PROTEUS EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

PEDAÇOS DE PATRIMÔNIO


PEDAÇOS DE PATRIMÔNIO

 

“Não é preciso especular muito para descobrir que temos espaços concebidos como eternos e espaços transitórios, espaços legais e espaços mágicos, espaços individualizados e espaços coletivos. Tudo o que diz respeito ao poder político é, na nossa sociedade, conotado como duradouro ou eterno e marcado pelos monumentos e palácios. O poder como ordenador supremo do nosso mundo penetrado por todo o tipo de conflito situa-se naqueles espaços de confluência do tempo e de unidades sociais contraditórias ou problemáticas. Assim, nas cidades ocidentais, as praças e adros (que configuram espaços abertos e necessariamente públicos) servem de foco para a relação estrutural entre indivíduo (o líder, o santo, o messias, o chefe da igreja ou do governo) e o “povo”, a “massa”, a coletividade que lhe é oposta e lhe complementa. (...)
Pois bem, esses espaços são marcados por monumentos cuja função seria a de estabelecer em pedra, bronze, aço, concreto ou tijolo – algum material que seja supostamente imperecível, essa aliança entre intérprete e a massa, o líder e o povo, já que a rigor os dois são complementares e ambos sujeitos a determinações maiores que vêm do passado e do sistema de valores que opera pro inércia e inconscientemente.” (...)
(DA MATTA, Roberto. Casa, Rua & Outro Mundo: reflexões sobre o espaço e a sociedade. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional n. 19/1984, pág. 6.).
 

“Daqui por diante é preciso conservar sistematicamente, pois a degradação também é sistemática”

“Toda a história do patrimônio se confunde com a de uma morte perpétua, mas também com uma ressurreição”.

“Um dilema: a que preço se deve promover o prolongamento da vida? Que preço se quer impor”?”

“Conservar? Mas para quem? Mas como? Quem decide sobre isso? E com que meios?”

“Todo patrimônio é doação do passado e parte de nosso presente contínuo”

(PARENT, Michel. O Futuro do Patrimônio Arquitetônico. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional n. 19/1984, pág. 112 a 123).

 

 

“Um dos graves problemas com que se defrontam os países no mundo moderno é a perda da identidade cultural, isto é, a progressiva redução dos valores que lhes são próprios, de peculiaridades que lhe diferenciam as culturas.

Essa perda é, na verdade, a face negativa do acelerado processo de integração universal determinado pelo avanço tecnológico, que se propaga através de duas vertentes principais: a tecnologia do produto industrial e a tecnologia da comunicação audiovisual. A primeira, por sua escala de produção massificada, atua por intermédio dos grandes complexos industriais, hoje eminentemente multinacionais, induzindo ao consumo de produtos padronizados, nem sempre assimiláveis pelas diversas culturas que os recebem. A segunda, que em seu modo de operar está intimamente associada à primeira, permite acompanhar, vendo-se e ouvindo-se às vezes até instantaneamente, o que ocorre em qualquer ponto do mosaico internacional.”
(MAGALHÃES, Aloísio. Bens Culturais: instrumento para um desenvolvimento harmonioso. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional n. 20/1984, pág. 40 a 44).

 

“A idéia de transformar cada palácio em museu expõe a paisagem urbana ao risco da esclerose”
(BARTHÉLÉMY, Jean. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional n. 20/1984, pág. 40 a 44).

 

“A cidade é nossa casa... Cada grão arquitetural de que dispomos na cidade deve ser considerado, não como um elemento isolado, mas como a milionésima parte de um todo, que constitui o objetivo essencial da arquitetura"(Jan Tanghe)

 

“A obra arquitetural só terá sentido se ela se incorporar a seu contexto urbanístico, o qual é, de certa maneira, seu guia mais precioso. Eis por que torna-se indispensável reintroduzir-se o hábito de estudar as características morfológicas da ambiência física, no início de qualquer projeto arquitetural.” ”
(BARTHÉLÉMY, Jean. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional n. 20/1984, pág. 40 a 44).

 

“A marginalização da cultura popular acabou por lhe fortalecer enquanto reduto dos referenciais mais autônomos do processo cultural brasileiro”
(Joaquim Falcão. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional n. 22/1987, pág. 28).

 

“O conceito de patrimônio foi se antropologizando em tal proporção que passou a se mostrar sensível a toda e qualquer experiência social”
(MICELI, Sergio. SPHAN: Refrigério da Cultura Oficial. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional n. 22/1987, pág. 44 a 47).

 

“Segundo o Decreto-lei 25, “São também sujeitos ao tombamento os monumentos naturais, bem como os sítios e paisagens que importa conservar e proteger, pela feição notável com que tenham sido dotados pela natureza ou agenciados pela indústria humana”

Quer dizer, desde os anos 30 estava bem presente o conceito, hoje predominante, de patrimônio cultural: o todo constituído pela integração do homem à natureza. Orientada pelo referido decreto-lei, a pioneira ação  de proteção fundamenta-se, por um lado, no valor paisagístico excepcional atribuído a certos sítios e acidentes geográficos. Por outro, a proteção a determinados sítios, parques, e jardins deu-se em nome de seu valor histórico, arqueológico ou etnográfico.

Assim , o artigo 1, do Decreto-lei 25 oferece base legal para a proteção aos bens móveis e imóveis, “quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por  seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico”e, possibilitou também uma atuação de defesa da natureza nas suas relações com a cultura; atuação que não chegou, entretanto, a se concretizar com a amplitude e a eficácia desejáveis, em face do problema da carência de recursos financeiros e dos crescentes encargos decorrentes do trabalho de proteção ao patrimônio constituído pelos bens móveis e imóveis, monumentos e conjuntos urbanos.”

(...)

A conservação dos recursos de nosso patrimônio natural interessa ao Ministério da Cultura, se não pela proteção das condições naturais que condicionaram aspectos básicos de nossa cultura, no mínimo pela importância futura de recursos necessários à salvaguarda física de bens culturais relevantes do país.O interesse é ainda maior, pela responsabilidade de tutela do patrimônio da sociedade nacional, o que leva o Ministério a inventariar, reconhecer, classificar e cadastrar os bens culturais.

(XAVIER, Carlos Alberto Ribeiro de. A Natureza no Patrimônio Cultural do Brasil. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional n. 22/1987, pág. 44 a 47).

 

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