O OUTRO
Autor: Carlos Henrique Rangel
Vivendo em grupo por necessidade e sobrevivência,
o ser humano cedo necessitou de símbolos códigos para se fazer entender e
compreender o seu mundo e os seus iguais. Essa necessidade do outro e a
convivência com este só foi possível através de um consenso coletivo para se
entenderem em relação a tudo. Desde as pequenas como a nominação de um objeto,
às regras de convivência.
Se esse consenso se deu através de lideres
carismáticos ou autoritários, ou mesmo de forma democrática, essa não é a
questão. O fato é que o consenso existiu para que fosse possível a convivência
em grupo e a adaptação a um espaço determinado.
A identidade desse grupo será definida pelo
consenso. Pela crença em valores assimilados por todos ou pelo menos a maioria
dos membros do grupo. Os que não aceitam as regras do grupo são excluídos e se
tornam os “outros”.
Também esses, denominados “outros” são necessários
para a formação da identidade do grupo e a consolidação de suas crenças,
costumes e ideais. A identidade de um ser ou de um grupo é definida pela
contraposição à identidade de outro. O outro indivíduo, grupo ou comunidade ou
nação será sempre a referência até mesmo para o fortalecimento da identidade.
Ao mesmo tempo, uma comunidade por mais homogênea
que seja sempre terá grupos discordantes – “os outros” que também possuem
identidade própria, cultura própria, mesmo que identificados de uma forma geral
com o grupo dominante.
Essa minoria dentro de uma comunidade maior ainda
assim é parte desta e merecem respeito quanto a sua memória, identidade e suas
produções culturais.
O outro que me acompanha e que produz cultura
comigo, o que permite a diversidade cultural merece ser reconhecido, respeitado
e valorizado como parte do grupo maior.
Numa sociedade consensual a diversidade deve ser o
consenso para que a o grupo se renove culturalmente e sobreviva com a
autoestima valorizada e fortalecida.
Esse outro também ele é parte do grupo e mesmo o
outro culturalmente diferente, aquele de outro grupo/nação, também esse merece
respeito. Ser diferente não é ser pior ou melhor.
É apenas diferente. Outra forma de ser e de se
relacionar com o mundo e seus lugares.
O outro é o meu céu e meu inferno. É o meu
contraponto.
O outro sou eu diferente.
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