PROTEUS EDUCAÇÃO PATRIMONIAL 22 ANOS
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terça-feira, 18 de agosto de 2026
RELIGIÕES DOS POVOS ANCESTRAIS AFRO-DESCENDENTES E INDÍGENAS
RELIGIÕES DOS POVOS ANCESTRAIS AFRO-DESCENDENTES E INDÍGENAS
Organizado por Carlos Henrique Rangel.
1 -CANDOMBLÉ
A religião afro-brasileira denominada Candomblé, tem suas raízes na sabedoria
antiga dos povos Yorubás, Jejes e Bantus. Resgata os antigos ritos, danças e
cantos do culto aos Orixás, sendo considerada muito mais uma maneira de viver e
de conviver com o sagrado e as forças que regem a natureza, A palavra Candomblé
significa dança ou dança com atabaques. Trata-se de uma religião monoteísta que
chegou ao Brasil por meio dos negros escravizados que mesclaram suas crenças ao
catolicismo, como forma de sobrevivência e autodefesa. As entidades ancestrais
foram associadas aos santos católicos como camuflagem para o culto, fugindo à
perseguição ferrenha das lideranças cristãs. Os chamados orixás representativos
de força ou personificação da natureza foram visualmente identificados com o
Cristo e outros santos cristãos. Acima destes orixás existe o chamado Deus único
que, na tradição Ketu é denominado Olorum. Na tradição Bantus é Nzambi e para os
que seguem a tradição Jeje é Mawu.
Os orixás mais cultuados no Brasil são:
Exu Significado: Esfera Dia da semana: Segunda-feira Cores: Vermelho (ativo) e
preto (absorção de conhecimento) Saudação: Laroiê (Salve Exu) Instrumento:
Associação: Sete ferros presos numa mesma base, voltados para cima Santo Antônio
de Pemba ou santo Antônio
Ogum Significado: Guerra (gun) Dia da semana:
Terça-feira Cor: Azul escuro (cor do metal quando aquecido na forja) Saudação:
Ogunhê, Olá, Ogum Instrumento: Associação: Espada de ferro São Jorge Oxóssi
Significado: Caçador noturno (oxó, caçador; ossi, noturno) Dia da semana:
Quinta-feira Cor: Azul turquesa (cor do céu no início do dia) Saudação: O Kiarô!
("okaaro" significa bom dia, na língua iorubá) Instrumento: Associação: Ofá
(arco e flecha) São Sebastião
Xangô Significado: Aquele que se destaca pela
força Dia da semana: Quarta-feira Cores: Vermelho (ativo), branco (paz), marrom
(a terra) Saudação: Kaô Kabiesilê; venham ver nascer sobre o chão Instrumento:
Associação: Oxé (machado de pedra de lâmina dupla) (Oyá) São Pedro ou São
Jerônimo Iansã Significado: Nove (ela teve nove filhos) Dia da semana:
Quarta-feira (ou segunda-feira) Cores: Vermelho (ativo e fogo) ou marrom (a
terra) Saudação: E Parrei! - Olá! Jovial e alegre ou Que bela espada!
Instrumento: Associação: Iruexim (cabo de ferro ou cobre com um rabo de cavalo)
Santa Bárbara Oxum Significado: Rio que passa por Oxogbo, cidade nigeriana Dia
da semana: Sábado Cor: Dourada (amarela) Saudação: Ora ieiê ô!; brincar nas
águas Instrumento: Associação: Abebê (espelho) Nossa Senhora Aparecida ou Nossa
Senhora da Conceição
Obá Significado: Rainha Dia da semana: Quarta-feira Cor:
Vermelha Saudação: Obá xirê! - rainha poderosa, forte Instrumento: Adaga Logum
Significado: Príncipe aclamado (Odé, relação com Ogum e Edé, ligação com Oxóssi)
Dia da semana: Quinta-feira Cores: Azul-turquesa e amarelo (dourado) Saudação:
Lóci, lóci, Logum! Grita seu brado de guerra, príncipe guerreiro! Instrumento:
Ofá (arco e flecha) e abebê (espelho)
Nanã Buruquê Significado: Originariamente
néné/nana/nanã Dia da semana: Terça-feira Cores: Lilás ou branco rajado de azul
Saudação: Saluba Nanã! - Salve, dona do pote da Terra! Instrumento: Associação:
Ibiri (espécie de bengala) Nossa Senhora Sant’Ana
Obaluaê Significado: Rei,
senhor da terra Dia da semana: Segunda-feira Cores: Branco (paz e cura), preto
(conhecimento) e/ou vermelho (atividade) Saudação: Atotô! Oto, Silêncio!
Instrumento: Xaxará (espécie de bastão mágico)
Ossaim Significado: Luz divina
Dia da semana: Terça-feira (ou quinta-feira) Cores: Verde (cura) e branca (paz)
Saudação: Eu, eu assa! - Oh, folhas! Instrumento: Haste metálica de sete pontas,
com um pombo no centro
Oxumaré Significado: Aquele que se desloca com a chuva
Dia da semana: Terça-feira Cores: Amarela (conhecimento) e verde (saúde)
Saudação: Arruboboí! - gbogbo, contínuo Instrumento: Serpente de metal Iemanjá
Significado: Iya, significa mãe; Omo, filho; e Eja, peixe Dia da semana: Sábado
Cores: Branco e azul (cristal translúcido) Saudação: O doiá! (odo, rio)
Instrumento: Associação: Abebê (espelho) Nossa Senhora da Conceição
Oxalá
Significado: Luz branca (oxa, luz; e alá, branco) Dia da semana: Sexta-feira
Cor: Branca Saudação: Epa, Babá! - Salve, pai! Instrumento: Associação: Paxorô
(espécie de cajado) Jesus Cristo
Ibeji/Erês Significado: Ib significa nascer; e
eji, dois Dia da semana: Domingo Cores: Todas Saudação: Beje eró! - Chamar os
dois! Instrumento: Associação: Não há São Cosme e São Damião
A atual estrutura religiosa do Candomblé foi adquirida na Bahia em meados do século XVIII se
consolidando no século XX. As cerimônias/ritos são, geralmente compostos de
cânticos, danças, batidas de tambores, oferendas de alimentos, minerais, objetos
e em certas ocasiões específicas, de sacrifício de alguns animais. Os filhos de
santo usam trajes específicos com as cores e as guias que remetem ao seu orixá.
Estes orixás possuem além das vestes específicas, objetos e alimentos
diferenciados que são usados nos rito. Cada dia da semana é dedicado a um orixá.
Um filho de santo conclui sua iniciação após sete anos.
Os rituais são dirigidos
por um pai ou mãe de santo – babalorixá e iyalorixá. A nomeação, sucessão de um
líder do Terreiro ocorre por hereditariedade. Após séculos de perseguição e
discriminação, em 15 de dezembro de 1975, a Lei Federal 6292, protegeu vários
terreiros de Candomblé, considerando-os patrimônio material ou imaterial
passível de tombamento. Cerca de 1,5% da população brasileira pratica essa
religião. Atualmente, muitos terreiros de Candomblé tentam dissociar essa antiga
relação com o catolicismo, rompendo com o sincretismo.
2 - UMBANDA – UM POUCO DE HISTÓRIA:
Religião afro-brasileira, a Umbanda foi fundada em 1908 por Zélio Fernandino de
Morais, tratando-se de uma fusão de diferentes tradições espirituais e culturais
africanas, europeias e indígenas. Para seu fundador, Zélio de Morais, a Umbanda
representava a manifestação dos espíritos voltados para a caridade, focando na
crença na reencarnação, no trabalho mediúnico e na comunicação com os espíritos
e o culto aos Orixás. O médium Zélio Fernandino de Morais, natural de São
Gonçalo, Rio de Janeiro, teria incorporado o Caboclo das Sete Encruzilhadas e
este espírito o teria influenciado e ajudado a criar a Umbanda, mesclando
crenças e doutrinas do Espiritismo Kardecista, do Catolicismo e do Candomblé,
além de algumas visões de crenças indígenas como o amor à natureza e o uso de
ervas de poder durante as cerimônias. A nova religião logo se tornou popular no
país e em outros países da América Latina. Durante os anos 1920/30, as religiões
de matriz africanas sofrerem com o preconceito e repressão política, o que levou
à união, organização e uniformização do culto visando com o intuito de tornar a
religião mais aceitável pela sociedade. A primeira Federação de Umbanda surgiu
em 1939, recebendo o nome de “União Espíritista de Umbanda do Brasil” – UEUB –
cujo objetivo era representar a religião. Para evitar a perseguição, as casas de
Umbanda passaram a usar o termo “espirita” visando a desafricanização da nova
religião e diminuir o preconceito. Os anos de Ditadura Militar – 1964/1985 – a
Umbanda foi utilizada como instrumento de legitimação do projeto nacionalista do
regime ao mesmo tempo em era alvo de preconceito e perseguições. A partir da
ascensão das igrejas neopentecostais nos anos 1980, intensificaram as
perseguições e ataques aos Terreiros. No século XXI, a Lei n.11.635 de dezembro
de 2007 criou o “Dia Nacional de Combate ao Preconceito Religioso” que buscava
combater a discriminação e o desrespeito às religiões afro-brasileiras. A
Umbanda com o passar do tempo foi se diversificando tendo variadas formas de
cerimonial. Por ser uma religião sincrética, a Umbanda apresenta mesclas de
várias religiões: Da religião Católica trouxe a adoração a Jesus e a
incorporação de santos e orações. Do Candomblé, o culto aos Orixás que
representam as forças da natureza e o respeito aos ancestrais. Das crenças
indígenas, incorporou a valorização dos espíritos da natureza, os caboclos e o
uso de erva sagradas nos ritos. E do Espiritismo, acrescentou a crença na
reencarnação e a comunicação com os espíritos. As chamadas giras da Umbanda
ocorrem em locais denominados Casa, Terreiro, Templo ou Barracão, acontecendo
com frequência, cerimônias ao ar livre nas proximidades de matas, rios,
cachoeiras e praias. As reuniões são comandadas por um dirigente espiritual
denominado Pai ou Mãe de Santo, responsáveis pelos ensinamentos, conhecimento e
doutrina. Nos terreiros ocorrem cerimônias religiosas/espirituais gratuitas com
sessão de passes para energizar os participantes, descarrego destinado a aliviar
as energias negativas e fortalecer. Durante os trabalhos os filhos de santo
costumam usar roupas brancas As vestes mais usadas nestas cerimônias são na cor
branca por simbolizar a pureza e a neutralidade. A Umbanda utiliza “pontos” que
são cantigas para louvar, chamar e se despedir do orixá e as entidades,
acompanhadas por atabaques. Cada Entidade/Orixá possui ritmo próprio. Algumas
vertentes da Umbanda praticam sacrifícios de animais.
Principais Entidades e Orixás cultuados pela Umbanda:
Orixás
- Oxalá/ Jesus Cristo: Símbolo da fé. - Oxum: Símbolo do amor. - Oxossi: Símbolo
do conhecimento. - Xangô: Símbolo da justiça. - Ogum: Símbolo da lei. -
Obaluaiê: Símbolo da evolução. - Yemanjá: Símbolo da geração. - Oyá: Símbolo do
tempo. - Oxumaré: Símbolo da renovação. - Obá: Símbolo da concentração. -
Egunitá: Símbolo da purificação. - Yansã: Símbolo da direção. - Nanã: Símbolo da
decantação. - Omolu: Símbolo da esbilização.
Entidades:
- Cabloco: Espíritos de ancestrais indígenas. - Pretos-Velhos: Espíritos de
ancestrais africanos escravizados. - Baianos: Entidades nordestinas que ajudam
em questões de trabalho, fortalecimento moral e saúde. - Marinheiro/Marujos:
Espíritos ligados ao mar. Ajudam na limpeza espiritual e emocional. - Erês:
Espíritos de crianças ou infantis. Consolam os pais aflitos. - Malandros:
Espíritos de pessoas espertas. Destaque para Zé Pilintra. Protetores dos
marginalizados. - Pomba-gira: Espíritos femininos que lutaram contra as
injustiças e preconceitos. Ajudam em questões ligadas a autoestima, ao amor,
confiança e defesa das mulheres. Destaque para Maria Padilha, amante do Rei D.
Pedro I de Castela. Mulher sensual e bem-vestida. - Boiadeiros. - Ciganos. -
Orientais.
3 - O DAIME
A ayahuasca usada nos ritos do Centro Eclético da Fluente Luz Universal Maurício
Reis é uma bebida sagrada enteógena surgida com a união do cipó denominado
jagube e das folhas da planta chamada de rainha ou chacrona. A origem da bebida
sagrada remonta a milênios no tempo, sendo utilizada pelos os antigos incas e
outros povos sul-americanos. As primeiras citações europeias se encontram nos
relatos do missionário jesuíta Pablo Maroni, datado de 1737 e em 1768, no relato
do jesuíta Franz Xavier Veigi, Esses religiosos a definiam como sendo uma bebida
usada para “adivinhação” e “enfeitiçamento”. Seu uso se estende por mais de 72
povos originários amazônicos e pelas regiões do Peru, Equador, Bolívia, Colômbia
e Brasil. A planta sagrada é considerada uma substância de propriedades
curativas e desnintoxicadoras que pode reativar órgãos afetados por doenças e
melhora quadros clínicos de dependência. No século XX, a ayahuasca foi bastante
difundida na América do Sul e outras regiões, por religiões como a União do
Vegetal, fundada em 1961, o Santo Daime, surgida entre os anos 1930/45, a
Barquinha, datada de 1945 e as diversas religiões ecléticas menores. As
religiões ecléticas ou neo-ayahuasqueiros fazem uma ligação entre as visões
orientais, neoxamanistas e holísticas e as crenças dos povos da floresta,
destacando-se entre elas o Centro Espiritual Estrela de Salomão, Centro
Espiritual Beneficente União do Vegetal Luz Paz e Amor, Núcleo Espiritual Rosa
de Luz, Centro de Desenvolvimento Integral Luz do Vegetal, Centro Terapêutico
Caminho do Coração Desenvolvimento Integral Luz do Vegetal, Centro Terapêutico
Caminho do Coração, Irmandade Beneficente Natureza Divina, Templo Mãe D’Água,
Escola da Rainha – Reino do Sol, Centro de Cultura Cósmica Suprema Luz Paz e
Amor e a Família Jarinu Atlântida – Amor e Evolução dentre outras tantas
variações menores. Atualmente, as autoridades governamentais e sanitárias e as
religiões buscam padronizar o uso da bebida e reconhece-la como um patrimônio
cultural de tradição indígena. No Brasil, em setembro de 1987, a Ayahuasca foi
retirada provisoriamente da lista de substâncias alucinógenas. No entanto,
somente em 23 de novembro de 2006, o Conselho Nacional de Política Sobre Drogas
oficializou essa decisão. Em 25 de janeiro de 2010, o CONAD regulamentou o seu
uso para fins religiosos vetando o seu uso comercial e turístico, sendo
facultativo o cadastro das religiões e entidades que a utilizam. A Religião
denominada Santo Daime surgiu no Estado do Acre na Amazônia, nas primeiras
décadas do século XX, fundada pelo lavrador e descendente de escravizados,
Raimundo Irineu Serra, que passou a ser conhecido como Mestre Irineu. Irineu, ao
tomar a bebida teve a visão de um ser espiritual feminino, que lhe pediu para
criar a religião de característica mariana cristã. Batizou a bebida ancestral
indígena de “Dai-me Amor. Dai-me Firmeza”, nome que acabou sendo o nome da
religião. Sua crença mescla tradições xamânicas, catolicismo popular, tradições
caboclas, esotéricas e afro-brasileiras. A partir dos anos 1930, começou seus
trabalhos religiosos com uma pequena comunidade. O movimento de expansão da
doutrina se iniciou com a criação de centros religiosos liderados pelo Padrinho
Sebastião Mota de Melo. Mestre Irineu faleceu em 6 de julho de 1971 e a
comunidade se dividiu em duas correntes: A linha denominada Centro de Iluminação
Cristã Luz, dirigida pela viúva de Mestre Irineu, Peregrina Gomes Serra, que
segue a linha do Mestre Irineu, mantendo os ritos criados pelo fundador. E a
linha, comandada pelo Padrinho Sebastião que está centrada no CEFLURIS – Centro
Eclético de Fluente Luz Universal Raimundo Irineu Serra, registrada em 1974, com
sede na cidade de Rio Branco. O Padrinho Sebastião, como era carinhosamente
chamado por seus afilhados, faleceu em 20 de janeiro de 1990, no Rio de Janeiro,
vítima de uma insuficiência cardíaca que o fez sofrer nos últimos anos. Além da
viúva, senhora Rita Gregório de Melo, deixou aos filhos Alfredo e Waldete,
respectivamente, a responsabilidade pela continuação de sua missão espiritual e
de seu trabalho social e comunitário. Em 1987, foi criada uma associação de
moradores, cuja diretoria é eleita periodicamente por seus sócios. Atualmente, a
população da comunidade compreende cerca de mil pessoas, entre a vila e pequenas
colocações ao longo do Igarapé Mapiá. Com o crescimento espontâneo registrado
nas últimas três décadas e os desafios sociais e institucionais decorrentes, a
Doutrina se espalhou por diversas regiões do Brasil e do mundo. O uso do Santo
Daime como sacramento enteogênico em um trabalho espiritual de autoconhecimento
obedece a regras rituais recebidas espiritualmente pelo Mestre Irineu e pelo
Padrinho Sebastião. Não há uso indiscriminado, pois, como um sacramento, a
bebida é somente distribuída em datas que obedecem ao calendário religioso anual
e dentro das regras preestabelecidas. (História do Santo Daime. Disponível em:
Flor de Jagupe. https://www.flordejagube.com. br/historia-do-santo-daime/.
Acessado em 15 de agosto de 2026). O Daime tem como doutrina o uso ritualístico
e sagrado da bebida denominada Ayahuasca. A prática espiritual é individual. Uma
busca pelo autoconhecimento e da sabedoria. Os membros da Doutrina “Santo Daime”
a consideram uma missão espiritual, que auxilia os adeptos na pratica do perdão
e na evolução do ser humano. Durante os ritos utilizam cânticos e hinos
religiosos acompanhados de maracás, violas, flautas, bongôs e atabaques. Outros
tantos centros independentes das duas linhas surgiram ao longo das décadas,
muitos deles sincretizando a doutrina com as crenças e ritos da Umbanda e do
Hinduísmo. Marcos Moyses conheceu o Daime na cidade de Santa Luzia e resolveu
criar a igreja em Nova Lima em 15 de janeiro de 1994, denominando-a Igreja Flor
de Jagube. O grupo de devotos e seguidores escolheu o terreno comprado no mesmo
ano da fundação da igreja, tendo como princípio a fidelidade à doutrina de
Mestre Irineu e do Padrinho Sebastião, mantendo, contudo, a independência da
Igreja do Acre. A doutrina consiste em buscar a conexão com o Divino em si.
Estudo íntimo e a autodescoberta, focando na verdade, justiça, harmonia e amor.
Os ritos começaram na casa que já existia no terreno adquirido no distrito de
São Sebastião das Águas Claras. Dois anos depois – 1996 - construíram o Templo,
com a contribuição dos membros. O calendário dos ritos da Igreja Flor de Jagube
seguem o calendário católico. Os adeptos da religião utilizam as fardas como
símbolo de pertencimento e a identificação com os princípios e valores da
religião. Forma de expressar publicamente a devoção e adesão ao Daime. A cor
branca simboliza a pureza e a paz interior. O verde representa a cura e a
renovação. O fardamento no Santo Daime consiste geralmente de uma camisa branca
de mangas compridas, calças brancas ou saias longas e cinto colorido. Os homens
usam fadas nas cores branca e as mulheres usam fardas compostas de blusas
brancas com faixas verdes nos ombros que se ligam ao saiote verde sobre a saia
cumprida na cor branca. Em algumas ocasiões os homens usam fardas compostas de
camisa branca, calças azul marinho e gravata azul. As mulheres usam blusas
brancas com mangas curtas, saia cumprida azul marinho e gravata borboleta azul.
No Santo Daime, o uso das fardas está intrinsecamente ligado à espiritualidade,
ao autoconhecimento e à transformação pessoal. Ao vestir a farda, o praticante
se coloca em um estado de abertura para receber as bênçãos do Santo Daime e se
conectar com seu eu interior. Através das cerimônias, as fardas atuam como um
instrumento para o desenvolvimento espiritual, auxiliando na busca pelo
autoconhecimento, cura emocional e transformação pessoal. (A importância das
fardas no Santo Daime: A simbologia dos trajes. Religiões. APP. Disponível em:
https://religiao.app/importancia-fardas-santo-daime-simbologia-trajes/ Acessado
em 17 de agosto de 2026). Realizam dois trabalhos mensais de 15 em 15 dias. A
abertura da cerimônia é feita com três Pais Nossos, três Ave Maria e uma chave
da Harmonia. Em seguida é feito o primeiro “despacho” do Daime, quando a bebida
é distribuída. Os participantes são separados em seis batalhões sentados, cantam
hinos elaborados pelo Padrinho Sebastião. Logo a bebida é consagrada novamente e
as luzes são abaixadas. Há então, um período de 40 a 60 minutos de silêncio e,
logo após, retomam o canto dos hinos a “capela”. O Daime é o Daime O Daime é o
Daime Eu estou afirmando Éo Divino Pai Eterno E a Rainha Soberana O Daime é o
Daime O professor dos professores É o Divino, Pai Eterno E seu filho Redentor O
Daime é o Daime Eu agradeço com amor E quem me dá a minha saúde E revigora o meu
amor Agradeço ao Santo Daime Agradecendo a todos seres E quem que manda agradece
É o meu Pai Verdadeiro. (ALVARENGA, Alex Polari. O Livro das Mirações – Viagem
ao Santo Daime. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1984, p.334). Ás vezes há
leituras do evangelho e outros textos sagrados. Antes do fim dos trabalhos há
uma fala temática. “O Rito cria a disciplina da cerimônia e dá a liberdade. Tudo
dentro de uma disciplina”. Encerram os trabalhos orando três Pais Nossos, três
Aves Marias, um Salve Rainha, uma fala e o sinal da cruz. A cerimônia dura em
média 3 a 4 horas. Toda primeira segunda feira do mês ocorre uma santa missa com
duração de 2 horas, dedica às alma Durante o ano ocorrem trabalhos oficiais
festivos em que os fardados usam branco: Natal, Reis, São José, aniversário da
Igreja, Festival Junino, aniversário do Padrinho Sebastião, 7 de setembro,
Virgem da Conceição, aniversário do Mestre Irineu, dias das mães, dia dos pais,
dia das crianças, finados, dia de São Miguel. Os “fardados” mantem parceria com
escolas e comunidade e realizam campanha do agasalho para bebês. Um dos pilares
da igreja Flor de Jagube é a responsabilidade socioambiental. Nesse sentido,
desde 2019, está em atividade o trabalho de agrofloresta, com a inclusão dos
jardins no sistema de plantio de alimentos, uma ação sustentável que faz a
recuperação florestal do terreno. O trabalho foi desenvolvido e é realizado
pelos próprios zeladores e integrantes da igreja, que promovem mutirões de
plantio, cuidados, limpeza e todas as tarefas necessárias para a manutenção da
cadeia produtiva. A FDJ está inserida na comunidade desde sua fundação, e o
trabalho de agrofloresta é uma prática cristã, visando firmar a doutrina no viés
da saúde e do bem-estar das pessoas por meio da alimentação. Essa ação está
diretamente alinhada à missão do Santo Daime. (Flor de Jagube.Nossa História.
Disponível em: https://www.flordejagube.com.br/nossa-historia/. Acessado em 15
de agosto de 2026). Atualmente, a Igreja Flor de Jagube conta com cerca de 150
fardados participantes dos trabalhos e praticam os valores da doutrina do Santo
Daime.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Candomblé Desmistificado. Disponível em: https://candombledesmistificado.
com/orixas/. Acessado em 12 de agosto de 2026. Candomblé. Disponível em:
https://www.todamateria.com.br/candomblé. Acessado em 12 de agosto de 2026. A
importância das fardas no Santo Daime: A simbologia dos trajes. Religiões. APP.
Disponível em:
https://religiao.app/importancia-fardas-santo-daime-simbologia-trajes/ Acessado
em 17 de agosto de 2026. ALVARENGA, Alex Polari. O Livro das Mirações – Viagem
ao Santo Daime. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1984. Flor de Jagube. Nossa
História. Disponível no Site. https://www.flordejagube. .com.br/mural-de-fotos/.
Acessado em 15 de agosto de 2026. MOURA, Jorge Luiz de. Ex- Presidente da
Igreja. [Entrevista concedida a Carlos Henrique Rangel]. 7 agosto, 2026. PINTO,
Flávia. Umbanda religião brasileira: guia para leigos e iniciantes. Rio de
Janeiro, Pallas, 2014. Santo Daime – A Doutrina da Floresta. Disponível em:
https://www.santodaimehttps://www.santodaime. Acessado em 18 de agosto de 2026.
SOARES, Djanete. Presidente.[Entrevista concedida a Carlos Henrique Rangel]. 7
agosto, 2026. SOUZA, Fabíola Amaral Tomé de. Umbanda e Ditadura Civil-Militar:
relações, legitimação e reconhecimento. Revista Angelus Novus, São Paulo,
Brasil, n°11, p. 13–32, 2017. Umbanda o que é, origem, orixás, pontos e
terreiros. https://www.todamateria.com.br/umbanda/ . Acessado em 12 de agosto de
2026. VIEIRA, Carolina Ferreira. Umbanda: estrutura e rituais. Juiz de Fora,
2016. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado Interdisciplinar em Ciências
Humanas). [Recurso Digital].
sexta-feira, 24 de julho de 2026
IRMÃO PAULO DE PAZ - CENTELHAS EM FOTOS II
O ex-monge franciscano, Irmão Paulo de Paz, nasceu em Belo Horizonte em 1960.Seu despertar ocorreu em 1993 quando resolveu se desligar do monastério franciscano e se isolar em um sítio na Serra do Cipó onde aprofundou suas leituras e práticas espiritualistas não duais e começou a divulgar sua autodescoberta por meio das chamadas CENTELHAS DE LUZ a partir de 1995.
Divulga mensagem e textos curtos focados no despertar da consciência, a liberdade do ego, e a manifestação do amor no cotidiano.
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