PROTEUS EDUCAÇÃO PATRIMONIAL 22 ANOS
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
O CASO CINE METRÓPOLE - A COMISSÃO ESPECIAL Excrecência administrativa contra o tombamento.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2025
ALGUNS CONCEITOS IMPORTANTES
ALGUNS
CONCEITOS IMPORTANTES
Organização: Carlos Henrique Rangel.
O que é Memória?
São nossas lembranças, aquilo que me faz
lembrar.
É a imagem viva de tempos passados ou presentes. Os bens, que constituem os elementos formadores do patrimônio, são símbolos que guardam a nossa memória, permitindo que o passado esteja ligado com o presente, transmitindo conhecimento e formando a identidade de um povo.
O que significa Identidade?
Tudo aquilo que diferencia e que
identifica o homem, um grupo social, político, étnico, religioso, etc., em
relação ao outro.
São as ações do homem para viver
em sociedade ao longo da história e do dia a dia.
A nossa identidade é construída todos os dias e, no entanto, antes que fossemos ela já existia em nossos antepassados.
Cultura o que é?
Conjunto de atividades e modos de
agir, costumes e instruções de um povo, meio pelo qual o homem se adapta ao
mundo, transformando a realidade.
Cultura é um processo em
permanente evolução, diverso e rico.
É o desenvolvimento de um grupo
social, uma nação, uma comunidade, fruto do esforço coletivo pelo aprimoramento
de valores espirituais e materiais.
Cultura é tudo
o que os seres humanos fazem produzem, constroem e vivenciam.
O modo de ser
fazer, viver, divertir de um grupo humano, coletividade ou comunidade.
As músicas, as
artes, as festas, os lugares modificados e construídos pelo ser humano como as
praças e as moradias, lugares de adoração como as igrejas e lugares públicos
como a prefeitura, o museu e a sua escola, representam a cultura de um povo.
Os lugares
naturais utilizados, contemplados e vivenciados pelo ser humano como reservas
florestais, parques ecológicos, montanhas, picos, nascentes e os próprios rios
também identificam um povo e sua cultura.
Todas essas
coisas que representam e identificam a cultura, falam um pouco dos seres
humanos.
Falam de uma comunidade, grupo, cidade, Estado, Nação ou de toda a Humanidade. E muitos deles são elevados a bens culturais.
O que são Bens Culturais?
É o registro (físico ou não) de elementos da realidade (cultural ou natural), passada ou presente. São todas as coisas materiais ou imateriais, capazes de contar algo sobre o momento cultural ou natural dos grupos sociais e comunidades ou de ecossistemas. As construções como igrejas e museus são bens materiais imóveis, assim como uma imagem ou um livro são bens imóveis. Uma festa é um bem imaterial.
O que é Patrimônio Cultural?
É o conjunto de bens culturais, de natureza material e/ou imaterial, que guarda em si referências à identidade, a ação e a memória dos diferentes grupos sociais, comunidades e cidades. É um elemento importante para o desenvolvimento sustentado, a promoção do bem-estar social, a participação e a cidadania.
Patrimônio cultural pode ser tangível e intangível:
Tangível:
é aquele constituído por bens materiais.
Divide-se
em:
-
Bens imóveis: monumentos, edifícios, sítios arqueológicos, elementos naturais
que tenham significado cultural;
-
Bens móveis: mobiliários, utensílios, obras de arte, documentos, vestuários,
etc.
Bens Intangíveis: São os bens imateriais. Ex. lendas, rituais, costumes, festas, etc.
Há também o Patrimônio Natural:
Patrimônio Natural: é constituído por bens cuja criação não recebeu interferência humana. Ex.: grutas, lapas, montanhas, rios, ecossistemas, jazidas, etc.
Qual o significado de Preservação?
É
a manutenção de um bem cultural no estado físico em que se encontra e a
desaceleração de sua degradação, visando prolongar a sua existência enquanto
patrimônio cultural.
Preservar
significa defender, conservar, resguardar.
É uma atitude de cuidado e respeito. Preservar também é dar destaque, relevância, importância, utilidade, publicidade.
Por que preservar?
Cada indivíduo é parte de um todo – da sociedade e do ambiente onde vive – e constrói, com os demais, a história dessa sociedade, deixando às gerações futuras, por meio dos produtos criados e das intervenções no ambiente, bens culturais capazes de falar da história de um povo para as gerações futuras. A destruição dos bens herdados das gerações passadas, causa o rompimento da corrente do conhecimento, levando-nos a repetir as experiências já vividas.
O que preservar?
Todos os bens de natureza material e imaterial, de interesse cultural ou ambiental, que possuam significado histórico, cultural, sentimental, afetivo, e que sejam capazes, no presente ou no futuro, de contribuir para a compreensão e manutenção da identidade cultural da sociedade que o produziu.
O que é Tombamento?
É um instrumento jurídico legal utilizado para proteger um bem cultural material. É um conjunto de ações, realizadas pelo poder público, que visa proteger e preservar os bens culturais devido aos seus valores histórico, artístico, arquitetônico, ambiental, afetivo e sentimental, impedindo a sua destruição e/ou descaracterização.
Preservar é o mesmo que tombar?
Não, a preservação pode existir sem o tombamento.
Tombar é o mesmo que desapropriar?
Não. A desapropriação torna de propriedade pública um bem. Já o tombamento não tira a posse do bem cultural.
O que é Conselho Municipal do Patrimônio Cultural - COMPAC?
É um órgão de assessoramento, integrante da estrutura pública municipal, composto por um grupo de pessoas representantes do poder público e dos diversos segmentos da sociedade, cujo objetivo principal é a preservação de bens de valor histórico-cultural.
Quem pode solicitar o tombamento?
A solicitação do pedido de tombamento pode ser feita pelo proprietário, pela sociedade, comunidades, grupos ou pelo COMPAC ou por entidades representativas da sociedade ou grupos ou dos órgãos municipais/estaduais/federais. O pedido deve ser devidamente descrito mediante justificativas.
Como se dá o processo de tombamento?
A
condição primordial para a abertura de um processo de tombamento é a
sensibilização da sociedade sobre a importância do patrimônio cultural.
Os
Conselhos, geralmente, funcionam da seguinte maneira:
- Um bem é indicado para tombamento;
- Abre-se um processo;
- Os Conselheiros definem, em reunião, e após
votação de seus membros, se iniciam
um Estudo de Tombamento;
- Caso aberto, e elaborado o Dossiê Técnico de
Tombamento, o proprietário é notificado podendo recorrer no prazo não inferior a 15 dias.
- Solicita-se um ou mais pareceres para a
análise do processo.
- Por fim, o parecer e o Dossiê é votado;
- Caso seja aprovado o tombamento, o processo
segue para lavrar-se o decreto de
Tombamento ou a homologação.
- Inscreve-se o bem no “Livro do Tombo”;
- Caso o tombamento não seja aprovado, o processo é arquivado.
Como preservar o Patrimônio Imaterial?
Patrimônio
Imaterial são os bens culturais intangíveis como as práticas, Representações de
festas religiosas ou populares, conhecimentos, técnicas, os lugares de
realizações de festas ou de manifestações culturais, os modos de fazer uma
comida ou instrumento.
Esse patrimônio deve ser protegido por meio do Registro do Patrimônio Imaterial, que foi instituído pelo Decreto Federal n.3.551/2000. No município, o Registro deve ser realizado pelo Setor do Patrimônio ou órgão afim com ajuda e aprovação das comunidades envolvidas e aprovado pelo COMPAC.
Como a sociedade pode auxiliar o COMPAC?
A sociedade deve atuar sempre em contato com o setor de cultura, do Patrimônio Cultural ou órgão afim do município que possui agentes de fiscalização da preservação e do uso dos bens tombados, denunciando ações de destruição, demolição ou mutilação e alterações não autorizadas (reforma, reparos, pintura, restauro).
O que é conservação?
São ações que visam à manutenção dos bens culturais, sem alteração de suas características, de modo a preservar seu significado cultural.
Conjunto de ações e de cuidados utilizados para fazer com que um bem cultural dure mais sem perder suas características. A utilização adequada de um bem cultural também pode ser considerada uma ação de conservação.
O que é restauração?
A restauração é um conjunto de atividades e ações que visam a manutenção ou retorno do estado original do bem cultural ou próximo deste. A restauração visa à volta ao estado anterior aos danos ocorridos devido a ação do tempo, ou do próprio homem em intervenções que descaracterizam um bem imóvel ou móvel. A restauração visa a garantir a permanência de um testemunho físico e real de época passada para gerações futuras.
Qual a diferença entre reforma e restauração?
A reforma não é necessariamente uma intervenção de especialistas em restauração; trata-se da simples transformação do objeto, adequando-o às necessidades do dia a dia sem a preocupação com o seu estado original.
É possível a convivência do novo com o antigo?
Não só é possível como desejável, pois a arquitetura antiga e contemporânea deve conviver harmoniosamente.
A quem se dirigir caso um bem tombado esteja sendo descaracterizado ou demolido?
Ao COMPAC e/ou ao setor de Cultura ou departamento de Patrimônio Cultural ou órgão afim do município..
O que é o ICMS Patrimônio Cultural?
A Constituição Federal determina que 75% do Imposto sobre a Circulação de Mercadoria e Serviços - ICMS dos Estados deve ser repassado aos municípios de acordo com o volume de arrecadação e os outros 25% devem ser repassados conforme a regulamentação dada por Lei Estadual.
Em 28 de dezembro de 1995, o governo mineiro criou a Lei n.º 12040/95 que estabeleceu a redistribuição do ICMS através de novos critérios. Assim, passaram a ser considerados os seguintes itens: a população, a área territorial e a receita própria de cada município, e os investimentos em educação, saúde, agricultura, preservação do meio ambiente e do patrimônio cultural.
No caso do Patrimônio Cultural coube ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais - IEPHA/MG, a elaboração e implementação dos critérios para o repasse de recursos dos recursos do ICMS aos municípios. No texto da Lei 12040/95 foi publicada a tabela de pontuação e no início de 1996 o IEPHA, definiu a documentação que os municípios deveriam apresentar anualmente para fazerem jus a pontuação correspondente e receber recursos do ICMS Patrimônio Cultural.
A Lei nº 12.040/95, modificada pela Lei n° 13.803/2000 e pela Lei n°18030/2009, tem realizado e despertado um grande interesse e uma participação maior da comunidade local nas políticas implantadas pelo poder público municipal, favorável a preservação e a conservação do patrimônio cultural local.
Ministério Público
O Ministério Público é uma instituição responsável pela defesa de direitos dos cidadãos e dos interesses da sociedade. A finalidade de sua existência se concentra em três pilares: na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.
Atualmente,
a ação popular e a ação civil pública dirigidas ao Ministério Público Estadual,
são as medidas mais usadas para proteger o meio ambiente e o patrimônio
cultural e turístico.
- Manual Diretrizes para a Educação
Patrimonial. Diretoria de Promoção, IEPHA/MG, de julho de 2009.
- Cartilha do Patrimônio Histórico e
Artístico de Minas Gerais. Belo Horizonte: Secretaria de Estado da Cultura de
Minas Gerais, 1989.
- HORTA, Maria de Lourdes Parreiras. Guia
Básico de Educação Patrimonial. Brasília: Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional. Museu Imperial, 1997.
- LEMOS, Carlos A. C. O que é Patrimônio Histórico. São Paulo:
Editora Brasiliense, 1981.
- Reflexões e Contribuições para a
Educação Patrimonial. Belo Horizonte: Secretaria de Estado da Educação, 2002. (Lições
de Minas, 23).
- Tombamento e Participação Popular. São
Paulo: Secretaria Municipal de Cultura/ Departamento do Patrimônio Histórico,
(s.d.).
- Apostila de Educação Patrimonial. Belo Horizonte: Organização e Elaboração, Carlos Henrique Rangel, 2025.
- CASTRIOTA, Leonardo Barci. Patrimônio cultural, conceitos, políticas, instrumentos/Leonardo Barci Castriota - São Paulo: Annablume/ ieds 2005.
- Revisitando o Instituto do Tombamento. /Coordenadores: Edésio Fernandes, Betânia Alfonsin. Belo Horizonte: Fórum, 2010.
- MAGALHÃES, Aloísio. E Triunfo? a questão dos bens culturais no Brasil/ Aloísio Magalhães. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, Fundação Roberto Marinho, 1997.
- TELLES, Antônio A. Queiroz. Tombamento e
seu regime jurídico/ Antônio A. Queiroz Telles – São Paulo: Editora Revista dos
Tribunais, 1992.
FICHA
TÉCNICA
(Organização
/ Elaboração) Carlos Henrique Rangel
quinta-feira, 17 de julho de 2025
TEXTOS DE EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: IMPORTANTE LEMBRAR
IMPORTANTE LEMBRAR:
Importante lembrar que, nada é
estático, imutável ou permanente na vida e isso vale para os bens culturais
imateriais e materiais.
As pessoas mudam e as comunidades
e seus bens culturais também.
As sociedades são dinâmicas e
dinâmicas também são as suas relações com os bens culturais.
Cada geração se relacionará com o
bem cultural à sua maneira, mesmo que seja educada e preparada para entendê-lo
como seus antecessores.
Suas vivências junto aos bens
culturais conferirão novas abordagens e novas memórias.
A “voz” do bem cultural soará
diferente para essas gerações e isso não é ruim.
Faz parte da dinâmica da vida e
do próprio bem cultural como obra aberta e caixa sem fundos, guardião de
incontáveis memórias e vivências.
Os bens “falam” e “falarão” de
forma diferente para cada novo ser iniciado em seus mistérios destinado a lhe
dizer quem é.
A alma do bem cultural precisa
transitar em cada ser humano para que ele o incorpore à sua identidade e simultaneamente
alimente e enriqueça esse bem com suas sempre novas e dinâmicas memórias e
vivências.
A caixa de lembrar que é o bem
cultural precisa acondicionar initerruptamente as vivências e memórias
diferenciadas dos membros de sua comunidade.
E por serem diferentes e únicas
essas novas memórias devem ser compartilhadas se somando às antigas memórias e
vivências.
Memórias precisam ser
compartilhadas para que outros possam lembrar e enriquecê-las com novas
memórias.
Importante lembrar sempre que,
toda memória que fortalece a autoestima de um povo, precisa e deve ser
compartilhada.
(Carlos Henrique Rangel).
TEXTOS DE EDUCAÇÃO PATRIMÔNIAL: PATRIMÔNIO CULTURAL E SOBREVIVÊNCIA
PATRIMÔNIO CULTURAL E SOBREVIVÊNCIA:
quarta-feira, 18 de junho de 2025
TEXTOS EDUCAÇÃO PATRIMONIAL - AS ESCOLHAS
AS ESCOLHAS
Tudo na existência se resume a escolhas.
Não seria diferente com relação às memórias.
Há um processo de seleção consciente e inconsciente do
que queremos lembrar, empurrando para pontos remotos da nossa mente aquilo que
se convencionou denominar como péssima lembrança ou lembrança prejudicial ao
nosso processo de desenvolvimento.
Isso acontece também com a memória coletiva.
Nesse caso, grupos dominantes definem o que consideram
nocivo aos seus interesses econômicos, ou intelectuais e políticos e selecionam
as memórias que lhe são favoráveis e os objetos de lembrar que não lhes
causarão prejuízos ou ameaçarão o seu status quo.
No caso das memórias coletivas, isso se deu logo quando
surgiu a ideia de se proteger o patrimônio - inicialmente denominado “
histórico” - a partir do século XIX.
No Brasil não foi diferente. Os intelectuais Modernistas
elegeram como expoente do Patrimônio Cultural nacional, os acervos
arquitetônicos e artísticos coloniais, tendo como vedete principal as cidades
de origem colonial surgidas em Minas Gerais e que se mantinham em franco
processo de estagnação física e econômica.
Partindo desta premissa. Desta arrogante imposição
elitista de se preservar recortando os objetos de lembrar que consideravam
dignos de continuarem a cumprir esse papel para a coletividade, descartaram os
estilos que não se harmonizavam com o predominante acervo colonial do século
XVIII e XIX destas cidades, chegando ao ponto de destruírem fachadas ecléticas
ou art déco, para deixarem tudo harmoniosamente “velhinho em folha”.
Essa mesma postura será adotada em níveis estaduais, na
preservação dos conjuntos e de bens isolados, dando destaque às igrejas
coloniais, sobrados e casarões das elites locais.
Décadas depois, superada em parte essa tendência, ainda
hoje as instituições voltadas para a preservação, continuam a eleger
autoritariamente o que é bom e o que deve permanecer e cumprir “mal e
porcamente” o papel de lembrar à uma comunidade.
Depois de décadas de ações revisionistas surgiram agentes
culturais sensibilizados e visionários que perceberam o distanciamento entre os
institutos de preservação e as comunidades e o mal que causavam à memória
nacional.
A Educação Patrimonial surgiu como a grande salvadora.
A vacina contra o autoritarismo elitista vigente.
Mas até essa nova postura de atuação foi cooptada ou
controlada e muitas vezes exilada a alguns recantos, tornando-se mais uma
exótica postura empregada de forma descontínua e inconsistente.
Os órgãos estaduais acompanharam a tendência do órgão
federal de forma ainda mais precária, com projetos de curta duração ou
descontínuos.
A maioria continua atuando sem muito envolvimento das
comunidades, impondo suas visões às comunidades apáticas.
Há luz no fim do túnel: Em nível municipal - pelo menos
em Minas Gerais – os projetos e programas de educação patrimonial ocorrem com
certa regularidade desde 2005, devido ao ainda inédito Programa ICMS Patrimônio
Cultural criado pelo Estado em 1995.
Esse programa, vinculado à lei de redistribuição do
Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS – descentralizou a
proteção do patrimônio cultural em Minas Gerais, onde praticamente 90% dos 853 municípios
possuem legislação e conselhos municipais voltados para o reconhecimento, proteção,
preservação e salvaguarda dos bens culturais,
Não vamos negar que a doença elitista e autoritária dos
órgãos estaduais e do órgão federal tenha contaminado também essas instituições
municipais.
No entanto, nos altos e baixos dos trinta anos do programa
de descentralização, ele ainda é um baluarte e uma brisa positiva soprando
nesse universo incerto da proteção do patrimônio cultural.
(Carlos Henrique Rangel).
sábado, 14 de junho de 2025
TEXTOS: O FEIJÃO COM ARROZ DA PRESERVAÇÃO
O FEIJÃO COM ARROZ DA PRESERVAÇÃO:
Esse está sendo o problema das instituições de
preservação.
Não há evolução na lida com a preservação.
Não há planejamento e propostas para uma atuação efetiva
nos conjuntos urbanos ou rurais.
A mesmice impera na maioria das instituições, desde os anos
1990 e não vejo uma mudança deste quadro a curto e médio prazo.
É cômodo tocar o barco fazendo o feijão com arroz azedado
de sempre, fingindo preservar e apagando muito mal os incêndios que sempre
acontecem quando não há fiscalização efetiva, um plano de preservação e a
utilização eficiente dos instrumentos como o tombamento, o inventário e
outras leis federais.
O futuro da preservação legal do patrimônio cultural está
nas mãos de um grupo medíocre e apático, sem o mínimo interesse de repensar a
atividade.
Não há autocrítica e nem interesse de mudar as
coisas.
Estão acomodados na sonolenta mesmice de décadas e criando
escola.
Não vejo luz no fim do túnel.
Na verdade, o próprio túnel está ameaçado.
Penso que a solução para se avançar nos mecanismos da
preservação seria a realização de seminários internos nas instituições,
avaliando a sua atuação e evolução durante a sua existência.
Isso deveria ser feito com total honestidade nos estudos e diagnósticos
sobre a atuação e desenvolvimento das atividades de proteção do patrimônio
cultural e seus erros e acertos ao longo das décadas.
Isso permitiria levantar problemas e possíveis soluções
destes e a melhor forma de atuar e avançar na proteção e preservação dos
suportes da memória.
Este seminário, se bem elaborado, permitiria até mesmo a
reestruturação das atividades e a elaboração de Programas de Preservação,
Proteção, Revitalização e Promoção do Patrimônio Cultural.
Por não mudarmos continuamos fazendo as mesmas coisas mal e
porcamente, repetindo erros e até mesmo aumentando-os.
A ideia não é julgar o passado, mas aprender com ele para
avançarmos em uma forma melhor de atuar na proteção do patrimônio
cultural.
Mas para isso precisamos de mentes abertas e dispostas a
sair da mesmice cômoda, acomodada e burocrática de funcionário público.
(Carlos Henrique Rangel).
sexta-feira, 13 de junho de 2025
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL TEXTOS - PISANDO EM OVOS
PISANDO EM OVOS
