu Serra, que passou a ser conhecido como Mestre Irineu. Irineu, ao tomar a bebida teve a visão de um ser espiritual feminino, que lhe pediu para criar a religião de característica mariana cristã. Batizou a bebida ancestral indígena de “Dai-me Amor. Dai-me Firmeza”, nome que acabou sendo o nome da religião. Sua crença mescla tradições xamânicas, catolicismo popular, tradições caboclas, esotéricas e afro-brasileiras. A partir dos anos 1930, começou seus trabalhos religiosos com uma pequena comunidade. O movimento de expansão da doutrina se iniciou com a criação de centros religiosos liderados pelo Padrinho Sebastião Mota de Melo. Mestre Irineu faleceu em 6 de julho de 1971 e a comunidade se dividiu em duas correntes: A linha denominada Centro de Iluminação Cristã Luz, dirigida pela viúva de Mestre Irineu, Peregrina Gomes Serra, que segue a linha do Mestre Irineu, mantendo os ritos criados pelo fundador. E a linha, comandada pelo Padrinho Sebastião que está centrada no CEFLURIS – Centro Eclético de Fluente Luz Universal Raimundo Irineu Serra, registrada em 1974, com sede na cidade de Rio Branco. O Padrinho Sebastião, como era carinhosamente chamado por seus afilhados, faleceu em 20 de janeiro de 1990, no Rio de Janeiro, vítima de uma insuficiência cardíaca que o fez sofrer nos últimos anos. Além da viúva, senhora Rita Gregório de Melo, deixou aos filhos Alfredo e Waldete, respectivamente, a responsabilidade pela continuação de sua missão espiritual e de seu trabalho social e comunitário. Em 1987, foi criada uma associação de moradores, cuja diretoria é eleita periodicamente por seus sócios. Atualmente, a população da comunidade compreende cerca de mil pessoas, entre a vila e pequenas colocações ao longo do Igarapé Mapiá. Com o crescimento espontâneo registrado nas últimas três décadas e os desafios sociais e institucionais decorrentes, a Doutrina se espalhou por diversas regiões do Brasil e do mundo. O uso do Santo Daime como sacramento enteogênico em um trabalho espiritual de autoconhecimento obedece a regras rituais recebidas espiritualmente pelo Mestre Irineu e pelo Padrinho Sebastião. Não há uso indiscriminado, pois, como um sacramento, a bebida é somente distribuída em datas que obedecem ao calendário religioso anual e dentro das regras preestabelecidas. (História do Santo Daime. Disponível em: Flor de Jagupe. https://www.flordejagube.com. br/historia-do-santo-daime/. Acessado em 15 de agosto de 2026). O Daime tem como doutrina o uso ritualístico e sagrado da bebida denominada Ayahuasca. A prática espiritual é individual. Uma busca pelo autoconhecimento e da sabedoria. Os membros da Doutrina “Santo Daime” a consideram uma missão espiritual, que auxilia os adeptos na pratica do perdão e na evolução do ser humano. Durante os ritos utilizam cânticos e hinos religiosos acompanhados de maracás, violas, flautas, bongôs e atabaques. Outros tantos centros independentes das duas linhas surgiram ao longo das décadas, muitos deles sincretizando a doutrina com as crenças e ritos da Umbanda e do Hinduísmo. Marcos Moyses conheceu o Daime na cidade de Santa Luzia e resolveu criar a igreja em Nova Lima em 15 de janeiro de 1994, denominando-a Igreja Flor de Jagube. O grupo de devotos e seguidores escolheu o terreno comprado no mesmo ano da fundação da igreja, tendo como princípio a fidelidade à doutrina de Mestre Irineu e do Padrinho Sebastião, mantendo, contudo, a independência da Igreja do Acre. A doutrina consiste em buscar a conexão com o Divino em si. Estudo íntimo e a autodescoberta, focando na verdade, justiça, harmonia e amor. Os ritos começaram na casa que já existia no terreno adquirido no distrito de São Sebastião das Águas Claras. Dois anos depois – 1996 - construíram o Templo, com a contribuição dos membros. O calendário dos ritos da Igreja Flor de Jagube seguem o calendário católico. Os adeptos da religião utilizam as fardas como símbolo de pertencimento e a identificação com os princípios e valores da religião. Forma de expressar publicamente a devoção e adesão ao Daime. A cor branca simboliza a pureza e a paz interior. O verde representa a cura e a renovação. O fardamento no Santo Daime consiste geralmente de uma camisa branca de mangas compridas, calças brancas ou saias longas e cinto colorido. Os homens usam fadas nas cores branca e as mulheres usam fardas compostas de blusas brancas com faixas verdes nos ombros que se ligam ao saiote verde sobre a saia cumprida na cor branca. Em algumas ocasiões os homens usam fardas compostas de camisa branca, calças azul marinho e gravata azul. As mulheres usam blusas brancas com mangas curtas, saia cumprida azul marinho e gravata borboleta azul. No Santo Daime, o uso das fardas está intrinsecamente ligado à espiritualidade, ao autoconhecimento e à transformação pessoal. Ao vestir a farda, o praticante se coloca em um estado de abertura para receber as bênçãos do Santo Daime e se conectar com seu eu interior. Através das cerimônias, as fardas atuam como um instrumento para o desenvolvimento espiritual, auxiliando na busca pelo autoconhecimento, cura emocional e transformação pessoal. (A importância das fardas no Santo Daime: A simbologia dos trajes. Religiões. APP. Disponível em: https://religiao.app/importancia-fardas-santo-daime-simbologia-trajes/ Acessado em 17 de agosto de 2026). Realizam dois trabalhos mensais de 15 em 15 dias. A abertura da cerimônia é feita com três Pais Nossos, três Ave Maria e uma chave da Harmonia. Em seguida é feito o primeiro “despacho” do Daime, quando a bebida é distribuída. Os participantes são separados em seis batalhões sentados, cantam hinos elaborados pelo Padrinho Sebastião. Logo a bebida é consagrada novamente e as luzes são abaixadas. Há então, um período de 40 a 60 minutos de silêncio e, logo após, retomam o canto dos hinos a “capela”. O Daime é o Daime O Daime é o Daime Eu estou afirmando Éo Divino Pai Eterno E a Rainha Soberana O Daime é o Daime O professor dos professores É o Divino, Pai Eterno E seu filho Redentor O Daime é o Daime Eu agradeço com amor E quem me dá a minha saúde E revigora o meu amor Agradeço ao Santo Daime Agradecendo a todos seres E quem que manda agradece É o meu Pai Verdadeiro. (ALVARENGA, Alex Polari. O Livro das Mirações – Viagem ao Santo Daime. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1984, p.334). Ás vezes há leituras do evangelho e outros textos sagrados. Antes do fim dos trabalhos há uma fala temática. “O Rito cria a disciplina da cerimônia e dá a liberdade. Tudo dentro de uma disciplina”. Encerram os trabalhos orando três Pais Nossos, três Aves Marias, um Salve Rainha, uma fala e o sinal da cruz. A cerimônia dura em média 3 a 4 horas. Toda primeira segunda feira do mês ocorre uma santa missa com duração de 2 horas, dedica às alma Durante o ano ocorrem trabalhos oficiais festivos em que os fardados usam branco: Natal, Reis, São José, aniversário da Igreja, Festival Junino, aniversário do Padrinho Sebastião, 7 de setembro, Virgem da Conceição, aniversário do Mestre Irineu, dias das mães, dia dos pais, dia das crianças, finados, dia de São Miguel. Os “fardados” mantem parceria com escolas e comunidade e realizam campanha do agasalho para bebês. Um dos pilares da igreja Flor de Jagube é a responsabilidade socioambiental. Nesse sentido, desde 2019, está em atividade o trabalho de agrofloresta, com a inclusão dos jardins no sistema de plantio de alimentos, uma ação sustentável que faz a recuperação florestal do terreno. O trabalho foi desenvolvido e é realizado pelos próprios zeladores e integrantes da igreja, que promovem mutirões de plantio, cuidados, limpeza e todas as tarefas necessárias para a manutenção da cadeia produtiva. A FDJ está inserida na comunidade desde sua fundação, e o trabalho de agrofloresta é uma prática cristã, visando firmar a doutrina no viés da saúde e do bem-estar das pessoas por meio da alimentação. Essa ação está diretamente alinhada à missão do Santo Daime. (Flor de Jagube.Nossa História. Disponível em: https://www.flordejagube.com.br/nossa-historia/. Acessado em 15 de agosto de 2026). Atualmente, a Igreja Flor de Jagube conta com cerca de 150 fardados participantes dos trabalhos e praticam os valores da doutrina do Santo Daime. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Candomblé Desmistificado. Disponível em: https://candombledesmistificado. com/orixas/. Acessado em 12 de agosto de 2026. Candomblé. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/candomblé. Acessado em 12 de agosto de 2026. A importância das fardas no Santo Daime: A simbologia dos trajes. Religiões. APP. Disponível em: https://religiao.app/importancia-fardas-santo-daime-simbologia-trajes/ Acessado em 17 de agosto de 2026. ALVARENGA, Alex Polari. O Livro das Mirações – Viagem ao Santo Daime. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1984. Flor de Jagube. Nossa História. Disponível no Site. https://www.flordejagube. .com.br/mural-de-fotos/. Acessado em 15 de agosto de 2026. MOURA, Jorge Luiz de. Ex- Presidente da Igreja. [Entrevista concedida a Carlos Henrique Rangel]. 7 agosto, 2026. PINTO, Flávia. Umbanda religião brasileira: guia para leigos e iniciantes. Rio de Janeiro, Pallas, 2014. Santo Daime – A Doutrina da Floresta. Disponível em: https://www.santodaimehttps://www.santodaime. Acessado em 18 de agosto de 2026. SOARES, Djanete. Presidente.[Entrevista concedida a Carlos Henrique Rangel]. 7 agosto, 2026. SOUZA, Fabíola Amaral Tomé de. Umbanda e Ditadura Civil-Militar: relações, legitimação e reconhecimento. Revista Angelus Novus, São Paulo, Brasil, n°11, p. 13–32, 2017. Umbanda o que é, origem, orixás, pontos e terreiros. https://www.todamateria.com.br/umbanda/ . Acessado em 12 de agosto de 2026. VIEIRA, Carolina Ferreira. Umbanda: estrutura e rituais. Juiz de Fora, 2016. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado Interdisciplinar em Ciências Humanas). [Recurso Digital].

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